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DIREITO E JUSTIÇA – 17 DE SETEMBRO

qui, 17 de setembro de 2026 08:00

  A Soberba Precede a Queda:   — PARTE I.

1  –  À esquerda (no alto): A fortaleza-prisão da Bastilha.

2  – À direita: O Rei Luís XVI, trajando suas vestes reais .

3 – À esquerda (em baixo): Exibição pública da “cabeça real”.

 

Para quem sabe ler, um pingo é letra:

– Eis aqui mais um dos tantos ditos populares plenamente sábios e emblemáticos. Sim, para quem sabe ler, um pingo é letra, ou deveria ser, se a  elite governante tivesse o cuidado, ou a perspicácia autodefensiva de estudar a História e de aprender com ela, pois que sempre se repete e nem sempre da melhor maneira para os que a desdenham ou desconhecem.

 

A soberba (ou a arrogância) precede a queda:

– Os sinais de uma convulsão social, ou de uma revolução, são sempre visíveis para aqueles que sabem ler nas entrelinhas. Assim foi na época da Revolução Francesa, desencadeada em 14.07.1789, quando o povo de Paris invadiu um arsenal, armou-se e tomou de assalto a odiada fortaleza-prisão da Bastilha, matando todos os que lhe resistiram. Daí por diante, as coisas sairiam de controle, advindo o Período do Terror, durante o qual o rei absoluto e de direito  divino,  Luís XVI, sua esposa, a rainha Maria Antonieta, e milhares de outras pessoas foram guilhotinados, incluindo até adeptos do movimento (Colunas DJ de 17.07.2025, 24.07.2025, 31.07.2025  e 14.08.2025). Sabe-se como começar o caos, mas não como e quando parar.

 

O Brasil de hoje vive dias estranhos e perigosos:

– O Brasil de hoje encontra-se dividido e polarizado política e ideologicamente, com forte desigualdade socioeconômica, desorganizado e sem segurança jurídica, sob uma pesada carga tributária e fiscal, perdendo seguidas oportunidades de alcançar patamares mais desenvolvidos e ricos e até sendo ultrapassado por outros países que, antes, superávamos nos principais índices de progresso. Passou da hora de corrigir tudo isso, sob pena de pagarmos um preço muito alto e decorrente das omissões e irresponsabilidades das nossas elites dirigentes.

 

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A  sopeira jogada no rosto do rei:

 

No antigo Marrocos, situado na região que os povos árabes denominaram de Maghreb (oeste da África), havia um rei bastante temido por sua prepotência e excessos. Certa feita, durante um lauto jantar, um dos seus mais modestos criados de mesa, açodadamente, ao servir-lhe a quente e saborosa sopa, deixou respingar sobre a rica gola das vestes reais uma única,  gordurosa e pequenina gota, marchando-lhe o tecido.

Isso foi mais do que suficiente, para deixar o soberano apopléctico, exasperado, enfurecido, fora de si, e ele, aos gritos, ordenou que a sua guarda pessoal prendesse imediatamente o desastrado criado e que, sem mais tardança, levasse o mísero ao patíbulo e o enforcasse sem maiores defesas ou formalidades.

Pasmo com essa atitude do monarca, como todos os demais ali reunidos, o serviçal quedou-se imóvel por apenas um instante, para, logo em seguida, recobrando-se do tremendo susto, tomar da luxuosa sopeira em ambas as mãos e, com toda a sua força, lançá-la contra o rosto do rei.

Alarme geral. O rei, ferido, magoado, vexado em seu orgulho, honra ou vaidade, não sabia mais o que fazer ou mesmo dizer. Agarrado violentamente pelos guardas e já sendo arrastado para o baraço da sua forca, ante o horrível delito praticado naquela sala, ouviu-se, por fim, a voz do ultrajado governante:

– Parem! – e virando-se para o supliciando, indagou-lhe –;    homem, por que me fizeste isto?

O empregado, sucumbido ante o seu destino, respondeu-lhe:

– Majestade, quando, por meu descuido, deixei cair uma gota de sopa sobre vossas vestes, ordenastes incontinenti a minha morte. Todos os que aqui se encontram mostraram-se atônitos com a vossa arbitrariedade e, certamente, haveriam de dizer lá fora, longe da vossa presença, que Vossa Majestade foi cruel e inclemente, mandando enforcar um pobre criado por uma insignificante gota de sopa.

E, prosseguiu com firmeza:

– Agora, não! Pratiquei um crime horrível, de lesa-majestade, feri e humilhei publicamente a meu rei e senhor. Agora, sim! Deverei mesmo morrer na forca pelo ato insuportável que pratiquei, e todos haverão de dizer que o meu soberano atuou com inteira justiça e razão, quando puniu de pronto aquele vil traidor, que vos agrediu de uma forma tão humilhante e covarde  Morrerei em paz, suplicando misericórdia a Alá, bendito seja o seu santo e glorioso nome, sabendo que ninguém mais poderá acusar Vossa Majestade.

Fez-se naquela sala um profundo silêncio.

Depois de bem ter refletido, tornou o rei:

– Tu tens inteira razão. Errado estava eu, quando de uma forma truculenta, sem motivo suficiente e sem uma justa medida, condenara-te. Estás isento de culpa, revogo o meu decreto insano e continuarás a meu serviço.

