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Caso do diamante gigante ganha repercussão e Polícia Federal apura se ele teria sido localizado em Araguari

qui, 2 de outubro de 2025 08:00

Da Redação

Legenda: O diamante é o segundo maior já encontrado no país.

A investigação sobre a origem do segundo maior diamante já encontrado no Brasil continua a ganhar novos capítulos. A Polícia Federal (PF) apura se a pedra preciosa de 647 quilates, apreendida em Belo Horizonte no dia 27 de agosto, teria sido extraída no município de Araguari e posteriormente desviada para Coromandel, onde recebeu registro de aparente legalidade.

Na última quarta-feira (24/9), a residência do empresário O.B.C.N., de 53 anos, em um condomínio de luxo de Nova Lima, na Grande BH, foi alvo de mandado de busca e apreensão. O investigado, reconhecido comerciante de diamantes em Minas Gerais, não estava em casa no momento da ação. Em paralelo, outro endereço em Nova Ponte também foi vasculhado, município associado à origem de garimpeiros que atuam no Rio Araguari.

A versão oficial apresentada pela Diadel Mineração é de que a pedra teria sido encontrada em seu garimpo no Rio Douradinho, em Coromandel, com registro formal no Relatório de Transações Comerciais (RTC) do Cadastro Nacional de Comércio de Diamantes (CNCD) em 29 de maio de 2025. Entretanto, a PF suspeita que o diamante tenha sido furtado em Araguari, em lavra pertencente à empresa Carbono Mineração, e posteriormente “esquentado” em Coromandel.

A apreensão do diamante ocorreu justamente no dia em que ele receberia o último selo do Certificado do Processo Kimberley (CPK), documento indispensável para exportação. A operação contou com agentes da PF e da Agência Nacional de Mineração (ANM), diante de indícios de furto, desvio e irregularidades documentais.

Vídeos que circulam nas redes sociais reforçaram as suspeitas. Neles, o empresário W.B. aparece em diferentes situações ostentando a gema: a bordo de avião, em reuniões de negócios e até durante a pesagem oficial do diamante. Há relatos de que ele mesmo teria levado a pedra à ANM, em Belo Horizonte, de táxi, no dia da apreensão.

A documentação entregue pela Diadel Mineração incluía nota fiscal de venda e pedido de exportação, sugerindo que pagamentos foram realizados. No entanto, com a apreensão da pedra, esses valores deverão ser devolvidos. Há ainda rumores em Coromandel de que parte do montante acordado não foi paga, o que teria gerado insatisfação e ameaças no mercado de diamantes.

Outro ponto que chamou a atenção foi a subavaliação do preço. Estimado entre R$ 16 milhões e R$ 18 milhões, o valor é considerado baixo para uma gema desse porte. Especialistas calculam que o diamante poderia alcançar facilmente R$ 50 milhões em leilão internacional. A negociação restrita, sem consulta a compradores brasileiros e sem leilão, reforça a hipótese de tentativa de comercialização acelerada, antes que questionamentos sobre a origem viessem à tona.

Para os investigadores, a principal linha é de que a pedra teria sido furtada em Araguari e transferida para Coromandel para legalização documental. A dúvida é se W.B. teria sido apenas um comprador de boa-fé ou se participou ativamente do esquema de desvio e regularização fraudulenta.

O caso segue sob investigação em inquérito da PF e em processo administrativo confidencial da ANM.

 

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