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Cinema & Vídeo – Cidades de Papel: nota 8

ter, 4 de agosto de 2015 08:22

Por Kelson Venâncio

Muita gente diz que eu tenho uma certa aversão aos filmes adolescentes. Mas sempre respondo que isso não é verdade. Essa falsa ideia surgiu por causa das minhas críticas que fiz durante os cinco anos em que foram exibidos os filmes da Saga Crepúsculo, os quais detestei todos. E eu nem vou repetir meus motivos aqui (se quer saber, leia todas as análises em nosso site www.cinemaevideo.tv).

Cidades de Papel

Cidades de Papel

 

Mas o fato é que, no cinema atual, é muito mais difícil ver um bom filme teen do que no passado, especificamente na década de 80, quando existiam produções adolescentes como Curtindo a Vida Adoidado, Os Goonies, Porky’s, Clube dos Cinco, Fica Comigo, Namorada de aluguel, A Garota de Rosa Shocking, Férias do Barulho, O Último Americano Virgem e uma série de outros que se tornaram clássicos cults e que nunca saíram de nossas memórias.

Felizmente, de vez em quando, surgem alguns filmes bons nesse gênero. E mesmo sendo poucos, posso destacar alguns que gostei bastante, como Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, Simplesmente Acontece, A Culpa é das Estrelas, Se Eu Ficar e … Bom, não estou me lembrando de outro no momento. Mas a obra do escritor John Green acabou de se concretizar como uma boa fonte de roteiros adaptados que servem para tapar este imenso buraco que existe nesta área na sétima arte.

Apesar de não ter o mesmo apelo emocional e dramático que A Culpa é das Estrelas, Cidades de Papel consegue prender a atenção do público e agrada bastante.

E o ponto mais positivo do filme é sem dúvida a narrativa que, como disse, é baseada na obra homônima de John Green que chegou a dizer em uma entrevista que o filme era melhor que seu livro. É claro que achei que isso foi uma boa campanha de marketing, mas não posso afirmar que ele esteja errado, pois não li o livro e por isso nunca vou realmente saber a procedência dessa afirmação. Mas o fato é que no filme, a história é boa. É contada de uma forma bem leve e cheia de situações instigantes que deixam o público bem curioso pra saber exatamente o que vai acontecer no fim da aventura proposta na primeira metade da projeção. E o melhor de tudo é que no fim, nada de coisas clichês. O encerramento é uma boa surpresa. Bom, pelo menos pra mim foi. Mas sei que muitos não gostaram.

A trilha sonora do filme é fantástica e nos faz aumentar ainda mais a emoção de assistir a paixão platônica (e talvez até bobinha, mas bonitinha) de Quentin por Margo. As canções dão uma espécie de “turbinada” nas cenas de emoção. E nesse caso, recorreram até uma versão orquestrada da clássica Lady in Red, que foi tema de filmes antigos e importantes como “Psicopata Americano” e “Uma Secretária de Futuro”.

E as referências aos bons filmes teens da década de 80 não param por aí. Quando surge a missão de encontrar a maluca da Margo, os garotos embarcam numa divertida viagem de 2 mil quilômetros até o estado de Nova York. Isso nos lembra de muitos filmes assim, com missões meio “sem pé nem cabeça”, mas cheias de aventura, daquelas que os nerds matam aulas pra se divertir. E é nessa jornada que surgem talvez os momentos mais divertidos desta produção. E em boa parte, isso se deve ao ator Austin Abrams, que faz um ótimo trabalho interpretando o engraçadíssimo Ben Starling. O pirralho abre a boca e o cinema cai na risada. Com certeza, esse garoto tem um grande futuro.

Mas o melhor de tudo é que, ao contrário do que muita gente pensa, Cidades de Papel não é um filme de romance. É claro que o amor é a base de tudo, mas serve apenas como alicerce pra mostrar uma temática extremamente mais profunda que isso: a amizade!

Que John Green continue escrevendo bem!

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