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A Pátria Educadora somos nós!

sex, 10 de abril de 2015 07:53

No discurso de posse de seu segundo mandato a presidente Dilma apresenta o eixo norteador do projeto governamental em pauta com o lema “Brasil, Pátria Educadora”. Todavia, o escolhido para a emblemática pasta da educação, convenhamos, não representava, tampouco combinava com o componente central da proposta ideológica do governo petista. E, justamente por não portar tal perfil, o polêmico ministro exonera-se, felizmente, digo, prematuramente.

Assim, no dia 6 de abril, o filósofo-educador Renato Janine Ribeiro (USP) é empossado como Ministro da Educação da ambicionada Nação da Educadora. Janine assume o Ministério com o apoio da academia, o respaldo do Planalto, a confiança da base do partido e a esperança da sociedade.

Quando do anúncio de sua escolha dissera Janine: “O ano será difícil, devido ao orçamento. Mas não vamos pensar na educação somente como o árduo e o complicado”, propõe. “A educação abre o mundo do saber. Conhecer é uma paixão. Por que chamamos as crianças de curiosas? Porque elas perguntam, sem parar, “por quê?”, que em latim se diz “cur”. Curioso é quem interroga por quê. Há coisa mais bela do que a curiosidade que faz os olhos dos pequenos brilharem de alegria quando aprendem algo novo? Por isso, temos de perguntar por que esta alegria depois acaba. O prazer e a festa de conhecer têm que durar a vida inteira”.

A mensagem ministerial é clara. Uma Nação educada-educadora é um projeto coletivo em permanente construção. Evidentemente, não pode prescindir da luta por uma escola pública, democrática, inclusiva, qualificada, laica, plural (…) Entretanto, é preciso salientar que a construção de uma Pátria Educadora não é atributo exclusivo da escola.

A comunidade, a imprensa, a família, a polícia, a política, os movimentos sociais, os sindicatos, as ONG’s, as religiões (…) possuem o seu quinhão de responsabilidade nessa empreitada. Todos os espaços da vida em sociedade são possibilidades de experiências educativas. O trânsito, as relações sociais, o trabalho, o debate político, as redes sociais (…) todos podem se converter em espaços de educação ou o oposto disso.

O filósofo Karl Marx atentava, no século XIX, para o fato de que a educação não é uma ferramenta de equalização social. Mas, Paulo Freire, o Ministro da Utopia Educacional Brasileira, par excellence, alerta-nos, no entanto: “Se a educação, por si só, não muda a sociedade. Tampouco, a sociedade muda sem a educação”.

A educação é responsabilidade da escola, mas não é atribuição exclusiva da mesma. O professor, o diretor, o prefeito, o Governador, o Ministro e a Presidente, isolados, não modificam a sociedade, menos ainda a educação; nem mesmo a escola. Mas, juntos, podemos lançar as pedras fundamentais de uma cidadania consciente e participativa com sujeitos que se propõem educar e ser educados, mutuamente.

A educação ocorre em todas as instâncias e esferas da vida. Do nascimento à morte, essa aventura denominada existência humana se constitui em um ininterrupto processo educacional.

Os homens, a sociedade e a escolas e humanizam e se educam concomitante e dialeticamente. A Pátria Educadora somos nós!

 

Mauro Sérgio Santos

Especialista em Educação – UFSJ, Mestrando em Filosofia – UFU, Academia de Letras e Artes de Araguari, Professor de Filosofia. Autor do livro “Camaleão: metapoesia”

Blog: HTTP://banquetedeletras.blogspot.com

mauro.filos@hotmail.com

29 Comentários

  1. Adelia disse:

    Excelente texto. Temos acompanhado as publicações desse professor. São ótimas! Parabéns, Mauro!

  2. Pedro Mendes Júnior disse:

    Belíssimo texto!!! Concordo quando você diz que a educação não é atributo exclusivo da escola e do professor. Às vezes nós mesmos (professores)enveredamos por essa falácia e depois reclamamos quando os resultados são pífios dizendo: E a culpa toda do fracasso da educação sempre cai sobre o professor!!! Precisamos dividir responsabilidades e entender que o sucesso ou insucesso será fruto de uma conjuntura social.

  3. Alessandra disse:

    Ótimo texto, parabéns por mais esse trabalho.

