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Coluna: Neuropsi (02/06)

qua, 2 de junho de 2021 08:16

1-O que é o Transtorno Bipolar?

Ele é considerado por especialistas da área da saúde como um distúrbio psiquiátrico complexo, no qual a alternância de humor costuma ser a característica mais marcante. A pessoa pode apresentar momentos de depressão e irritabilidade ou de grande euforia.

No entanto, dentro desses dois polos, existem outros sinais perceptíveis no dia a dia dos indivíduos, pois esses traços são marcantes.

 

2-Afinal, o transtorno bipolar também pode se manifestar em crianças?

Claro, leva a imensos prejuízos no relacionamento social e na evolução afetiva na infância, e apresenta traços que precisam de atenção dos adultos que estão por perto.

No entanto, seus sintomas já podem ser identificados antes dos 5 anos de idade. Portanto, quanto mais cedo o transtorno for identificado, melhor será o desenvolvimento na adolescência.

 

3-Qual é a frequência da bipolaridade na população infantil

O transtorno bipolar atinge 0,8% a 1% das crianças, e já pode ser identificado desde cedo, ao contrário do que muitos acreditam. Esse transtorno muitas vezes pode ser confundido com o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), um mal que hoje atinge de 6% a 10% da população infanto-juvenil. De 5% a 15% das crianças com um tipo de transtorno tendem a apresentar o outro associado, mas mesmo assim existe uma importante diferença entre os dois.

 

4-Quais são os sinais da bipolaridade infantil?

  • Momentos de humor e excitação bastante elevados: felicidade ou irritação excessiva;
  • Comportamentos que podem colocar a criança em situações perigosas: pular de lugares altos, por exemplo.
  • O pequeno tenta mostrar superioridade em suas ações; assuntos de conversa com uma conotação de grandiosidade: só ele tem superpoderes, ninguém pode com ele, todos têm de fazer o que ele mandar, etc.
  • A criança não sente tanto sono;
  • A fala do pequeno é muito rápida; além disso, ele muda rapidamente de um assunto para outro sem encerrar o que havia começado;
  • é possível notar o envolvimento em vários projetos escolares e em outras atividades no geral, mostrando grande disposição;
  • Humor deprimido ou irritável em parte considerável do dia;
  • Grande diminuição do interesse ou prazer em todas ou em quase todas as atividades;
  • Perda ou ganho de peso de maneira significativa;
  • Fadiga ou perda de energia;
  • Agressões a terceiros ou a si mesmo. Em casos extremos, a criança pode tentar o suicídio;
  • recusa a ir à escola;
  • Dificuldade para organizar a informação;
  • Baixo controle dos impulsos;
  • A criança pode manifestar prejuízo na memória episódica;
  • Dificuldades em adquirir autonomia social;
  • O pequeno presenta altos e baixos de aproveitamento acadêmico, que decai de forma inesperada e demora a ser recuperado devido às oscilações do humor presentes em seu cotidiano.

 

5-Como identificar a bipolaridade em crianças?

Ao desconfiar que uma criança sofre de transtorno bipolar, o mais indicado é procurar ajuda profissional. Assim, o pequeno passará por uma avaliação mental completa para receber um diagnóstico, já que ainda não há um teste definitivo que identifique o transtorno bipolar.

Muitas vezes, outras condições mentais, como depressão e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), apresentam sintomas semelhantes. Por isso, é muito importante oferecer ao profissional o máximo de informações possível sobre o humor, padrões de sono, níveis de energia e histórico completo da criança, para que o médico consiga descartar as demais possibilidades.

 

6-Quais são os possíveis tratamentos para a bipolaridade infantil?

Estudos recentes já indicam que o transtorno bipolar pode ser gerenciado ao longo da vida de um paciente. O tratamento geralmente inclui medicação e terapia. Os remédios são indicados pelo médico com o objetivo de estabilizar o humor da criança ou do adolescente — eles podem, entretanto, causar alguns efeitos colaterais, por isso é importante monitorar a evolução do tratamento.

Já a terapia tem a intenção de ajudar a criança a lidar com os demais sintomas da doença e ajudar no relacionamento com pessoas próximas. O processo terapêutico infantil muitas vezes pode incluir outros membros da família.

Em alguns casos, a internação se faz necessária, mas isso só acontece quando a bipolaridade infantil coloca em risco a vida do paciente. Tentativas ou pensamentos suicidas, automutilação ou episódios psicóticos são alguns exemplos de motivos para internação de uma criança.

Todo o tratamento funciona melhor quando a criança, a família e a equipe de profissionais trabalham juntos como um time. Por isso, é importante estar comprometido com a melhora, não faltar consultas, tirar todas as dúvidas que surjam, se comunicar com os demais envolvidos no processo e se atualizar sobre as questões que envolvem a saúde mental.

É comum que crianças que apresentam alguns sintomas de bipolaridade infantil não sofram necessariamente com a doença. Por isso, se você conhece alguém que pode estar passando por isso, o melhor a se fazer é procurar ajuda profissional.

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