Dizem naquele país das mil e uma noites que, daí por diante, séculos a fora, toda vez que alguma autoridade exorbitava do seu poder e da sua condição, maltratando um súdito, um ser inferior, desvalido ou desassistido de recursos ou da sorte, sempre haveria alguém pronto para dizer-lhe:

– Ele está a precisar que lhe joguem uma sopeira na cara.

 

 

 

FONTE:         Estória contida provavelmente em um dos livros de Malba Tahan, onde o autor narra muitas e famosas lendas árabes e orientais.

 

Como não localizei a sua fonte primária, faço aqui uma adaptação de memória e sob o meu estilo.

 

 

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Comentário Pessoal:

 

Arrogância e soberba sempre caminharam juntas, são palavras irmãs, sendo consideradas sinônimas na maior parte dos contextos, pois ambas descrevem uma atitude de superioridade exagerada em relação aos outros, mas com nuances ligeiramente diferentes.

 

A soberba é um estado de espírito mais profundo e íntimo em relação aos outros;

a arrogância, por sua vez, é a forma como essa suposta superioridade se manifesta no comportamento externo, quotidiano e visível aos demais.

 

No final das contas, uma e outra, soberba e arrogância, complementam-se, terminando por tornar a pessoa soberba e arrogante intolerável, odiosa e temida, mantendo-se incólume tão somente por conta do seu poder passageiro e do sistema de segurança e cumplicidade que a cercam.

 

Todavia, diz também o povo que “não há mal que sempre dure”. De fato, haverá de chegar, mais cedo ou mais tarde, o dia da queda inexorável, quase sempre violenta e cruel para os ditadores e abusadores, quando o povo poderá querer lavar em sangue os males de que padeceu ao longo de anos de injustiças e arbitrariedades .

 

Vocês querem exemplos? Há muitos ao longo da História, e eu cito alguns:

 

– Nero, imperador romano, cometeu suicídio em 09 de junho de 68  d;C., após ser declarado inimigo público pelo Senado romano por (supostamente) ser o autor do grande incêndio da Cidade de Roma.

 

– Adolf Hitler, derrotado fragorosamente e temendo pelas punições que lhe adviriam, cometeu suicídio em 30 de abril de 1.945, no final da Segunda Guerra mundial, no seu bunker subterrâneo em Berlim.

 

– Benito Mussolini foi fuzilado por partisans (resistentes antifascistas) no dia 28 de abril de 1.945, no norte da Itália, e seu corpo nu  e vilipendiado foi pendurado de cabeça para baixo, amarrado a uma viga de metal do teto de um posto de gasolina na Praça Piazzale Loreto, em Milão.

 

 

 

 

Nicolae Ceausescu, ditador e líder absoluto da Romênia comunista foi executado por um pelotão de fuzilamento no dia 25 de dezembro de 1.989, levando junto sua esposa e vice-primeira-ministra Elena Ceausescu.

 

– Muammar Kadhafi, ditador da Líbia, morreu no dia 20 de novembro de 2.011, após ser capturado por forças rebeldes, quando se achava escondido em um tubo de drenagem de esgoto, sofrendo agressões físicas e humilhações públicas antes de ser morto.

 

– Saddam Hussein, ditador do Iraque, morreu enforcado no dia 30 de dezembro de 2.006, após ser encontrado escondido em um buraco: foi humilhado e insultado antes do enforcamento, em cenas degradantes que percorreram e chocaram o mundo.

 

E assim caminha a Humanidade. A História repete-se inúmeras vezes, mantém os seus padrões século após século, ensina-nos como mestra, e as pessoas que nos governam ou guiam jamais aprendem. Será que aquele rei marroquino, depois do incidente relatado, aprendeu a cultivar a moderação, e não o excesso; a proporcionalidade, e não a arbitrariedade; a razoabilidade e não a insensatez? Será? Eu tenho minhas dúvidas, muitas dúvidas…!

 

Eis aqui uma afirmação ainda muito atual do grande escritor português Eça de Queiroz (ou a ele atribuída), constatando os vícios e corrupções existentes entre os políticos da sua terra, ainda no Século XIX:

 

– “Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo” (Coluna DJ “Políticos São Como Fraldas”, de 11.07.2024).

 

Essas “elites burras” não respeitam a população. Debocham dela. Vejam:

 

– “Perdeu, mané. Não amola!” (resposta de um certo ex-Ministro do STF em Nova York,  respondendo ao patriota brasileiro que o incomodava e questionava).

 

– “Política não se ganha, se toma” (mais uma pérola do mesmo ex-Ministro do STF, que retornou ao seu merecido ostracismo).

 

– “O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente” (dito popular)..

 

Mas, é bom que se lembrem:

 

– “A soberba precede a queda” é um provérbio bíblico, que eu entendo ser procedente e muitíssimo atual. É extraído do Livro de Provérbios 16:18, que diz: “a soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda” (Coluna DJ de 27.08.2026, ‘Deus Abomina a Soberba Humana”).

 

 

Araguari – MG, 17 de setembro de 2026.

 

Rogério Fernal .`.

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