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DIREITO E JUSTIÇA – 29 DE JANEIRO

qui, 29 de janeiro de 2026 08:00

Mitômano; Ele Mente Que Nem Sente:

 

 

 

 

– Somos mentirosos e gostamos disso…

Mitomania:

– A mitomania, ou mentira patológica, é um transtorno psicológico caracterizado pela compulsão por mentir de forma crônica, frequente e sem necessidade evidente. Diferentemente de mentiras sociais, o mitômano cria histórias fantasiosas e elaboradas para aumentar sua autoestima, obter aceitação ou forjar uma realidade melhor, muitas vezes acreditando nas próprias mentiras.

Principais aspectos da mitomania:

– 1. Mentira compulsiva: a pessoa mente de forma incontrolável, sem um objetivo prático aparente ou vantagem clara. 2. Narrativas fantasiosas: Histórias mirabolantes, que até beiram ou caem no ridículo, frequentemente retratando-se o mitômano como herói ou vítima. 3. Causa e consequência: Pode derivar de baixa autoestima, insegurança ou de transtornos de personalidade (narcisismo, bipolaridade, etc.) e humor. Gera grandes prejuízos nos relacionamentos interpessoais, profissionais e familiares.

Tratamento:

– O tratamento envolve psicoterapia (cognitivo-comportamental) e acompanhamento psiquiátrico para lidar com a compulsão e transtornos associados. A mitomania é considerada um “adoecimento” psíquico, onde o indivíduo constrói uma falsa identidade, para encarar a sua realidade. A internação raramente é necessária, sendo a terapia o pilar principal do tratamento.

Agora digo eu:

–  Conheci um ou dois portadores reais e verdadeiros de mitomania. Mentiam tanto, mas tanto, que nem sentiam. A mentira fazia parte das suas vidas. Geralmente, eram mentiras tão exageradas, despropositadas, tolas e inverossímeis que, desde logo, caiam no ridículo e, por educação, eram escutadas, mas jamais acreditadas e levadas a sério.

– Todavia, o problema acontece quando o mitômano é, de fato, uma pessoa inteligente – mas muito inteligente mesmo –, soltando mentiras bem elaboradas e razoáveis, levando-nos a acreditar nelas até descobrirmos a verdade, se é que descobrimos. E aí é que mora o perigo: podemos cair em  golpes de todo tipo; financeiros, emocionais, sociais, profissionais. Já aconteceu comigo, mas arquei com o prejuízo e consegui dar a volta por cima. Muitas vezes, porém, o transtorno dito e tido como mitomania é, na verdade, uma pura e simples falta de vergonha e de caráter, Processo e cadeia poderiam resolver. Com certeza…!

 

O Menino Que Mentia:

Um pastorzinho costumava levar seu rebanho para fora da aldeia. Um dia, resolveu pregar uma peça nos vizinhos.

– Um lobo! Um lobo! Socorro! Ajudem-me! Ele vai comer minhas ovelhas!

Os jovens e adultos da vizinhança largaram imediatamente o trabalho e saíram correndo para o campo, a fim de socorrerem o menino. Chegando lá, nada de lobo. Encontraram-no às gargalhadas, rolando no chão e rindo descaradamente da mentira pregada em todos eles.

Ainda outra vez, e mais outra, e outra, ele fez a mesma brincadeira, e todos iam correndo ajudar; e ele, de novo, caçoou de todos com a maior desfaçatez.

Mas, eis que um dia um lobo feroz apareceu de verdade e começou a atacar as ovelhas. Morrendo de medo, o pastorzinho mentiroso saiu correndo e gritando:

– Um Lobo! Um lobo! Acudam!

Os vizinhos ouviram os gritos, mas agora acharam que era mais uma caçoada do menino. Ninguém o socorreu, ninguém largou o seu trabalho desta vez.

Muitas ovelhas foram perdidas, e o mentiroso sentiu periclitar sua própria vida.

           LIÇÃO EXTRAÍDA: Ninguém acredita, quando o mentiroso fala a verdade.

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A Mais Pura Verdade:

O político chega numa pequena vila do interior, e as pessoas se aproximam e falam para ele:

– Senhor, a gente tem aqui dois problemas grandes.

– Qual é o primeiro?

– Não temos médico.

