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Corrupção, camisa amarela e tênis

qui, 19 de março de 2015 00:10

* Fernando Rizzolo

Naquele domingo, 15 de março, estava decidido a me indignar nas ruas. Logo na noite de sábado separei meu tênis e uma antiga camiseta amarela que pouco tinha a ver com a bandeira brasileira – esta muito machucada por tudo que se soube dos vários aspectos do nosso Brasil: corrupção na Petrobrás (ainda com a imagem do presidente Lula de macacão manchado de óleo), das promessas da presidente Dilma sobre o pré-sal, enfim – o meu tênis e a minha camisa estavam bem ali, prontos para serem usados. Era como se, ao vesti-los, pudesse externar minha indignação. Diante do silêncio do governo e principalmente da presidente Dilma, compensaria minha revolta.

Por alguns minutos relutei, isso no domingo, em ir às ruas e decidi por fim ficar em casa, embora a televisão tenha permanecido ligada. Numa cadeira do quarto observava meu tênis e a minha camiseta inertes, como que dizendo que de nada adiantaria me juntar à multidão. Entretanto, mesmo que pela tevê, valeria a pena acompanhar a disposição de milhões de brasileiros, como eu, indignados.

A grande pergunta que realmente intriga é porque a presidente Dilma não se desculpou em público sobre o evento de maior corrupção que assustou o mundo, o da Petrobrás, apesar de no dia seguinte abordar o tema da “humildade”. Outra atitude lamentável do governo é sua posição, de certa forma, refratária ao ajuste fiscal. Prova dessa condição é a ameaça do ministro Joaquim Levy de abandonar o barco. Ainda há que se considerar certas políticas que são eleitoreiras como a “farra do Fies”, por exemplo. Criado em 1999 com a finalidade de emprestar dinheiro para alunos cursarem faculdades particulares, o Fies teve uma explosão de contratos após mudanças promovidas em 2010 para elevar o número de matrículas. Os juros caíram de 6,5% para 3,4% ao ano, abaixo da inflação.

Além disso, o financiamento pôde ser obtido a qualquer momento, a exigência de fiador foi relaxada e o prazo de quitação, alongado. Na verdade, de lá para cá, o total gasto por ano pelo governo federal com crédito estudantil disparou. O aumento, de 2010 até o ano passado, foi de 13 vezes, passando de R$ 1,1 bilhão naquele ano para R$ 13,7 bilhões em 2014. O resultado de tais medidas foi o crescimento nas transferências para grupos educacionais em mais de R$ 2 bilhões. Várias instituições de ensino receberam o dobro do que a Embraer, fabricante de aviões militares, e a Odebrecht, responsável por dezenas de obras pelo Brasil.

Vivemos num país corroído pela falta de valores, temos políticos corruptos, instituições enfraquecidas e, o pior, o povo brasileiro pouco pode fazer a não ser protestar nas ruas. Eu, enfim, acabei não indo, talvez porque no fundo meu tênis e a minha camiseta me soavam dizendo “prefira o luto, ficando em casa e se indignando em frente a sua televisão”. Assim, passei meu 15 de março com roupa normal e de mal com esta democracia.

* Advogado, jornalista, mestre em Direitos Fundamentais, membro efeivo da Comissão de Direitos Humanos OABSP
rizzolot@gmail.com
www.blogdorizzolo,com.br

1 Comentário

  1. ANTONIO disse:

    Quanto a questão do FIES, vejo da seguinte forma; quem vai paga r a conta somos nós. Sempre priorizei os estudos dos meus filhos em escola particular, como um investimento a longo prazo, uma vez que o objetivo foi obter um estudo de qualidade e quando for a hora de cursar uma faculdade ter condições de passar numa federal, ficando assim um incentivo economico pos-formado para continuidade ao trabalho pelo qual se qualifique. Bonito ver nessa ótica, pois o que vemos é o contrário aqueles pais que se sacrificam em desembolsar todo mes a mensalidade de seus filhos, sempre foi excluido como cidadão que contribui com a educação, tanto que criaram cotas para beneficiar ” estudantes de escolas publicas” ou seja o governo faz um péssimo ensino e pagamos a conta. E mais uma vez vamos financiar os estudos dos “borsa famia”, isso porque, pergunte quantos beneficiarios do “borça miséria” pensam em investir na educação da prole. Pra que se tem o trabalhador que vai arcar com tudo, enquanto ele todo mes recebe o beneficio.Com o Fies, foi da mesma forma, fez bonito, juros baixos, agora quem vai pagar esse aumento dos juros no financiamento, que alias ultrapassou os limites de contrato, sou eu e voce que não ganha ‘borsa famia”, que os filhos são “excluidos ” de disputar uma vaga pelo grau de conhecimento. Enfim, estamos pagando a conta até pela condição do outro ter nascido negro, e muitos fecham os olhos pra isso. Gente, quem quer vai a luta, sou trabalhador, não sou rico e nunca serei devido a profissão que escolhi, mas sempre tive condiçóes de sustentar meus 2 filhos. Minha esposa estuda(CURSO PUBLICO EAD) , apoia, quer melhorar seus conhecimentos, a gente não busca curso superior apenas para ganhar dinheiro, é para ficar mais atento ao que o governo quer que a gente engula, enquanto muitos pra não perder esse “beneficio”, procriam sem planejamento nenhum, e mais individuo no mundo “sobrevivendo” de uma “herança que vai passando de geração em geração; a pobreza de ideias. Vamos pagar por VARIOS outros projeto criados pelo governo que é um embuti. Gente desde quando se cresce, com beneficio, pelo contrario estagna.Hoje se fala em oportunidades, mas começou a aparecer o que realmente vem por ai.

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