Euclides da Cunha – Escritor sofredor, por Diomar Freire
sáb, 24 de janeiro de 2015 00:05“O maior sofrimento
Do homem é amar e
Não ser amado e ser
traído pelo esposa”.
(Assis Chateaubriand)
* Diomar Freire
Os livros de filosofia e teologia ocuparam a minha vida na juventude e na mocidade. Fiz todo o meu currículo escolar com os jesuítas. Católico por decisão íntima, nada encontrei que substituísse no meu espírito os dogmas da igreja romana. Os jesuítas infundiram-me na alma convicções que conservo sem esforços. Blasco Ibañez, em um de seus romances, diz que o aluno dos padres jesuítas fica com o “vinco jesuíta”. Não sei se essa é a regra. Sei que, em mim, ficou. Não estou gabando de virtudes. Eu pecador me confesso. Dou apenas um testemunho de fé.
Há mais de 10 anos, dedico-me em leituras de livros de memórias. A lição das vidas dos outros adquire experiência e recolhe confissão importante para a nossa convivência humana.
A vida de Euclides da Cunha supera todos os sofrimentos dos grandes escritores que li, Rousseau, Scaron, Nietzche, Camilo Castelo Branco, Vicent Van Gogh (pintor), Humberto de Campos, todos eles eram acromegálico, alguns cegos e todos lacerados de dores.
Euclides da Cunha não tinha doenças, sofria mais que os doentes. Apaixonadíssimo pela esposa, ela não o amava. Autor de uma das maiores obras de literatura brasileira, Os Sertões. Um livro que me impressionou profundamente. A linguagem é difícil, clássica, e, simultaneamente, literária, sociológica e científica. Divide em três partes: a primeira, estudo sobre a terra, a segunda, sobre o homem, a terceira sobre o combate.
Hoje eu quero escrever do sofrimento amoroso dele na tragédia de Piedade, como ficou historicamente conhecida, a fatalidade fez três vítimas. Euclides morreu em 15 de agosto de 1909, e seu filho, sete anos depois, em 1916. Pai e filho por homicídio. Primeiro, o escritor tentou matar o amante de sua mulher, o cadete Dilermando de Assis, de 20 anos, e que ainda adolescente, 17 anos de idade, bonito, se apaixonou pela mulher de Euclides, Anna Emilia, conhecida por Saninha, 30 anos, já mãe de três filhos, os dois se tornando apaixonados. O jovem Dilermando foi atingido por quatro balas de revólver, era campeão de tiro, revidou, matando em legítima defesa. Euclides da Cunha Filho tinha apelido de “Quindinho”, sete anos após tentou vingar a morte do pai, desfechando vários tiros em Dilermando, dentro do cartório de família, no Rio de Janeiro, o militar, atirador de elite, revidou no ato, sendo pela justiça também reconhecido como legítima defesa. Quem o defendeu foi o famoso advogado criminalista da época, Evaristo de Morais, pai do professor e catedrático de direito penal e membro da Academia Brasileira de Letras, Evaristo de Morais Filho, que defendeu o presidente Fernando Collor de Melo do Impecheament na Câmara dos Deputados.
Falei de três vitimas. A terceira foi o irmão de Dilermando, Dinorah de Assis, baleado por Euclides da Cunha no mesmo momento em que este atirou no irmão, Dinorah veio a ficar paraplégico. Atleta do Botafogo Futebol Regatas pelo qual foi campeão em 1910 sofreu dolorosamente quatro anos até que, com apenas 23 anos, o infortúnio o levou ao suicídio.
Logo que se viu absolvido, Dilermando de Assis casou-se com Saninha, que passou assinar Anna de Assis. Dezesete anos de vida conjugal, ela se separou de Dilermando e assumiu a criação dos cincos filhos que teve com ele. Saninha era bonita, tocava piano e falava italiano, francês, inglês e grego. Morreu em 1951, aos 76 anos. Dizia sempre que o único amor da vida dela foi Dilermando.
A vítima de uma trágica vida foi o próprio Dilermando. A começar pelo envolvimento em que se apaixonou por Saninha. Na época era um menor púbere quando isto aconteceu.
Apaixonou-se por uma mulher de 30 anos, mãe de três filhos, foi levado a dois homicídios por força de circunstâncias alheias superior à sua vontade.
Sofreu a execração pública durante toda a vida. Dilermando era um homem cordial, responsável e estudioso, cumpridor dos seus deveres. O famoso advogado Evaristo de Moraes, que foi seu defensor, dá eloquente testemunho em seu livro de memórias. Também o jornalista e compositor Orestes Barbosa, que foi um de seus maiores amigos, deixou páginas indeléveis em seu livro sobre a bondade e caráter de Dilermando. Afrânio Coutinho, membro da Academia Brasileira de Letras, o maior de nossos críticos literários, registra em suas memórias que Os Sertões, está para a literatura brasileira como Íliada de Homero está para a literatura da Grécia; Dom Quixote para a Espanha, os Lusíadas de Camões para Portugal. Divina Comédia de Dante para a Itália e Fausto de Goethe para a Alemanha.
É desnecessário dizer que a fatalidade foi injusta com todos, principalmente para um dos maiores escritores do Brasil.
* Formado em Filosofia e funcionário Público aposentado
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