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Coluna: Furando a Bolha (22/01)

sáb, 22 de janeiro de 2022 09:44

por Leandro Alves de Melo

O negacionismo daqueles que não querem olhar para cima

 

 

Apesar de ter um elenco estelar, O filme Don´t look up (Não olhe para cima), veiculado na Netflix, não conseguiu extrair o que tem de melhor dele, por exemplo Meryl Streep, que fez um papel aquém da sua genialidade, traz reflexões atuais e iminentes sobre os tempos atuais. Uma delas é a luta da ciência para que a população compreenda o básico sobre questões fundamentais, e também uma crítica à academia por não conseguir falar em uma linguagem assertiva e seja compreensível pela média. No filme escrito e dirigido pelo diretor Adam Mckay, cientistas descobrem que um asteroide está vindo em direção à Terra e poderá causar o fim do planeta.

Não me alongarei sobre a película, mas é interessante como mesmo escrito em 2019 e se tratar de uma crítica aos negacionistas ambientais, o filme retrata perfeitamente o período pandêmico no qual nos encontramos, em que imbecis negam a ciência e por pura ideologia política se posicionam contra a vacina ou orientações fundamentais para controlar a propagação do vírus.

Muitas vidas foram perdidas em razão de crenças equivocadas sobre o uso de máscaras, vacinação e medidas protetivas, e até na tola teoria da imunidade de rebanho. Apesar de ter sido fortemente combatida pelos cientistas, quantos não acreditaram nessa idiotice? E não quiseram olhar pra cima?

Todas essas cepas provaram de maneira evidente a irracionalidade dessa crença (e venho falando disso desde a variante Alfa). Manaus teve milhares de mortes por falta de oxigênio e é outro exemplo, duas semanas antes do estouro de casos e mortes, manifestantes pediam a imediata abertura da cidade e bradavam contra o dito, comprovado e preconizado pela ciência, o resultado final foi o desastre que acompanhamos atordoados.

O mais lamentável de tudo isso é ver certos profissionais praticamente rasgarem seus diplomas para endossar essas teses absurdas e anticientíficas. O Brasil é um case a ser estudado, temos negacionistas antivacinas, que ao fim do dia vão lá e tomam justamente a vacina que condenam. O jornalista dito reacionário da Jovem Pan, Rodrigo Constantino, é um exemplo, todos os dias propaga inúmeras fake news e desinformações sobre a vacinação, mas foi o primeiro a tomá-la nos EUA quando assim teve a oportunidade. Ora, se é tão contrário assim, por qual motivo tomou?

Isso demonstra nada mais do que um programa deliberado para confundir à população. O lado bom é: felizmente, esses mentecaptos não conseguiram impedir que boa parte do povo se vacinasse. Nas últimas pesquisas de opinião, mostra-se que a grande maioria quer se vacinar e vacinarão seus filhos, e isso é um alento, pois novas cepas podem surgir à medida que o vírus evolui e dribla a imunidade.

Dessa maneira, apesar de voltarmos para um período difícil com o avanço da variante Ômicron, temos, hoje, um alto índice de vacinação. Há uma estimativa que de cada dez pessoas que estão na UTI, aproximadamente nove não foram vacinadas. São em nossa realidade a amostra evidente, que por ideologia, ignorância, preferem ouvir falsos messiânicos e profissionais charlatões, e por muitas vezes em seu microssistema não querem olhar pra cima. São a essas pessoas que o meteoro (Covid-19) está vindo e exterminando à existência.

Olhe para cima, meu caro, e ouça a ciência!

 

 

Leandro Alves de Melo, graduado em Direito pela UFU, advogado, colunista, é sócio proprietário dos escritórios Alves & Barbosa Advocacia MG e GO, pós-graduado em gestão de pessoas (INESP/SP), especialista em Direito Previdenciário pelo IEPREV/BH, pós-graduando em Direito Constitucional pelo Instituto de Direito Público de Brasília, é Master Trainer em Programação Neurolinguística pelo instituto ADEX.

 

1 Comentário

  1. Tânia Maria Alves Helou disse:

    É isso mesmo, precisamos dizer o óbvio todos os dias, olhe para cima, vacine – se, use máscara, mantenha distanciamento, não acredite no nefasto bolsonero e sua quadrilha de seguidores negacionistas de ocasião. A vacina salva, está provado.

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