Eu quero é desaprender, por Juliano Fabricio
qui, 20 de fevereiro de 2014 15:13
Juliano Fabrício
www.julianofabricio.com
Passamos a vida inteira ouvindo os sábios conselhos dos outros. (e olha que tem gente que tem conselho pra tudo…) Tens que aprender a ser mais flexível, tens que aprender a ser menos dramático, tens que aprender a ser mais discreto, tens que aprender… praticamente tudo.
Mesmo as coisas que a gente já sabe fazer, é preciso aprender a fazê-las melhor, mais rápido, mais vezes. Vida é constante aprendizado. A gente lê, a gente conversa, a gente se puxa pra tirar nota dez no quesito “sabe-tudo”. (ps: tenho uma certa preguiça de gente que sabe de tudo…)
Pois é… E o que a gente faz com aquilo que a gente pensava que sabia? E se aquilo não faz mais sentido? E Se tal aprendizado nos torna pesados demais? E Se essa bagagem já não serve pra nada? E se já tivermos arquivos demais no nosso HD cerebral? E se os valor que defendíamos, nem nós acreditamos mais? E Se esse aprendizado não nos torna mais amáveis, palpáveis, etc?
Estou chegando à conclusão que para aprender coisas novas, é preciso antes deletar arquivos antigos. E isso não se faz com o simples apertar de uma tecla. Antes de aprender, é preciso dominar a arte de desaprender.
Desaprender a ser tão exigente consigo mesmo, para poder se divertir com os próprios erros.
Desaprender a ser tão coerente, pois a vida é incoerente por natureza e a gente precisa saber lidar com o inusitado.
Desaprender a esperar que os outros leiam nosso pensamento: em vez de acreditar em telepatia, é melhor acreditar no poder da nossa voz.
Desaprender a autocomiseração: enquanto perdemos tempo tendo pena da gente mesmo, os demais seguiram em frente.
Desaprender a valorizar um modelo de progresso que necessariamente não traz felicidade coletiva e uma economia cuja especulação supera a produção.
Desaprender a olhar o mundo a partir do próprio umbigo, como se o diferente merecesse ser encarado com suspeita e preconceito.
Desaprender a promover guerras e a considerar a pobreza mero resultado da incapacidade individual.
Desaprender a valorizar o supérfluo como necessário e a ostentação como sinal de êxito.
Desaprender sem medo sobre os equívocos praticados no decorrer da vida cristã e ter coragem para corrigi-los.
A solução é voltar ao marco zero. Desaprender para aprender. Deletar para escrever em cima.
Acho que era isso o que Jesus quis ensinar quando disse que era preciso nascer de novo.
O desaprendizado é uma arte para quem se propõe a mudar de vida (nascer de novo). Nessa viagem, quanto menos bagagem e mais leveza, sobretudo de espírito, melhor e mais rápido se alcança o destino. Vida afora, carregamos demasiadas cobranças, mágoas, invejas e até ódios, como se toda essa tralha fizesse algum mal a outras pessoas que não a nós mesmos.
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