Cafés de qualidade de Araguarichegam a prateleiras de mercados estrangeiros
sex, 27 de abril de 2018 05:32por Tatiana Oliveira
Produtores veem conquista como um reconhecimento pelo trabalho feito com amor e dedicação
O café de cinco produtores do Cerrado Mineiro ganha, nos próximos dias, as prateleiras do WholeFoods e do Central Market, em Austin, no Texas – EUA. Entre eles estão os cafés especiais da produtora Marilsa de Fátima Peternella e de João Paulo Macedo. Atorrefação norte-americana Casa Brasil Coffee, comandada pelo coffeehunter Joel Shuler, é especializada em cafés especiais brasileiros e desenvolveu os grãos com os produtores.
João Paulo Rodrigues Macedo desde muito jovem sonhava em ser cafeicultor; depois de ser colono em algumas fazendas da região, conseguiu realizar seu sonho. A fazenda é localizada entre Araguari e Indianópolis, na microrregião do Quilombo.

Cafeicultor tem café exportado par aos EUA e Japão
O café produzido por ele também foi exportado para o Japão, com sabores frutados do cerrado mineiro. “Seu café tem acidez cítrica, tende mais para jabuticaba, é mais avinhado. É um café frutado, lembrando licor de jabuticaba”, relata o consultor de café Rodolfo Silva Carneiro.
A outra cafeicultora, que terá o café nas prateleiras norte-americanas, alegra-se com a conquista. “Para nós é muito bom, pois estamos buscando um reconhecimento há muito tempo. É uma luta, cujo resultado não aparecia, mas agora temos resposta e esses lotes especiais, inclusive, valorizam os demais lotes”, relata a cafeicultora. “Tem certos lotes de café que chegaram a essa qualidade por dedicação mesmo, outros por acaso, porque foi um trabalho muito bem feito, com amor”, completa.
Além de conquistar um espaço consagrado nos mercados estrangeiros há principalmente a valorização do processo. Por se tratar de região com Denominação de Origem, as embalagens serão identificadas com informações do terroir(o perfil sensorial do café) e dos produtores. “Esse reconhecimento nos motiva ainda mais a buscar uma qualidade melhor, uma seca melhor. Motiva também a tentarmos um ganho com isso, não só em marketing, mas ter lucro e absorver o que o mercado tem a nos oferecer por essa qualidade”, disse a cafeicultora.
O café especial de Peternella é proveniente da safra passada e tem um sabor adocicado, disse à Gazeta do Triângulo. “Ele tem ‘tom’ um achocolatado, meio ferreiro rocher, bem adocicado”, comenta. Segundo ela, o desafio agora é tentar reproduzir o mesmo café. “Acho que não consigo fazer esse lote novamente, pois teve muita interferência do clima, umidade do ar. Esse ano vou tentar novamente, não desisto jamais, mas alcançar essa mesma nota, esse mesmo paladar, não sei, talvez consiga até melhor”, brinca.
Marilsa está há mais de 30 anos na cafeicultura, mas abraçou o desafio de produzir o café sozinha há 15. “Depois que me divorciei resolvi seguir com a cafeicultura, que está no meu sangue. Meus pais eram cafeicultores, meus avós e, inclusive, meu ex-marido”, coloca. A jornada não foi fácil, relata. “Uma separação vem com muitas críticas e eu sabia que seria capaz, tinha muita vontade de trabalhar e hoje estou muito feliz. Não quis provar nada a ninguém, foi para mim e consegui muitas vitórias até hoje” comemora.
Ela conta à Gazeta que o café sempre fez parte de sua vida. “Para se dedicar a alguma coisa é preciso gostar do que se faz e eu amo. Não me vejo fazendo outra coisa além disso”, coloca. “Não acho difícil trabalhar com o café, pois fui criada desde pequena nesse meio. A gente vai pegando gosto, pegando prática. Não tem nada melhor que estar ativa no campo”, diz. Ela assegura que carinho e respeito são os segredos para se fazer tudo da melhor maneira, pessoas capacitadas e cientes resultam em qualidade garantida.
O café especial dePeternella é produzido em Araguari, na microrregião do Alto São João a 940 metros de altitude. Nascida na região de Cianorte, estado do Paraná, na propriedade dos pais,Marilsa aprendeu desde cedo a manejar a cultura. Ainda em Cianorte casou-se com um cafeicultor e começou a constituir sua família. Devido a uma infestação de nematoide no estado do Paraná, Marilsa veio juntamente com seu ex-marido para o Cerrado Mineiro conhecer a região. “Ao chegar em Minas Gerais ficaram encantados e logo trataram de vender as terras no Paraná e se estabeleceram no Cerrado Mineiro”, relata nota da Cooperativa de Cafeicultores do Cerrado – Coocacer.
Decidida a se tornar protagonista da sua própria história, agora divorciada e junto com os filhos, ela continua se dedicando a melhorar sua produção e com foco na qualidade dos cafés. “Essa paixão acho que vem de família, porque minha família toda gosta, eram apaixonados pelas plantas, pelas flores, então juntou tudo, a paixão pela cafeicultura e pela natureza”, diz Petternela.
O amor pela cafeicultura virou um legado familiar e se estende às próximas gerações, como os descendentes de Marilsa. Seu filho, Jhone Moreno, teve o café classificado em 3º lugar no II Concurso Cafés de Qualidade Coocacer Araguari 2017.
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