O político pega o celular, caminha para lá e para cá falando alto, para que todos pudessem ouvir;  volta e diz solenemente:

– Pronto! Amanhã chegará um médico. Qual é o segundo problema?

– Aqui não pega celular.

LIÇÃO EXTRAÍDA: Pela mesma razão, devemos trocar habitualmente os políticos e as fraldas.

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Comentário Livre:

É claro, eu não posso garantir, mas acredito sinceramente que, se não todas, ao menos a grande maioria das estórias que já se contaram por aí e que se espalharam na boca das gentes, ou viraram lendas ou terminaram por se transformar em piadas, com muita chance  advêm de fatos verdadeiros, mesmo que desvirtuados ou aumentados.

Dizem que “a voz do povo é a voz de Deus”. Talvez aqui não seja, mas poderia ser, pois também se acredita que “o povo aumenta um ponto, mas não inventa”. Além disso, tenho que aderir a um sábio e antigo provérbio português, que se expressa nos seguintes termos: “a esperteza, quando é grande demais, acaba engolindo o esperto”. Há também um certo provérbio árabe bastante sugestivo: “acredite em Allah, mas amarre o seu camelo primeiro”. Completa-se por este: “o discurso combinado com a ação, faz a conduta perfeita”.

Agora, voltando para estas terras tupiniquins:

– “Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”.

– “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando”.

– “ “Muitas vezes, a palavra é prata, o silêncio é ouro”.

– “Mentiras têm pernas curtas”.

Todos esses adágios, no seu conjunto, falam por si mesmos. Acredite nas pessoas, mas sempre desconfiando e mantendo-se alerta. O mundo é cheio de tramas, de vilanias e de falsas amizades. Sem nos esquecermos dos mentirosos contumazes.

Para dizer em bom estilo, sem uma absoluta literalidade relembro algumas palavras do célebre escritor lusitano Eça de Queiroz, um severo crítico – para dizer o menos – de toda a classe política do seu país no Século XIX, que me parecem ser muito atuais e aplicáveis a um bom número dos nossos “políticos”:

– “Os políticos devem ser trocados de tempos em tempos pelas mesmas razões pelas quais se trocam as fraldas”.

Seja político ou não, se puder, jamais acredite no que um mentiroso diz. Pois, se acreditar, o prejuízo é certo. Detendo ele o poder, o estrago será muito maior. Prometem mundos e fundos, se eleitos, sabendo que não irão cumprir as promessas feitas, seja por serem inverossímeis, seja por serem inexequíveis ou simplesmente por que a intenção, desde o início, era a de enganar os tolos que nele acreditaram e votaram.

Se o mentiroso puder, ele vai mentir sempre para você e para todo mundo. É uma doença já diagnosticada e conhecida, que se chama mitomania. Sim, majoritariamente, a mentira pode ser considerada uma patologia e neste quadro clínico inserem-se as pessoas que contam mentiras compulsivamente, não podendo viver sem elas. Porém, existem, em muito maior número do que os mitômanos, aqueles que mentem por completa falta de vergonha ou de caráter. É preciso que saibamos distinguir, estes daqueles,  pois uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

 

Estamos em ano eleitoral. Em outubro, seremos convocados para o exercício do direito-dever de votar, para elegermos Presidente da República (e seu vice), Governadores dos Estados e do Distrito Federal (e seus Vices), Senadores e  Deputados  Federais, Deputados Estaduais ou Distritais (estes no DF), conforme os nossos respectivos domicílios eleitorais.  Mais uma vez, teremos campanhas em que todos prometem de tudo e para todos, abarrotando as nossas mentes com a propaganda televisiva, radiofônica e por todos os meios midiáticos, diretos e indiretos possíveis.

É preciso não desperdiçar mais uma oportunidade, para que possamos consertar certas coisas e trazer o nosso país de volta aos trilhos. Eu estarei então – praza a Deus – com 73 anos de idade e constitucionalmente desobrigado de ir votar. Entretanto, eu irei, se na ocasião estiver em boas condições de saúde, e o meu voto será dado pelo conhecimento que eu tiver do passado e do presente de cada candidato. Nunca por amizade ou atendendo pedido de alguém. O voto é muito importante, para ser dado de forma inconsequente.

Errar ou nos enganarmos é até admissível. Jogar o voto fora é imperdoável!

 

Araguari – MG 27 de janeiro de 2026.0

Rogério Fernal .`.

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