Direito e Justiça
qui, 2 de abril de 2015 08:00Curtas e grossas:
Para onde vai Araguari – DJ de 22.06.2000: (1)
Os rumos até agora percebidos da política municipal indicam que Araguari não vai a lugar algum, que irá ficar onde está, malgrado não mereça esse imobilismo político, intelectual, social e econômico. Mudar nomes antigos e tradicionais de logradouros públicos, fazer e refazer praças, caiar e capinar, colocar quebra-molas e lixeiras, construir pistas de laço e de skate … “Tudo isso muito importante para alguns”, à falta de um programa de governo melhor; todavia, não tirará o Município dessa situação – em consolidação – DE CIDADE-DORMITÓRIO.
Política – DJ de 22.06.2000: (2)
Política é a ciência e a arte de bem governar. Não se pode confundir com politicagem, politiquice ou politicalha. Não se deve pretender o mando pelo mando, mas apenas como meio fazer e distribuir o bem comum, tendo-se sempre a consciência de que a coisa pública é inapropriável, devendo o agente público lembrar-se de que exerce um mandato, um munus a ele conferido, EVITANDO ETERNIZAR-SE NO PODER E LOCUPLETAR-SE À CUSTA DO ERÁRIO.
Araguari, a “cidade das casas velhas”
Araguari, sem dúvida alguma, é a “cidade das casas velhas”. Não estou falando de “velhas casas” ou mesmo de “casarões”, enfim, de construções lindas e que tenham, de fato, valor histórico-cultural. Olhem algumas de nossas ruas comerciais centrais: POR FORA, BELA VIOLA; POR DENTRO, PÃO BOLORENTO…
Português que não se deve esquecer
Dias atrás, ouvi alguém usar e reiterar publicamente a expressão “plenitude total”. Doeu! Posso (até) estar errado, mas ouso perguntar: EXISTE ALGUMA PLENITUDE QUE NÃO SEJA TOTAL…?
Também doem …:
“Bunginganga” ao invés de bugiganga; “mendingo” ao invés de mendigo; “mendincância” ao invés de mendicância; “amiguíssimo” ao invés de amicíssimo; “beneficiência” ao invés de beneficência; “dignatário” ao invés de dignitário; “perca” ao invés de perda; “questã” ao invés de questão; “menas” ao invés de menos.
O preço da fumaça
Há muitos séculos o camelo é chamado pelos árabes de “navio do deserto”, e com toda razão; todavia, isso é outra estória.
Em um ponto central de uma das inúmeras rotas comerciais terrestres existentes no Crescente Fértil, precisamente entre as Cidades de Basra, ao Sul, e de Bagdá, ao Norte (elas ficam no atual Iraque, país infeliz e devastado pelas guerras, mas isso também é outra estória), havia um caravançará, que é, segundo o Dicionário Aurélio, o “palácio das caravanas”, um grande abrigo no Oriente Médio, para hospedagem gratuita de caravanas e que, de ordinário, constava de quatro pavilhões em volta de um pátio, onde se encontravam caravaneiros vindos de diversos pontos.
Pois, bem! Já pelo início da noite, em um dos cantos do imenso pátio, sobre um fogo aceso, fumegava um grande caldeirão de sopa, cuja fumaça cheirosa e azulada encapava-se pelas frestas da enorme tampa.
O pobre Salim, cameleiro de uma daquelas tantas caravanas, tirou do seu bornal um pedaço de pão duro e seco, aproximou-se do caldeirão e pôs-se a passá-lo através dos halos da fumaça, como que a pretender melhorar ou suavizar-lhe o insosso sabor, impregnando-o com um pouco do cheiro daquela sopa.
Neste momento, foi que ele ouviu bradarem ao seu lado:
– Miserável! ladrão! Que Alá — bendito seja o Todo-Poderoso — te castigue, ó cão! Fartas a minha fumaça. Prendam-no.
Era Mustafá, um dos mais ricos chefes de caravanas de Basra, que assim vociferava. Salim foi cercado e rudemente seguro por dois ou três homens, sendo levado à presença de um velho Cádi (juiz entre os muçulmanos), que viera da capital Bagdá e que gozava de um imenso prestígio no país, possuindo, portanto, autoridade para falar e decidir em nome do próprio Califa.
Disse o Cádi para Salim:
– Reconheces que tiraste do teu bornal este pedaço de pão duro e seco e que o puseste na fumaça que saia do caldeirão de sopa pertencente a Mustafá?
– Sim, Excelência, reconheço –, respondeu Salim, alquebrando-se respeitoso e temeroso, um tanto cônscio de sua própria culpa.
– E você, ó Mustafá — prosseguiu o judicioso Cádi –, desejas ser pago na exata quantidade, qualidade e valor da tua fumaça que foi apropriada indevidamente por Salim?
– Certamente que sim, Excelência –, disse o cúpido e avaro caravaneiro, antevendo a sua vitória naquele caso –, pois que esse estouvado cameleiro apropriou-se do que legitimamente me pertence, ainda que a minha preciosa fumaça estivesse a esvair-se pelo ar.
O douto Juiz ordenou, então, a Salim, que tomasse numa de suas mãos o seu pequenino saco de moedas, que tinha atado à cintura, e que o sacudisse bem, de forma alta e forte, fazendo com que as parcas e ínfimas moedas de cobre, existentes no seu interior, tilintassem bem alto.
Salim fez exatamente o que lhe fora ordenado, e as suas poucas e desvaliosas moedas de cobre tilintaram fortemente, podendo todos os presentes àquele insólito julgamento ouví-las em alto e bom som.
Disse o Cádi:
– E tu, ó Mustafá, ouviste bem o tilintar sonoro das moedas de Salim?
– Sim, Excelência, eu ouvi muito bem.
– Tens certeza disso, ó Mustafá? Pensa muito bem no que vais me dizer, pois desta tua resposta irá depender a sorte deste teu caso com Salim.
– Por Alá, Excelência — bendito seja o nome do Altíssimo — ouvi muitíssimo bem o tilintar das moedas, pois não sou surdo.
Ante uma afirmativa tão peremptória, sentenciou o Cádi:
– Em nome de Alá — Ele é nosso Deus clemente e misericordioso, e Maomé é o seu maior Profeta — e por delegação do nosso glorioso Califa, a quem represento, e já que ouviste bem o tilintar das moedas de Salim, eu te digo, ó Mustafá, que tu estás inteiramente pago.
Pausou por um momento o Douto Cádi e prosseguiu:
E, por estares pago, decreto que nada mais poderás reclamar de Salim pelo uso que ele fez da tua “preciosa” e inaproveitada fumaça.
E, finalizou solenemente:
– Todas estas pessoas que nos rodeiam testemunharam comigo que tu disseste ter ouvido o tilintar das moedas, quando agitadas por Salim. E, aprende, ó Mustafá, para todo o resto da tua desprezível vida, que todo aquele que se arvora no direito de cobrar de seu semelhante pelo uso esfaimado do cheiro de uma fumaça, que se esvai de um caldeirão a cozinhar uma sopa, deve contentar-se em ver-se inteiramente pago pelo tilintar de moedas que sai de dentro de um saco. Repito, estás pago, ó Mustafá. Vai-te, pois, embora deste lugar, enquanto podes e sem demora.
FONTE: Adaptação pessoal que fiz das estórias do grande e maravilhoso escritor brasileiro MALBA TAHAN.
Rogério Fernal
Juiz de Direito aposentado. Ex-Professor Universítário de Direito, Advogado militante, Mestre Maçom, conferencista e articulista.
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