DIREITO E JUSTIÇA – 18 DE JUNHO
qui, 18 de junho de 2026 08:00
Ajuda-te e o Céu Te Ajudará:
À esquerda: Jesus confronta os pérfidos fariseus, que sempre o punham à prova.
À direita: Jesus no Templo, onde ensinou e também expulsou os profanadores.
“Moisés, diga ao povo que marche”:
– Existe no Velho Testamento uma passagem emblemática, descrevendo a ingratidão (ou medo) do povo hebreu, quando da sua saída do Egito, já às margens do Mar Vermelho e ante a aproximação das tropas do Faraó, que, arrependido, pretendia fazer com que retornassem à escravidão (Êxodo: 14; 15-31).
– Nesta passagem, sob várias formas de tradução, Deus questiona Moisés: – “Por que você está me pedindo ajuda? Diga ao povo que marche. Levante o bastão e o estenda sobre o mar. A água se dividirá e os israelitas poderão passar em terra seca, pelo meio do mar. Eu farei com que os egípcios fiquem ainda mais teimosos, e eles entrarão no mar atrás dos israelitas. E eu ficarei famoso, quando derrotar o rei do Egito, todo o seu exército, os seus carros de guerra e os seus cavaleiros” (… e versículos seguintes).
– Assim fez Moisés, e as águas do mar abriram-se, e todo o povo passou a seco; os egípcios, vindo atrás, por teimosia ou imprudência, afogaram-se todos, porque as águas fecharam-se sobre eles, obedecendo atitude imperiosa de Moisés, que agia por orientação e ordem do Senhor Deus. A vida também é assim: resolução (intenção) atitude (ação), efeito (consequência). Para tanto, deu-nos o Altíssimo o livre arbítrio, que, embora esteja atrelado a outros, permite-nos muitas decisões que definirão o nosso futuro.
– Trata-se aqui da Lei do Trabalho e do Progresso (Mateus: Cap. VII, Vv 7 – 11 e O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XXV). Não adiante pedir a Deus para guiar o seus pés, se você não estiver disposto a movê-los. Faça a sua parte, e Deus “sempre” fará a parte Dele.
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O anjo, o santo e o pecador:
O pecador escutava a orientação de um santo, que vivia genuflexo, à porta de templo antigo, quando, junto aos dois, um anjo surgiu na forma de homem, travando-se breve conversação entre eles.
O anjo: – Amigos, Deus seja Louvado!
O santo: – Louvado seja Deus!
O pecador: – Louvado seja!
O anjo: – Vejo que permaneceis em oração e animo-me a solicitar-vos apoio fraternal. (Dirigindo-se ao santo)
O Santo: – Espero o Altíssimo em adoração, dia e noite.
O anjo: – Em nome dele, rogo o socorro de alguém para uma criança que agoniza num lupanar.
O santo: – Não posso abeirar-me de lugares impuros …
O pecador: – Sou um pobre penitente e posso ajudar-vos, senhor.
O anjo: – Igualmente, agora, desencarnou infortunado homicida, entre as paredes do cárcere … Quem me emprestará mãos amigas para dar-lhe sepulcro?
O santo: – Tenho horror aos criminosos …
O pecador: – Senhor, disponde de mim.
O anjo: – Infeliz mulher embriagou-se num bar próximo. Precisamos removê-la, antes que a morte prematura lhe arrebate o tesouro da existência.
O santo: – Altos princípios não me permitem respirar no clima das prostitutas …
O pecador: – Daí vossas ordens, senhor!
O anjo: – Não longe daqui, triste menina, abandonada pelo companheiro a quem se confiou, pretende afogar-se. É imperioso lhe estenda alguém braços fortes para que se recupere, salvando também o pequenino em vias de nascer.
O santo: – Não me compete buscar os delinquentes senão para corrigi-los.
O pecador: – Determinai, senhor, como devo fazer.
O anjo: – Um irmão nosso, viciado no fumo, planeja assaltar, na presente semana, o lar de viúva indefesa … Necessitamos do concurso de quem o dissuada de semelhante propósito, aconselhando-o com amor.
O santo: – Como descer ao nível de um ladrão?
O pecador: – Ensinai-me como devo falar com ele.
Sem vacilar, o anjo tomou o braço do pecador prestativo e ambos se afastaram, deixando o santo em meditação, chumbado ao solo.
Enovelaram-se anos e anos na roca do tempo, que tudo alterara. O átrio mostrava-se diferente. O santuário perdera o aspecto primitivo, e a morte despojara o santo de seu corpo macerado por cilício e jejum, mas o crente imaculado aí se mantinha em Espírito, na postura de reverência.
