Encontro Regional de Conselheiros Tutelares tem participação de profissionais de Araguari
sáb, 20 de maio de 2017 05:16por Mel Soares
Nesta quarta-feira, 17, os conselheiros tutelares de Araguari, Maria Isabel Nonato, Vera Arruda e Marcos Costa da Silva participaram do Encontro Regional de Conselheiros Tutelares promovido em Uberaba. As atividades como debates destacaram o tema da Campanha contra a violência sexual contra crianças e adolescentes, bem como os trabalhos desenvolvidos nos órgãos de proteção.

Conselheiros tutelares de Araguari participaram do evento em Uberaba
Em torno de 50 pessoas estiveram presentes no encontro que contou com palestras na área de atenção psicossocial com o professor Aragão, doutor em sociologia da Universidade Federal de Uberaba.
Para a conselheira tutelar, a programação foi bastante válida, pois houve entrosamento das equipes e a discussão sobre o funcionamento das parcerias de cada município entre Conselho Tutelar e os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário e também Ministério Público.
“Pudemos expor as dificuldades de cada conselho em relação a estas parcerias que são essenciais para a prestação de serviço de qualidade”, destacou Maria Isabel.
Em Araguari, o principal problema enfrentado pelos conselheiros é o salário baixo, sobretudo em relação a carga horária extensa exercida pelos profissionais. “Araguari é uma das únicas cidades em que é exigido que os conselheiros tenham o terceiro grau. Além disso, a dedicação precisa ser exclusiva”, acrescentou.
A demanda exaustiva do órgão não tem permitido ações de prevenção, as quais deveriam ser realizadas em instituições de ensino por meio de palestras com foco no cuidado de menores em situação de risco.
“O conselho é um órgão de proteção e não repressão”, esclareceu.
Os principais casos registrados são referentes a conflito familiar, principalmente, envolvendo jovens que não respeitam as regras impostas pelos pais ou responsáveis.
A violência doméstica seguida de pais alcoólatras e mães negligentes compõem a lista de acompanhamentos feitos pela rede de proteção.
“Estamos assustados com o alto índice de pais que alegam não ter controle sobre a vida de filhos na faixa etária de 5 a 8 anos. Normalmente os pais destas crianças estão separados ou o pai é desconhecido e, por isso, moram com a avó. Casos como estes representam em torno de 70% dos registros”, informou.
Sobre a violência sexual, a conselheira afirma que a maioria das vítimas ou pessoas que tem conhecimento sobre o crime permanece em silêncio. O número de denúncias anônimas que podem ser feitas no Conselho ou em outros órgãos como polícia, escola, hospital e posto de saúde chega a 80%.
“As sequelas do abuso são terríveis. As famílias precisam se atentar a qualquer mudança no comportamento da criança. Infelizmente a maior parte dos casos acontece dentro de casa ou envolvem pessoas de confiança dos familiares”, alertou.
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