Araguarina Consuelo de Castro deixa marcas na dramaturgia brasileira
qua, 6 de julho de 2016 05:26Da Redação
Profissional faleceu aos 70 anos vítima de um câncer
A dramaturga araguarina, Consuelo de Castro Lopes, faleceu aos 70 anos, no dia 30 de junho, deixando marcas na dramaturgia brasileira. A autora é nacionalmente conhecida por suas obras, que foram adaptadas ao teatro, trazendo à vida seus personagens marcantes.
Consuelo nasceu na cidade de Araguari, em janeiro de 1946, e passou sua adolescência em São Paulo, onde cursou Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP) e foi ativa militante do movimento estudantil.

ua primeira obra encenada foi “À Flor da Pele”, de 1969, que ficou nacionalmente conhecida
Em 1968, estreou sua carreira com o texto “Prova de Fogo”, cogitado para montagem pelo Teatro Oficina, mas foi proibido. A peça foi premiada em 1974 pelo Serviço Nacional de Teatro (SNT), com o título de “A Invasão dos Bárbaros” e montada apenas em 1993, por Aimar Labaki, no edifício que retrata ficcionalmente.
Sua primeira obra a ser encenada foi “À Flor da Pele”, de 1969, que ganhou diversas montagens em todo o Brasil, recebendo o Prêmio da Associação Paulista de Críticos Teatrais (APCT). A peça aborda um caso de amor tumultuado entre uma jovem atriz e seu professor e, em três atos, a dramaturga consegue evidenciar poder de concentração nos diálogos e na situação conflituosa criada.
Dentre as obras famosas de Consuelo, também está a peça “Caminho de Volta”, montada por Fernando Peixoto em 1974, que concedeu à dramaturga os prêmios Molière, APCT e Governador do Estado de melhor autora. “A Cidade Impossível de Pedro Santana”, de 1975, que aborda os sonhos de um arquiteto sobre o urbanismo popular, foi vencedora do Concurso de Dramaturgia do SNT, porém, permanece inédita. “O Grande Amor de Nossas Vidas”, sobre a baixa classe média e sua falta de perspectivas, foi montada por Gianni Ratto e apresentada em São Paulo (1979) e Rio de Janeiro (1980).
Na década de 1980, a autora partiu para novos formatos dramáticos e menos realistas, como “Louco Circo do Desejo”, “Script-Tease”, “Marcha à Ré” e “Mel de Pedra”. Também escreveu um roteiro de dança-teatro, em 1987, para a bailarina Clarice Abujamra, “Uma Caixa de Outras Coisas”, dirigido por Antônio Abujamra. Consuelo lutava contra o câncer de mama há seis anos e faleceu no dia 30 de junho, em São Paulo.
A colunista Lêda Pinho conheceu Consuelo pessoalmente. “A dramaturga teve no início de sua carreira o peso opressor do regime militar vigente no país e, vitimada pelo AI-5, não pode apresentar sua primeira peça, fazendo-se então conhecer mais profundamente em seu segundo trabalho. Ela não se intimidou e seguiu em frente, encantando com seus textos os mais renomados diretores”.
Consuelo de Castro recebeu diversos prêmios, dentre eles, os mais importantes da dramaturgia brasileira. “Muito há para ser dito sobre essa araguarina de tamanho brilho, que deveria ser passado aos jovens, para maior conhecimento dos valores culturais brotados nessa rica terra, mas que se faz pobre em informação. Uma estrela que se apaga no universo da dramaturgia e que um dia deixou sua cidade para espalhar arte e cultura bem mais além. Deixa dois filhos e um tesouro representado e eternizado em suas obras”, concluiu Lêda Pinho.
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