Certo dia, sintonizando mais intensamente as antenas da prece, viu que alguém descia da Altura, a estender-lhe o coração em brando sorriso.
O santo reconheceu-o.
Era o pecador, nimbado de luz.
– Que fizeste para adquirir tanta glória? — perguntou-lhe, assombrado.
O ressurgido, afagando-lhe a cabeça, respondeu, simplesmente:
– Caminhei
FONTE: Contos Desta e Doutra Vida.
Chico Xavier ( pelo Espírito Irmão X).
FEB – Federação Espírita Brasileira – Págs. 101/103.
Comentário pessoal:
Eu quero crer que para Deus não importam as crenças e que são irrelevantes as religiões, se não as completamos com as nossas boas intenções e que estas intenções materializem-se necessariamente em atitudes; ações úteis de perdão, de amor, de caridade e de solidariedade ao próximo. Em suma, é preciso que a nossa encarnação pela vida terrena, que é breve e passageira, como se fora uma hospedaria ou uma estação de trem ao longo de uma viagem, seja produtiva e profícua, beneficiando outras pessoas tanto quanto nos seja possível fazer.
A ninguém aproveita a postura contemplativa e ociosa do santo aqui retratado, que medita e que se ajoelha à porta do templo, mas imóvel e indiferente ao que ocorre à sua volta, rejeitando todos os pedidos de ajuda que lhe foram dirigidos, desculpando-se com motivos egoístas e inconvincentes perante Deus.
Tal comportamento negativo e negligente, que denota arrogância, certamente não agradará a Deus, que dará preferência a uma presença útil, objetiva e prestativa, que saiba aproveitar os dons Dele recebidos ou que, pelo menos, ensaie fazê-lo, envidando os seus melhores esforços. O resultado será o que menos irá importar.
Mais valor teve e terá o pecador que se dispõe a ser útil e a socorrer um semelhante necessitado do que qualquer pretensioso que se negue a dar auxílio, quando pode ou deve agir. Assim ensinou Jesus em diversas de suas parábolas, mas destacarei a chamada “Parábola dos Talentos” (Mateus: 25; 14 – 30), que me parece encaixar-se bem no assunto aqui abordado.
Jesus, na Parábola dos Talentos, nos diz que um Senhor (Deus) iria partir em viagem demorada e para terra distante. Então, chamou seus servos (a Humanidade) e distribuiu seus bens (dons), para que os guardassem. Ao primeiro, entregou 5 talentos; ao segundo, 2 talentos; ao terceiro, 1 talento. Retornando, chamou os servos e pediu-lhes contas. O servo que recebera 5 talentos, tendo negociado com eles, entregou 10; o servo que recebera 2, entregou 4; o que recebera 1, entregou 1. Este último fez ainda pior: disse ao Senhor que ficara atemorizado, e que os bens recebidos não eram fruto de trabalho do Senhor e que cavara um buraco na terra e enterrara o dinheiro. Os que produziram foram elogiados e agraciados; o que nada produziu foi admoestado e severamente punido.
Assim como o servo que nada fez, o santo também nada fez. Ambos omitiram-se e não foram diligentes, mas perfeitos inúteis. Todo ser humano, por mais simples e humilde que seja, recebe de Deus, ou mais ou menos, dons, recursos, habilidades pessoais, tempo, saúde e oportunidades. Não somos donos, mas administradores do que nos foi confiado e temos o dever de envidar esforços e trabalho no sentido de conservá-los e fazer com que cresçam e prosperem, para que possamos apresenta-los ao Senhor, quando as contas nos forem pedidas ou exigidas.
Por consequência, o trabalho, quando diligente, constante e de boa-fé, sempre será recompensado. Já a negligência dolosa ou culposa, por vontade, ócio, comodismo ou medo de errar ou de assumir riscos na vida, representa aqueles que não desenvolvem as suas habilidades e desperdiçam as oportunidades postas por Deus ao seu dispor. Deus, frise-se, valoriza no final a fidelidade, o trabalho e a dedicação, e o tamanho ou a quantidade resultante não é — e jamais será – o mais importante, mas sim o empenho de cada um de nós em fazer render o que se tem e nos foi entregue. Trata-se, em verdade, da Lei Divina do Trabalho e do Progresso (Mateus: Cap. VII; Vv 7-11 e O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XXV).
Araguari – MG, 18 de junho de 2026.
Rogério Fernal .`.
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