Ficha Técnica – Mais amor, menos hipocrisia
qua, 6 de abril de 2016 08:49
Manhã de quarta-feira, 6 de abril. Obrigado ao senhor que adotou a britadeira na obra ao lado. Levanto honrado, mas não demora, padeço. É o preço que se paga por esperar demais de quem é de menos. Espécie que peca em ser humano. Torcedor brasileiro, vermelho, azul, preto, pobre, guerreiro. Favas contadas. No país da carteirada e da delação premiada, preferem se preocupar com onde fica o lugar da tomada. O ego carrega o celular, que compartilha sem apurar. Nos jornais, tristeza. Uma em cada três pessoas no mundo vive na pobreza.
Algumas pessoas cuidam melhor de seus cães do que de seus irmãos, dizia o argentino Jorge Bergoglio. O tempo o tornou Papa Francisco, mas mesmo o mais ateu há de concordar. Afinal, como explicar o descaso, a desigualdade, as brigas políticas e as batalhas de torcida? Terra da propina. Morre mais gente que na guerra entre Israel e Palestina. Por falar nisso, há quantas anda Mariana? Levanta-te, eis mais um gol da Alemanha.

Uma vida melhor para você, ou um país mais igual para todos?
(Créditos Fuleco2014)
Despedida. Desde 2003, mais de 100 torcedores brasileiros não voltaram para a casa. Quantos chegaram vivos ao fim dos 90 minutos? Quantos presos? Desespero. O próximo jogo será de apenas uma torcida. É a paz no cemitério. Nos estádios, luta contra um jogo perdido. Nas ruas, luto pelas balas perdidas. Legado. Não se faz Copas com hospitais, não é mesmo Ronaldo?
Saúde. O esporte respirando com a ajuda de aparelhos. A corrupção levada na esportiva. O desvio do dinheiro público como rota de fuga. É final de campeonato, mas o herói mesmo é o juiz da Lava Jato. Educação sem efeito. Falta investimento, sobra preconceito. Respeito mesmo era o São Caetano vice-campeão da Taça Libertadores de 2002. Mas esse é um assunto que deixamos para depois.
Não adianta cobrarmos a torto e a direito um país melhor, se queremos caminhar à custa dele. É como enfrentar o sedentarismo com esteiras, a insônia com comprimidos, ou a solidão com eletrônicos. Mudança não é tirar o time de campo, mas rever a postura e virar o jogo. Igualdade. Entre direitos e privilégios, sejamos nobres bandidos para roubar de volta o tempo perdido. Panelada, buzinaço, euforia. Chega de máscaras, alegoria ou fantasia. Mais amor, menos hipocrisia.
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