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Coluna: Furando a Bolha (30/10)

sáb, 30 de outubro de 2021 08:07

CPI DA COVID E O RELATÓRIO FINAL

por Leandro Alves de Melo

Depois de longos meses de investigações, finalmente concluíram a CPI que analisava o governo federal e as empresas com relação à pandemia. Muito foi falado e distorcido, mas o que realmente podemos extrair de conclusão? Na era da pós-verdade, em que visões distorcidas do mundo se apresentam como verdades absolutas, devemos separar o joio do trigo e teorizar o que fatalmente aconteceu.

Nesta coluna, frequentemente, trouxe esse tema para debate. Busquei baseado na melhor ciência explicitar algumas Fakes News sobre essa temática, como no texto em que escrevi defendendo o método científico, após inúmeras mentiras propagadas e, na prática, estavam causando tremendos danos à população.

Depois de mais de um ano que a FDA do Estados Unidos, a EMA da EU (instituições com a mais alta credibilidade em relação à medicamentos), é impressionante que no Brasil (país que a cada dia retrocede mais às trevas) ainda se discuta se o tratamento precoce é efetivo ou não. Obviamente, todos os fatos científicos apontam a completa ineficácia de tais medicamentos, v.g, cloroquina, ivermectina, azitromicina, entre outros, contudo, por uma insistência tola ainda existe o debate nesse país. Talvez essa discussão sirva para não discutirmos o preço da gasolina, a hiperinflação dos alimentos ou mesmo da falta de condução que o país atravessa em diferentes áreas.

Na visão governista, a CPI não passou de um circo midiático apenas para desgastar o governo, e todas as provas e depoimentos coletados não passam de ilações. Na visão dos que se dizem imparciais e opositores, a condução da pandemia deverá ser severamente investigada pelos órgãos competentes, pois há provas e materialidade de condutas que contribuíram para as mais de 600 mil mortes.

No relatório com mais de 1200 páginas, aprovado por sete a quatro, consta a sugestão de indiciamento de mais de 80 pessoas, o presidente sendo apontado por nove crimes e os seus filhos por alguns também.

Ao que atine ao Presidente algumas atitudes, em minha opinião, sem sombra de dúvidas podem ser consideradas ilícitas, e serem investigadas. É fato que o Governo atuou na compra de milhões de toneladas de cloroquina, em valores até seis vezes mais caro, se comparado ao vendido no mercado, ora, há mais de um ano já é sabido que esse medicamento é completamente ineficaz, e dependendo da pessoa pode até causar danos irreparáveis, por que insistir nisso por tanto tempo? Eu conheço uma pessoa de 40 anos que não morreu pela Covid-19, mas sim por problemas cardíacos ocasionados por este fármaco.

Várias vezes o Presidente desdenhou da vacina, inclusive proibindo, no mês de novembro passado, a compra da CoronaVac, vacina aprovada pela OMS, e que se mostrou altamente eficaz contra o vírus. Reiterou inúmeras Fake News afirmando que as máscaras fazem mal à saúde, de que quem toma duas doses de vacinas pode desenvolver AIDS, distorcendo uma pesquisa feita para vacina do HIV, ainda que tenha sido apenas como uma informação, quantos idiotas não acreditaram nisso, atrapalhando assim a vacinação da população, disse também que a covid era apenas uma gripezinha. Ora, não há dúvidas que tais argumentos não sejam mera liberdade de expressão. Muitas pessoas acreditam piamente em tais falácias e outras morreram acreditando nisso.

 

Cito como exemplo: um senhor do Estado de GO (não citarei o nome, pois não tenho autorização da família) acreditava que a vacina era para implantar um chip chinês e por isso não iria vacinar. Negou-a, e mesmo tendo comorbidades, disse confiar no que o Presidente da República falava. Infelizmente, ele pegou Covid, passou para duas irmãs, sua mulher e praticamente toda família. Ficou entubado mais de um mês e veio a óbito, inclusive parentes próximos. Lamentável que uma vida tenha se perdido em função de uma mentira.  Esta pessoa, por acreditar nessas mentiras, condenou à morte quem não tinha nada a ver com isso. Em textos anteriores expliquei sobre a diferença de liberdade de expressão e opinião com crime.

