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CANTINHO DO MÁRIO – 14 DE MARÇO

sáb, 14 de março de 2026 08:00

A LUZ E A SOMBRA

Assisti a uma palestra cujo tema era a virtude, com um excelente palestrante, por sinal, e aprendi muito com ele. Entretanto, em dado momento, um dos ouvintes perguntou-lhe: “O que é a sombra?” A resposta foi lacônica: “A ausência de luz.” Pensei comigo: que resposta mais óbvia. A pessoa que perguntou abriu a boca, fez aquela cara de quem estava satisfeita e se calou. Aquilo ficou martelando na minha cabeça: seria só isso? Liguei o computador e comecei a escrever esta crônica sobre o assunto. Então lembrei-me de Emmanuel, espírito mentor de Chico Xavier, que aborda o tema luz e sombra sob a ótica da dualidade interior, do autoconhecimento e da ação cristã (caridade), focando na responsabilidade de cada indivíduo em gerar sua própria luz em momentos de dificuldade. Então pensei: não é tão simples. Se focarmos apenas no mundo material, a sombra realmente é a ausência de luz, mas, se abstrairmos o pensamento, chegamos à conclusão de que sombra e luz também são uma questão de frequência, de onde nos sintonizamos. A falta de conhecimento em determinada área pode nos impelir ao erro devido às nossas escolhas. Geralmente partimos para a conveniência e somos induzidos à prática de atos que mais tarde nos farão arrepender amargamente. Não temos o hábito de contar até dez em momentos em que agimos com ímpeto, quando nos sentimos ofendidos e nosso ego não digere convenientemente a “afronta”, batendo de frente com nosso orgulho. Muita gente pode se considerar bipolar: na descida todo santo ajuda, mas, na subida, é só lamúria e reclamação. Para superar essas oscilações, devemos partir para a reforma íntima, substituindo gradativamente nossos descontroles emocionais por virtudes como paciência, indulgência, simplicidade e humildade. Nossa maior dificuldade são as mudanças; todo mundo estrila diante de qualquer alteração na própria vida, e raros são aqueles que as aceitam sem resmungar. As sombras interiores nos acompanham desde tempos imemoriais e, como não as combatemos por ignorância ou comodismo, acabam se tornando crônicas, e depois afastá-las é muito difícil. Para uma pessoa repetir as palavras de Paulo — “Já não sou eu quem vive, mas o Cristo que vive em mim” — é uma caminhada árdua; não é para todo mundo, é preciso ter persistência. Deus nos envia missionários como Paulo, Francisco de Assis, Madre Teresa, Irmã Dulce e outros para nos mostrar que é possível; tudo é uma questão de querer e praticar, pois nada cai do céu como maná. Portanto, para expulsar as trevas é preciso luz, e, na nossa condição, a ferramenta é a caridade por meio da empatia. Enquanto houver uma réstia de sombra dentro de nós, precisamos orar e vigiar. Quando uma pessoa muda, o mundo também muda um pouco e se ilumina um pouco mais, e então descobrimos que a felicidade é possível — tudo depende da vontade.

 

MÁRIO FERREIRA.:

 

 

 

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