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Coluna Neuropsi (02/07)

sex, 2 de julho de 2021 08:16

 

1-O que é memória?

Grosso modo, chamamos de memória a capacidade dos seres vivos têm de adquirir, armazenar e evocar informações. A memória é uma forma de registrar informações, como se fosse um arquivo e, como todo processo de arquivamento, exige atenção. Concluindo, a memória é a aquisição, conservação e evocação de informações. O aprendizado é a aquisição dos dados e as lembranças são a evocação do que foi armazenado; logo, o esquecimento é a falta de evocação.

“A memória recolhe os incontáveis fenômenos de nossa existência em um todo unitário; não fosse a força unificadora da memória, nossa consciência se estilhaçaria em tantos fragmentos quantos os segundos já vividos”.

 

2-Geralmente, quando ocorrem as falhas de memória?

Em geral, os problemas de memória começam a se apresentar depois dos 60 anos, na maioria das vezes é absolutamente benigna, mas frequentemente, por falta de melhor informação, angustia o idoso que tem dificuldade de aceitá-la como um fato normal.

Nas pessoas mais jovens, as falhas frequentes estão relacionadas a outros problemas, como distúrbios do sono ou déficit de atenção. Quem dorme mal, pode mostrar-se mais irritado e com menor capacidade de concentração durante o dia, o que vai incidir diretamente na memória.

Esquecer um número de telefone, o que almoçou na semana passada ou onde anotou um endereço importante é normal. Entretanto, colocar a culpa desses esquecimentos na memória nem sempre está correto. Muitas vezes o problema é a falta de atenção.

 

3-Como a falta de atenção atrapalha na memória?

A atenção é uma das funções mentais mais atingidas em casos de estresse, depressão, ansiedade e fadiga e, por consequência, os problemas começam a aparecer na memória. Quando lidamos com muitas informações, nosso cérebro prioriza algumas e descarta outras, assim detalhes como ‘onde está a chave do carro’ podem ser esquecidos e confundidos com problemas de memória.

 

4-Quando devemos procurar um especialista? E quem procurar?

Quando as falhas na memória tornam-se frequentes e passam a atrapalhar seriamente o cotidiano, é preciso buscar a ajuda de um especialista: neurologista e neuropsicólogo.   Não é possível prevenir os problemas de memória com medicação.

 

5-Qual a melhor maneira de se avaliar a memória?

A melhor maneira de se avaliar a memória é através da avaliação neuropsicológica, que é muito importante no diagnóstico dos problemas que podem levar a falhas de memória. Trata-se de um exame que investiga o funcionamento mental por meio de testes relativos às várias funções, como atenção e raciocínio lógico.

 

6-Qual a importância do priming?

Um fenômeno muito interessante relacionado às memórias e que merece ser mencionado é o priming (também conhecido como pré-ativação). O priming é, na realidade, um tipo de memória induzido por pistas ou dicas. Às vezes estamos tentando lembrar uma música ou de um poema, e não conseguimos. Porém, se alguém cantarolar para nós as primeiras oitavas da música ou recitar para nós o início dos primeiros versos do poema, quase instantaneamente nos lembramos de todo o restante, como se fora uma reação em cascata. De fato, parece que, muitas vezes, só nos lembramos de onde está um prédio quando dobramos a esquina anterior à sua localização. Da mesma maneira, um animal só consegue lembrar-se da saída do labirinto na medida em que vai percorrendo o mesmo – cada etapa serve de pista para a etapa seguinte.

Parece que o priming é mais importante do que imaginamos, pois ele faz com que tenhamos a tendência de evocar informações sobre as quais já recebemos alguma pista em algum momento de nossa vida. Ocorre que tais pistas nos chegam, muitas vezes, tão rapidamente que nem tomamos consciência delas, mas elas serão decisivas para nossas decisões futuras. Um exemplo claro disso são as propagandas subliminares, nas quais o cérebro é bombardeado com pistas (e.g. uma determinada marca de refrigerante). Da próxima vez que formos comprar um refrigerante, nossa “escolha” acabará recaindo sobre a marca que nos foi apresentada no passado.

 

7-E como funciona o tratamento?

O tratamento é feito por meio da reabilitação neuropsicológica, que treina as funções afetadas e visa criar novas estratégias para compensar as funções prejudicadas. Utilizam-se estratégias compensatórias bastante eficazes, como o treinamento para uso de agenda.  A família também recebe orientação para aprender a conviver com as novas limitações do paciente.

 

8- O Esquecimento é bom ou ruim?

Normalmente, associa-se o esquecimento a uma falha mental ou ate uma patologia, mas sem o esquecimento seria impossível continuar a memorizar a informação. Portanto, neste caso, o esquecimento serve como que um filtro daquilo que ainda nos é importante, a este processo designa-se por função seletiva e adaptativa. A própria memória também tem um caráter adaptativo, pois ela não memoriza tudo a que estamos expostos no dia a dia (a informação é transformada). Habitualmente falamos de esquecimento ligado apenas à memória de longo prazo, a memória em curto prazo apaga-se para dar lugar a novas informações, ou então passa à memória de longo prazo.

Mas o esquecimento pode ser também mau quando é um esquecimento regressivo, ou seja, quando surgem dificuldades em reter novos materiais e em recordar conhecimento, nomes ou fatos aprendidos recentemente. Este tipo de esquecimento pode ser devido à degenerescência dos tecidos cerebrais, e ataca, sobretudo, pessoas de certa idade. E existem três tipos de esquecimento: por interferência de aprendizagem (como que uma reciclagem de informação), regressivo, e motivado, utilizado quando se quer esquecer algo negativo na nossa vida.

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