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Bloco Oriodara promete desfile histórico

qui, 27 de fevereiro de 2014 17:59

Escola traz revoltas negras na Bahia para a Avenida

O bloco surgiu a partir da inspiração de Fabinho, na época com 12 anos de idade. Foto: Araípedez Luz P10/SECOM/PMU

O bloco surgiu a partir da inspiração de Fabinho, na época com 12 anos de idade. Foto: Araípedez Luz P10/SECOM/PMU

DA REDAÇÃO –  O Bloco Carnavalesco Oriodara tem como símbolo uma cabeça com vários “raios” que representam o surgimento de novas ideias. E é esse olhar em novos horizontes que guiou os diretores do bloco. O presidente Fábio Vladimir Silva, conhecido por Fabinho, que o diga. De acordo com ele, desde a criação do bloco muitas coisas já aconteceram, embora o grupo ainda esteja em fase de avaliação. “O ano de 2014 está começando, mas já estamos com planos, muitos planos para 2015. Exagero? Imagina, são apenas cabeças pensantes que querem transformar esse momento em muito mais do que alegria”, contou.

Com o enredo “Os Malês e as Revoltas Negras na Bahia”, o bloco será o primeiro a entrar na passarela do samba no domingo, dia 02 de março, a partir das 20h. Oriodara se apresentará com cerca de 200 componentes entre homens, mulheres e crianças, com fantasias e adereços bem coloridos.

A escola contará com comissão de frente, porta estandarte, bateria e mais cinco alas. Os estilistas do bloco são: Rodrigo Salviano, Adriano Ribeiro, Wáquila Correa e Juliana Trindade. A sede do bloco é no bairro Planalto, na Rua Maria Abadia Mamede, 410.

Origem

O Bloco Oriodara foi criado em setembro de 2012 por um grupo de 10 amigos. Notadamente, trata-se de um bloco com raízes africanas e extenso leque para novas conquistas. Inicialmente, Fábio Vladimir achava que tudo não passaria de um sonho, mas após partilhar a inspiração com alguns amigos, ele percebeu que estava a alguns passos da realização. “Passei por todos os blocos e escolas de samba de Uberlândia. Trabalhamos muito, criamos coreografias inusitadas, desfilamos com garra nas avenidas e chegou um momento que decidi criar algo mais diretamente ligado aos meus princípios e formas de encarar esses dias de folia”, disse.

Coreógrafo, professor de dança há 22 anos e com especialização em pessoas com deficiência, Fabinho acreditou que a experiência e a vivência de tantos carnavais o ajudariam a levar o projeto adiante. O nome do bloco já estava gravado no coração do presidente e foi aprovado pelo grupo. Oriodara tem um significado africano – “Cabeça Bonita” – e para eles vai além dos quatro dias de folia. “Pensar em uma cabeça bonita não é apenas o visual ou algo passageiro. Cabeça bonita é em todos os sentidos, principalmente em atitudes, em transformações do ser humano e esse também é um diferencial do bloco”, destaca.

História

Em um encontro entre amigos, surge Fábio Júnior, 12 anos de idade. O garoto surpreendeu a todos ao trazer consigo vários croquis e objetos de enfeite para as fantasias (miçangas, recicláveis e outros adereços).

Timidamente, mas seguro do que estava fazendo, o garoto questiona o grupo se essa era a proposta para um novo bloco. De acordo com Fabinho, o grupo ficou inquieto com a sensibilidade e rapidez de captação e interpretação do garoto. “Quando vimos, ele já estava com quase toda a ideia do bloco esqueletada. Foi fantástico e a partir daí aceleramos o processo junto com tudo o que já tínhamos”, explicou. Atualmente, Fábio Júnior é aderecista do bloco, dança e ajuda em tudo que for preciso, além de fazer parte da diretoria. Outra novidade é que esse talento de criação do adolescente é natural. Ele nunca participou de nenhum tipo de oficina ou curso. As criações são espontâneas e peculiares. Fábio Vladimir da Silva Júnior é considerado um prodígio dentro do bloco carnavalesco.

Samba-enredo

A Revolta dos Malês foi um movimento que ocorreu na cidade de Salvador (província da Bahia) entre os dias 25 e 27 de janeiro de 1835. Os protagonistas desta revolta foram os negros islâmicos que exerciam atividades livres, conhecidos como negros de ganho (alfaiates, pequenos comerciantes, artesãos e carpinteiros). Embora livres, os negros sofriam muita discriminação devido a sua etnia e ainda por serem seguidores do islamismo. Portanto, encontravam muitas dificuldades conquistar seu espaço na sociedade.

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