Ficha Técnica – HAJA CORAÇÃO!
qua, 24 de junho de 2015 09:03
Há quem diga que a vida prega peças. Às vezes, elas vêm em forma de ondas gigantes, na última reta de uma corrida de Fórmula 1 ou na pele de um padre irlandês mal intencionado. Ainda assim, poucos são os momentos que se comparam a angústia na voz de Galvão Bueno nos minutos finais da decisão da Copa América em 2004.

O luto na voz de Galvão Bueno e a nova fase da seleção
Era ano de Olimpíadas. O maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima teve o percurso interrompido por um lunático de saia. A Nazaré aterrorizava minha avó na escadaria de “Senhora do Destino”. Rubens Barrichello era vice do heptacampeão Michael Schumacher. Milhares perderam a vida no maior acidente natural registrado na Ásia, e outros tantos ameaçavam morrer de infarto com a final entre Brasil e Argentina.
A partida disputada no Peru caminhava para o fim, quando César Delgado colocou os argentinos à frente aos 43 minutos do segundo tempo, praticamente garantindo o título que não ocorria desde 1993. A aflição tomou conta de todos, até que no minuto final, Adriano – saudade – igualou o placar e levou a partida às penalidades. Para a saúde do coração de Galvão e milhares de brasileiros, a seleção de Júlio César, Alex, Diego e Gustavo Nery levantaria a taça momentos depois.
Naquele ano, Robinho driblava o sequestro da mãe e retornava a tempo de conduzir o Santos ao título brasileiro. Aos 20 anos, ganhávamos uma nova esperança para o futuro do futebol. Expectativa que desafiaria o tempo, sendo renovada até a Copa América de 2015.
Com a suspensão de Neymar, o ex-menino das pedaladas se tornou a maior aposta para salvar um projeto de reformulação desenhado em branco. Para os supersticiosos de plantão, Robinho veste a camisa 20, mesmo número usado por Amarildo ao substituir Pelé na campanha do bicampeonato mundial em 1962. A diferença está nos companheiros da equipe, incluindo um jovem das pernas tortas.
Após um ano dos 7×1, confesso que não vi mais gols da Alemanha, mas sofri com vários gols-contra do Brasil. O país descrito um dia por Nelson Rodrigues como a “pátria de chuteiras”, hoje se contenta com as “franciscanas sandálias da humildade” idealizadas por Xico Sá. Resta esperar que o futebol, assim como a vida, pregue novas peças. Pelo bem de todos, e pela voz de Galvão.
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