Capixaba e brasileiro, por João Baptista Herkenhoff
sáb, 26 de abril de 2014 00:00* João Baptista Herkenhoff
A palavra orgulho, numa de suas acepções, traduz o sentimento de satisfação decorrente de um ato ou fato que eleva o sentimento pessoal de valor, mérito ou dignidade.
É razoável que alguém sinta orgulho de ser brasileiro? É consistente a alegria de ostentar a cidadania capixaba, seja esta decorrente de nascimento ou adoção?
Tentemos refletir para encontrar a resposta.
Nenhum país do mundo, no curso de sua história, pode exibir, invariavelmente, um galardão de glória. Da mesma forma, nenhum Estado da Federação terá vivido apenas episódios que mereçam aplauso e lembrança feliz.
Da mesma forma que a biografia pessoal tem altos e baixos, a caminhada de um povo tem altitudes, planícies e até despenhadeiros.
Só um ufanismo, respeitável, mas não rigorosamente verdadeiro, poderá obscurecer ou perdoar os pecados coletivos para timbrar apenas na exaltação dos feitos heroicos. Foi o que fez Afonso Celso no seu belíssimo livro “Por que me ufano do meu país”. Este livro, que frequentou meu imaginário juvenil, anda esquecido hoje. Mas me parece que mereceria voltar às escolas porque, nos dias correntes, está muito forte, em círculos amplos da opinião pública, um sentimento de descrença no Brasil, sentimento esse que julgo desprovido de base racional.
Comecemos pela análise de questões mais gerais, no panorama nacional. Existem preconceitos no Brasil estigmatizando grupos humanos, em decorrência de raça, sexo, origem social, trabalho ou profissão, orientação política, opção sexual? É evidente que sim, não obstante a proclamação constitucional da igualdade de todos que nasceram da barriga de uma mulher. Mas se existem, lamentavelmente, discriminações e rejeições, não chegamos ao ponto de assinalar a presença do ódio à face das diferenças, como ocorre em outros países.
As pessoas que provêm dos estratos mais pobres têm a chance de galgar posições de relevo na política, na vida social, nas empresas? Acredito que, em princípio, a ascensão é possível, não há vetos explícitos, mas o que torna a ascensão difícil é o não oferecimento de educação de ótima qualidade a todos os cidadãos, da pré-escola à universidade.
Dentro do universo brasileiro, o Estado do Espírito Santo apresenta aspectos peculiares que o diferenciam? Creio que sim. Assiste razão a Peçanha Póvoa quando, no estribilho de nosso Hino, afirma que “supre a falta de idade e de força, peitos nobres, valentes, sem par. Somos a falange do presente, em busca de um futuro esperançoso”. Veja-se o imenso número de capixabas ilustres na Literatura, nas artes em geral, nos arraiais da cultura, na Política. Nosso Estado é pequeno, em dimensão territorial, mas gigantesco pelo valor de seus filhos.
*Juiz de Direito aposentado (ES), palestrante e escritor.
E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br
CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2197242784380520
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