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Coluna: Neuropsi (19/03)

sáb, 20 de março de 2021 00:58

1-O que é transtorno de adaptação ou de ajustamento?

É uma reação emocional ou do comportamento, diante de uma situação que provoca estresse ou uma modificação na vida ao qual a pessoa não se ajustou adequadamente, ou que de alguma forma constitui uma resposta não saudável (porque seus componentes emocionais e de conduta são intensos ou são incapazes de resolver estas situações).

 

2-Esse transtorno pode ocorrer na criança?

Claro. O transtorno de ajustamento pode ser considerado como uma dificuldade de adaptação a uma nova situação na vida da criança, considerada como um evento estressor que resulta no desenvolvimento de sintomas emocionais, somáticos ou comportamentais. Estes sintomas são indicativos de um sofrimento maior do que aquele que seria esperado (tendo como referência o que é mais comum na cultura) pela exposição ao estressor, levando a um comprometimento significativo no funcionamento social ou ocupacional.

 

3-Qual característica desse transtorno?

O quadro costuma-se começar logo no mês seguinte em relação à mudança ou do acontecimento estressante.

Os sintomas podem variar e a pessoa pode estar consciente ou não dos fatores estressantes que causam a perturbação.

 

4-Os sintomas são iguais em todas faixas etárias?

Não. Em crianças ocorrem Fenômenos Agressivos como ter enureses noturnas (urinar dormindo), usar uma linguagem infantil. Nos adolescentes são mais relacionados com o comportamento, como na expressão dos impulsos que normalmente eram reprimidos.

Já nos adultos são sintomas mais depressivos. LEMBRANDO que não se encaixam de forma completa no diagnóstico da doença depressão.

 

 5-O que pode causar esse transtorno?

Gravidez, trocar de escola, de cidade, de trabalho, velhice, perda de uma pessoa, síndrome do ninho vazio, filhos, netos, noras, genros, um evento estressante como por exemplo o divórcio, desemprego, hospitalização prolongada, doença crônica, mudança de residência, aposentadoria, nascimento de um filho, fim de um relacionamento, estado de refugiado, desastre natural, dentre outros.

Os estressores podem afetar um único indivíduo, toda uma família, um grupo maior ou uma comunidade. Alguns estressores podem acompanhar eventos evolutivos específicos, como é o caso do ingresso numa nova escola, ter que deixar a casa dos pais, casar-se, tornar-se pai ou mãe, fracassar em atingir objetivos profissionais, aposentar, etc.

 

6-O que posso fazer se achar que sofro de um transtorno de adaptação?

Em primeiro lugar, o melhor é ir a um psicólogo e/ou psiquiatra. Se houver um problema que está te sobrecarregando, você pode seguir estas recomendações:

Recorde se você experimentou uma situação semelhante antes e como você resolveu.

Fale sobre como se sente com sua família e amigos.

Organize suas ideias. Agora pode ser que tudo o preocupe, mas certamente algumas coisas preocupam mais do que outras. Escreva seus problemas atuais em um caderno e classifique-os de acordo com o grau de preocupação que eles causam, do menor ao maior. Você verá que algumas coisas não são tão importantes.

Selecione um único problema. Comece pelo que é mais fácil de resolver.

Pense em como executar a solução para o problema e comece a mudar.

Faça exercícios físicos, tome banhos relaxantes, tenha momentos de lazer.

 

7 -Como é feito o tratamento?

O tratamento deste transtorno deve ser multidisciplinar, com médicos, psicólogos, terapeutas e nutricionistas.

Outra dica muito importante, é praticar atividades físicas, melhorar a alimentação, e, além disso, fazer um tratamento medicamentoso dos sintomas decorrentes como, por exemplo, o estresse e a ansiedade.

 

8-Como é o prognóstico da doença na criança?

Por definição, os Transtornos de Ajustamento teriam necessariamente uma boa resolução, pois deve desaparecer uma vez cessado o estressor.

Entretanto, diante da persistência da sintomatologia após seis meses de cessado o estressor pode se supor que a criança já apresentava um outro quadro mais estruturado como descrito no diagnóstico diferencial, tendo o evento estressante agido unicamente como agravante ou que a inadequação do meio ambiente, isto é, pais, família, comunidade, escola, em lidar com a reação da criança tenham possibilitado que a sintomatologia desencadeada pelo evento estressante tenha se tornando crônico, podendo  configurar quadros mais sérios de outras doenças psiquiátricas.

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