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Câmbio, uma escolha difícil

qui, 13 de fevereiro de 2014 00:06

Abertura Treino Livre
Alô amigos, nesta temporada os pilotos terão que fazer escolhas difíceis, no entanto, a que mais me parece complicada, embora com os computadores e simuladores possa ser simplificada, é a escolha da caixa de marchas, ou simplesmente câmbio.

Sendo um pouco, ou muito, detalhista, o câmbio é o equipamento do carro que faz a ligação entre o motor e as rodas, transmitindo a potência gerada pelo motor em movimento para as rodas, o que põe o carro efetivamente em movimento.

Composto por uma série de engrenagens, que permitem várias relações de potência/velocidade, os típicos câmbios de hoje geralmente tem 5 marchas a frente, e uma para trás, a chamada marcha a ré. Podem ser automáticos, semiautomáticos e manuais, e nestes quem comanda a troca de marchas é o motorista, enquanto que nos outros dois ela pode ser feita por um computador com programas para direção esportiva ou econômica, dependendo da escolha do motorista que também pode optar por trocar as marcha de forma manual.

Assim você pode dirigir um carro com uma relação de marchas mais curta (maior aceleração e menor velocidade final) ou uma relação de marchas mais longa (menor aceleração e maior velocidade final). Um exemplo de marcha curta é a primeira marcha, em que o giro do motor sobe rápido, a velocidade também sobe rápido devido à aceleração, mas chega no máximo a 80 km/h dependendo do carro, é claro; uma marcha longa é a 5ª, que não tem praticamente aceleração nenhuma, mas pode fazer o carro andar confortavelmente nos 140 km/h ou até mais, dependo do modelo.

Depois dessa conversa meio técnica, vamos falar de Fórmula 1.

Uma mudança no regulamento este ano obriga as equipes a escolherem apenas uma única relação de marchas, seja ela longa ou curta, e isso vai causar um impacto muito grande nas corridas, pois escolher uma relação curta significa ter muita aceleração e pouca velocidade final, o que num circuito como Mônaco não tem muita importância, pois é um circuito travado sem grandes velocidades, mas imagine essa mesma relação de marchas em um circuito como Monza onde se anda em aceleração total a maior parte do tempo, o motor irá sofrer um desgaste muito grande, pois estará limitado na potência que poderá transmitir às rodas. Junte tudo isso aos sistemas de recuperação de energia que também despejarão potência sobre o câmbio, e temos a receita certa para quebras de motor ou mesmo do próprio câmbio.

Para comparar, anteriormente a escolha da relação de marchas era feita pelo piloto que nos treinos experimentava várias combinações e de acordo com seu estilo de pilotagem e instinto escolhia a relação que ele achava a melhor para o circuito, e essa escolha era feita pista a pista durante a temporada. Com o surgimento da eletrônica esse papel passou para os engenheiros.

Por ser a primeira vez que esta regra será usada, a FIA permitirá às equipes uma única troca de relação ao longo da temporada para se adequarem, mesmo porque, cada câmbio tem que durar seis corridas, vale dizer que os câmbios terão oito marchas para todas as equipes e isso não pode ser alterado, o que significa um complexo de engrenagens muito suscetível a falhas, principalmente pelo esforço de uma corrida de Fórmula 1.

Até a semana que vem…

* Advogado, fã da Fórmula 1 desde 1970, e apaixonado pela Ferrari

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