Araguari pode passar por mudanças no sistema prisional e acende alerta sobre impactos na cidade
sex, 17 de abril de 2026 08:00Da Redação

Foto 1: Araguari pode passar por mudanças importantes em seu sistema prisional.
Araguari pode passar por mudanças importantes em seu sistema prisional. Ainda sem confirmação oficial, há indícios de que o município possa receber uma unidade regional destinada ao acolhimento de mulheres e pessoas LGBTQIA+, em meio à reestruturação do sistema prisional em Uberlândia.
A reportagem da Gazeta ouviu o promotor de Justiça, Dr. André Melo, que destacou que a proposta, embora ainda não formalizada, já levanta preocupações relevantes. “Trata-se de uma possibilidade que, se concretizada, certamente trará diversas consequências para Araguari”, afirmou.
Segundo ele, um dos principais impactos seria a transferência dos presos masculinos de Araguari para Uberlândia. Com isso, haveria aumento na necessidade de cartas precatórias, já que muitos atos processuais dependeriam de outras comarcas. Além disso, as audiências passariam a ocorrer, em grande parte, de forma on-line. “Isso pode gerar filas, especialmente no período da tarde, quando os horários costumam coincidir e há poucas salas de videoconferência disponíveis nos presídios de Uberlândia”, explicou.
O promotor também ressaltou a dimensão atual do sistema penal na comarca. Hoje, Araguari conta com cerca de 400 presos no presídio, além de aproximadamente 300 em regime aberto domiciliar sem tornozeleira eletrônica e cerca de 200 cumprindo pena de prestação de serviços com o apoio da CEAPA. Ao todo, tramitam na comarca cerca de 7 mil processos criminais.
Outro ponto destacado diz respeito ao histórico recente. “Há cerca de quatro anos, o presídio feminino de Araguari foi fechado sem aviso prévio, e, da noite para o dia, cerca de 25 presas foram transferidas para Uberlândia”, relembrou.
O cenário atual reforça os rumores, já que o presídio Pimenta da Veiga, em Uberlândia, atualmente abriga presas da região, mas, conforme resolução da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), deve ser destinado exclusivamente a detentos ligados a facções criminosas. Com isso, as presas precisarão ser realocadas, o que pode incluir Araguari.
Dr. André Melo também alertou para impactos sociais e estruturais. “Caso Araguari passe a receber presas de toda a região, haverá necessidade de acolher familiares, além de reforçar a segurança no transporte pelas rodovias. São questões que exigem planejamento e investimento”, pontuou.
Por fim, ele reforça a importância do debate. “Uma decisão dessa magnitude precisa ser discutida com a sociedade e com as autoridades locais. O ideal é que o presídio continue atendendo, prioritariamente, à demanda do próprio município”, concluiu.
Diante desse cenário, a possível mudança ainda em debate serve como um alerta. Mesmo sem confirmação oficial, o tema já evidencia a necessidade de diálogo, planejamento e transparência antes de qualquer definição.
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