É fato também as inúmeras manifestações e passeatas que o presidente provocou, muitas sem máscaras e desrespeitando princípios basilares de não propagação do vírus. É válido ressaltar que muitos dos seus apoiadores em Manaus, duas semanas antes do desastre, fizeram uma passeata pedindo a abolição do uso de máscaras e o retorno total das atividades. Tragicamente, os fatos mais uma vez mostraram como essas pessoas estavam erradas. Manaus, que foi um polo de utilização do Kit covid, mostrou-se um extremo fracasso na condução, inclusive com o governador sendo indiciado também por suspeitas de corrupção e demais crimes pertinentes. Quando a crise estourou sobravam kits Covid, porém faltava o básico: oxigênio e, consequentemente, milhares de pessoas morreram sem ar. Uma grande tragédia que sem dúvidas entrará para a história do país e servirá como base de estudo para as próximas gerações.

Outro ponto nevrálgico, na minha visão, e muito bem demonstrado na CPI foi a operadora de plano de saúde: Prevent Senior. Para mim, um dos maiores absurdos que aconteceu. Eles tratavam pacientes como números, planilhas de cálculos, obrigavam os médicos a receitarem o tratamento precoce, ferindo assim a autonomia médica. Tinham máximas repugnantes como: “óbito também é alta”. Muitas pessoas morreram sem a chance de ter um tratamento digno. Precisa e deve ser investigado.

Depois de tudo isso, agora, caberá o Procurador Geral da República analisar todos os documentos e agir conforme a legislação. O resultado: só o tempo irá nos dizer. Afastando ideologias e fanatismos, o que ocorreu não tem precedente na história, será uma marca indelével e ficará para sempre em nosso país. Ademais, as consequências e repercussões dos eventos que ocorreram na pandemia persistirão por muitos anos.

5 Comentários

  1. Tânia M Alves disse:

    Excelente análise. A condução da pandemia pelo governo federall foi criminosa em todos os sentidos. O pseudo presidente usou de todos os meios para piorar a nossa situação, e conseguiu. Até gabinete paralelo criou, tudo para boicotar a ciência, visando negociatas feitas da forma mais corrupta possível.Transformou o país no pior exemplo, somos motivo de pena para outros países. É governo da morte mesmo. O lugar desses monstros é na cadeia, com punição rigorosa e exemplar.

  2. Luciano Duarte disse:

    O colunista equivocase.Todos sabem que a culpa é dos prefeitos e governadores. O presidente apenas atuou para não fechar os estabelecimentos. Quero ver se ele tivesse um comércio se defenderia o fechamento.

  3. Anônimo disse:

    O Presidente mandou dinheiro para todos os Estados, para que esses enviassem um tanto para cada cidade investir na covid. Antes de vir para cá, todos sabiam que a doença era perigosa e que matava, só que ninguém acreditava que chegaria aqui. A única coisa a ser feita, seria fechar os aeroportos internacionais e fechar as fronteiras com outros países vizinhos. A China deveria ter dado um jeito de não deixar a doença sair de lá, porque depois que instala em um país é muito difícil controlar pois nem todos tem condição financeira pra se isolar por completo, elas precisam do dinheiro para sobreviver senão morrem de fome. Faltaram leitos, hospitais, aparelhos, mão de obra e talvez a demora em atender no primeiro sintoma.

  4. Anônimo disse:

    A China é a maior culpada, foi uma palestrante chinesa em uma fábrica na Alemanha e levou a doença para lá de repente apareceu funcionário com a covid. É um pais meio fechado, meio difícil de entrar, mas eles vão em todos os lugares e fazem um grande comércio internacional, aqueles países bem próximos a eles como o Vietnam e outros parecem que às pessoas foram mais cuidadosas consigo mesmas e o número de mortes foi bem menor. País que o povo gosta de fazer aglomerações é difícil mesmo

  5. Joaquim Militão disse:

    Análise bem elabora. Nada a acrescentar. Se ainda hoje tem gente que não enxerga a tragédia que o Brasil vive com este desgoverno é porque também é cúmplice. Elegeu um incapaz para governar o país e ainda sustenta este desastre sanitário, econômico, político, social e moral. Este tipo de gente é desprezível, defensores do crime.

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