Copa do Mundo invade a Avenida do Samba
qui, 27 de fevereiro de 2014 16:59Em busca de mais um título, Bloco Aparu,
aposta nas duas grandes paixões do brasileiro
DA REDAÇÃO – Samba e futebol. Essa é a proposta do Bloco Aparu para o Carnaval 2014. O grupo formado pela Associação dos Paraplégicos de Uberlândia (Aparu) e composto por foliões com e sem deficiência, já fez história no carnaval de rua e, para esse ano, promete emocionar jurados e público.
A trajetória do Bloco teve início em 2003. Neste ano, os carnavalescos escolheram falar em seu samba enredo sobre uma paixão nacional, o futebol, afinal, segundo os integrantes do bloco, a Copa vai ser em casa. O enredo já diz tudo: “Brasil, País das Copas rumo ao hexa”.
O Aparu será o segundo a entrar na Passarela do Samba no domingo, dia 02 de março. Cerca de 100 integrantes estarão divididos nas seguintes alas: comissão de frente, porta estandarte, animação, bateria e vai quem quer. As alegorias são bem diversificadas, com predominância das cores verde e amarelo.
Na avenida, será contada um pouco da história vitoriosa do Brasil no Mundial. O país é o único a participar de todas as competições e luta pela conquista do sexto título. Serão também retratadas as terras por onde a seleção brasileira passou como Chile, México, Suécia e Estados Unidos. Os componentes do bloco estão animados e querem esbanjar alegria e bom humor na passarela.
O bloco terá três destaques que fazem parte da história da inclusão social da Aparu. Clayton Barbosa Martins, 46 anos, Clodoaldo Massardi, 43 anos, e Walliton Fernandes Silva, 32 anos. Os três cadeirantes participam desde 2003 da folia. Cada um tem uma história de vida diferente, mas todos são unânimes em dizer que a pessoa com deficiência não pode e nem deve ser segregada. “Participamos de tudo, lutamos por essa inclusão no todo. A cultura, a alegria do carnaval nos contagia e o nosso samba só muda de lugar, ao invés de ser no pé, é nos braços, no coração, na vida”, afirmou Walliton.
Márcio Tonni, 30 anos, é outro membro que se mostra ansioso para cair no samba e defender o estandarte da Aparu. Ele é deficiente de membro superior, mas disse que a Avenida vai ser pequena para tanto talento. Márcio é passista e já está com coreografia, letra do enredo e coração preparadíssimos. “É com muito orgulho que iremos acompanhar cada detalhe do samba enredo e transformar o asfalto em uma passarela de sonhos e magia. Dançar para mim é viver e se estamos vivos devemos festejar”, contou.
O bloco da Inclusão Social já conquistou o título de campeão por três vezes. Na expectativa de mais um título, os puxadores do samba enredo, Bruno, Tilica, David e Vandinho prometem levantar as arquibancadas. “Nesta semana todo mundo vai dormir mais cedo, não tomar gelado e resguardar bem o “gogó” porque o Bloco da Inclusão Social da Aparu vai passar e com o grito da torcida: Brasil rumo ao Hexa”, enfatizou Tilica.
Voltando ao passado
Nos anos de 1991 e 1992 um grupo de associados da Aparu participou dos desfiles das agremiações em uma ala da Escola de Samba Última Hora. A idéia da criação de um bloco carnavalesco surgiu somente em 2003, durante um encontro entre os associados Domingos Henrique, João Batista e Walliton Fernandes. A intenção dos idealizadores era promover a inclusão das pessoas com deficiência e difundir os trabalhos da entidade na avenida do samba.
Animados com a iniciativa, outros associados apostaram no projeto e uniram esforços para transformar o sonho em realidade. De acordo com a presidente da associação, Maria Divina, o resultado foi positivo levando, portanto, à criação Bloco Inclusão Social da Aparu. “Conseguimos alcançar bons resultados. Entre eles, possibilitar a participação das pessoas com deficiência física na grande festa popular que é o carnaval”, disse.
Mesmo com tantas conquistas, a diretora da Aparu afirma que o preconceito e a discriminação contra a pessoa com deficiência ainda existe e, na maioria das vezes, devido à falta de informações. Assim, o bloco busca levar a mensagem de que, com recursos e condições adequadas, todos podem ser felizes e se divertirem, independente de possuírem ou não algum tipo de deficiência. “Toda deficiência se torna invisível perante a explosão contagiante da alegria”, concluiu.
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