Comunidade LGBT recebe atendimento médico gratuito no Centro Ambulatorial Dr. Romes Nader
sáb, 9 de junho de 2018 05:57por Tatiana Oliveira
Segundo informações, as consultas acontecem todas as quartas-feiras a partir das 19h e não é necessário encaminhamento
Todas as quartas-feiras no Centro Ambulatorial Dr. Romes Nader, membros da comunidade LGBT tem acesso a atendimento médico gratuito. Trata-se de uma das etapas do projeto AbertaMENTE. A iniciativa foi de três alunos do curso de Medicina do Instituto Master de Ensino Presidente Antônio Carlos – Imepac – que hoje estão no décimo período: Andréia Gonçalves dos Santos, Cleidiney Alves e Silva e Jéssica de Carvalho Antunes Barreira. O projeto está sob orientação e responsabilidade da professora Marislene Pulsena da Cunha Nunes.

Os atendimentos no ambulatório são a segunda fase do projeto AbertaMENTE
Os pacientes têm acesso a clínico geral, psicólogo, psiquiatra, infectologista entre outras especialidades. “Até o momento foram 30 pacientes acolhidos”, relata Daniela Cursino, enfermeira e coordenadora responsável pelo ambulatório. “O atendimento é feito por uma equipe multiprofissional. Nós, alunos, fazemos o atendimento na clínica médica, que é supervisionado pela doutora Marislene, e somos parceiros de uma equipe com diversas especialidades”, coloca o estudante Cleidiney Alves e Silva. “Teremos atendimento de endocrinologia com início em breve. Trabalhamos, inclusive, com terapias alternativas como a cromoterapia, aromaterapia e reflexoterapia”.
Ao contrário dos demais atendimentos no Ambulatório, não é necessário encaminhamento para ter direito à consulta, basta comparecer ao local em qualquer quarta-feira a partir das 19h até 21h30. “Primeiro eles passam por um atendimento inicial e, a partir dele, fazemos o levantamento das demandas de saúde e encaminhamos o paciente para a especialidade que ele necessite”, relata Andréia Gonçalves dos Santos. “O nosso único pré-requisito é ser LGBT, pois temos por objetivo atender a população LGBT de uma forma integral, sem especificidades ou direcionamento”, diz Cleidiney Alves e Silva.
Conforme explica Santos à Gazeta do Triângulo, todos os pacientes são encaminhados para uma consulta com psicólogo. “A partir disso o profissional avalia a necessidade de manter a terapia, caso haja a vontade do paciente e ele queira”, esclarece Andréia.
O projeto existe há um ano e contempla diversas etapas. “A primeira fase foi de reconhecimento do perfil da população LGBT de Araguari e suas características de saúde, econômicas, sociais etc. Conversamos com várias pessoas e fizemos um questionário onde levantamos importantes dados sobre os determinantes sociais, hábitos de vida e relação LGBT com os serviços de saúde da cidade”, coloca Silva. “Através dos nossos estudos, inclusive do questionário, percebemos que a população é muito afastada do sistema de saúde em geral. Então pensamos em uma maneira de trazê-los para o Ambulatório, atraí-los e depois promovermos esse elo com a atenção primária”, ressalta Jéssica de Carvalho Antunes Barreira.
O atendimento no ambulatório é a segunda etapa do projeto. “A terceira etapa é trabalhar junto com a atenção primária, onde estamos conversamos com os profissionais, pois temos algumas especificidades na população LGBT que precisam ser trabalhadas. Por exemplo, hipertensos, idosos e crianças tem uma necessidade própria de atendimento. A população LGBT também tem essas especificidades”, comenta Silva. “Resolvemos começar esses atendimentos para saber de onde partir. Hoje a atenção primária consegue atender 80% das necessidades de saúde. Essas pessoas estão marginalizadas e queremos incluí-las novamente à atenção primária. Por isso estamos fazendo o ‘matriciamento’, que é essa conversa com os profissionais da saúde”, completa Andréia.
Os alunos conseguiram chegar ao público LGBT através de representantes. “A Tatá Camburão, Bete Principal e o Elbson são peças essenciais para que consigamos esse projeto, gostaríamos muito de agradecê-los”, disseram à Gazeta do Triângulo.
O AbertaMENTE não tem prazo de término, mas Jéssica faz um alerta. “Esse projeto existe porque hoje há essa necessidade. Como temos a demanda, precisamos que o público venha para fazer as consultas, assim conseguiremos manter esses atendimentos”, ressalta.
Desde 1988, o acesso aos serviços de saúde está garantido e assegurado pelo texto constitucional, devendo ser entendido de forma ampliada e articulada de políticas sociais universais e não apenas como assistência médica sanitária. Nos últimos anos o Ministério da Saúde tem buscado implementar políticas públicas de saúde voltadas a garantir o direito e o aceso à saúde da população LGBT de forma humanizada e integral, com o intuito de promover ações de enfrentamento das iniquidades e desigualdades em saúde. “No Brasil não há ocorrências de cidades que implementem efetivamente essas políticas e queremos que elas sejam realmente aplicadas, por isso começamos por Araguari”, afirma Andréia.
De acordo com o texto do projeto e pesquisa dos alunos, “o movimento LGBT da cidade afirma que existem lacunas no serviço de saúde, com deficiências para atender especificidades da População LGBT”. “Para viabilização das estratégias é fundamental que gestores e profissionais de saúde partam da premissa de que a orientação sexual e identidade de gênero são importantes determinantes do processo saúde-doença, além de superar a estrita associação da saúde dessas populações à epidemia de HIV/AIDS”, completa.
Estudos realizados em Brasília com a população LGBT revelam que 43,33% dos usuários do serviço público de saúde sofreram alguma discriminação ao serem atendidos. O grupo que mais relata ser alvo de discriminação dentro dos serviços de saúde são as travestis, com 85%. Entre as especificidades da população LGBT estão “problemas de saúde mais complexos e suas demandas de saúde são numerosas […] Apresentam altos índices de depressão, crise de ansiedade e sensações de pânico e tendências ao suicídio” mostra o texto do projeto.
Nenhum comentário
Últimas Notícias
- Presidente da OAB-MG recebe título de Cidadão Honorário em São Gonçalo do Sapucaí seg, 30 de março de 2026
- MG deixou de arrecadar R$ 128 bilhões sáb, 28 de março de 2026
- Parceria entre UFU e Polo UAB fortalece educação superior em Araguari sáb, 28 de março de 2026
- Alex Peixoto apresenta série de requerimentos com foco em melhorias urbanas, saúde e esporte sáb, 28 de março de 2026
- Roda de conversa alerta estudantes sobre os riscos do uso de drogas sáb, 28 de março de 2026
- Sete times, quatro vagas — quem vai para as semifinais? sáb, 28 de março de 2026
- CANTINHO DO MÁRIO – 28 DE MARÇO sáb, 28 de março de 2026
- Cuidar do sorriso: Araguari realiza nova edição da Campanha Sorriso de Estrela sáb, 28 de março de 2026
- Excelência no ensino: prefeitura de Tupaciguara recebe reconhecimento nacional em Brasília sáb, 28 de março de 2026
- Araguari: arma de fogo e munições são localizadas após denúncia anônima levada à Polícia Militar sáb, 28 de março de 2026
> > Veja mais notícias...