  4. Thales disse:

    Mauro e o melhor ;)!

  5. Ageu César Guimarães disse:

    Ótimo trabalho meu amigo Mauro, só seremos uma nação de sucesso quando a Educação for tratada como uma responsabilidade e preocupação de todos.
    O Japão é exemplo disso.

  6. Teresinha! disse:

    Que texto lindo,, meu filho! PARABÉNS!

  7. RAPHAEL disse:

    Ótimo trabalho amigo, belíssimo texto, ta de PARABÉNS

  8. Alexsandro Almeida Silva disse:

    Exatamente! A educação não deve ser apenas restritas aos muros da escola, deve ser uma educação integral e INTEGRADA no qual os vários setores da sociedade se responsabilizem por ela. Excelente texto!

  9. Malu Mameri disse:

    Parabéns Mauro pelo texto.Obrigada por sempre estar repassando para nós, as publicações das suas matérias.

  10. Luciana Brandão disse:

    Parabéns, enriquecedor seu texto, concordo a Educação só será valorizada quando cada um assumir sua responsabilidade ,como educadores direto e indireto,sem cidadãos conscientes ,não é só na sala de aula que se dá o aprendizado ,transmissão e aquisição de conhecimento ,e sim em todos o lugares e com diferentes tipos de pessoas e porque não com a natureza a nossa volta.Continue fazendo a diferença na vida das pessoas que te rodeiam e tem o privilégio de te conhecer ,e ainda mais sendo sua aluna.Obrigada!

  11. Maressa Lethiere disse:

    Ooooohhhh ta de parabéns !!

  12. Flávia Fonseca disse:

    Parabéns Mauro!! Ótimo texto!!

  13. Lucilaine de Fátima disse:

    Mauro, muito bom o seu texto. Parabéns!
    A pátria educadora realmente somos nós.

  14. Talita Gonçalves disse:

    Estamos caminhando para 16 anos de PT e agora, na reta final, a educação supostamente virou prioridade.

    Até o momento, nestes 12 anos, não implementaram nenhum projeto de longo prazo do governo para ensino fundamental e médio (o limbo da educação, porque educação infantil e superior geram publicidade mais eficiente), a exemplo do que aconteceu na Alemanha e no Japão pós guerra, em Cingapura, Koréia do Sul.

    A indicação de um filósofo para o Ministério a essa altura do campeonato, em um conturbado início de mandato no qual a dança das cadeiras está agitada, pouca diferença faz.

  15. Mauro Sérgio Santos disse:

    O que quero ressaltar, Talita, é que a educação é atributo da escola, mas é algo que perpassa toda a vida em sociedade. É uma questão de POLÍTICA PÚBLICA, mas é também uma questão de cidadania. Envolve a imprensa, as ONG’s, os movimento sociais, a família, as associações diversas, a instituições religiosas…

  16. Delma disse:

    Sempre brilhante em suas colocações! Uma Nação Educadora deve ser alicerçada em ações coletivas, partindo de vivencias reais de sentimentos verdadeiros de pertecimento a ela e não de se beneficiar individualmente! Um bem coletivo que visa crescimento à todos que colaboram nessa mudança de comprometimento e amor ao próximo.

  17. José Luiz disse:

    A Pátria Educadora é, sim, uma construção coletiva em permanente realização. Luta por uma escola pública, de qualidade, laica, democrática, humanizadora, inclusiva, acolhedora…

  18. Luiz disse:

    excelente colaboração! Adoro ler as reportagens desse rapaz no jornal gazeta!

  19. Cláudia disse:

    Sou de Uberlândia. Acompanho o trabalho do professor Mauro, suas publicações no gazeta e em outros jornais. Concordo com a maior parte de suas posições defendidas nos 2 últimos artigos nesse jornal sobre educação. PARBÉNS AO JORNAL GAZETA

  20. Bruno Queiroz disse:

    Ótimo texto! Em um país onde a educação ainda enfrenta vários problemas e é tema de muitas discussões, precisamos nos conscientizar de que a educação é um “bem público”, e que todos nós temos de algum modo, responsabilidades na construção de uma pátria educadora.

  21. Mauro Sérgio Santos disse:

    Muito bem colocado, Bruno!

  22. Evelyn Aparecida Alves disse:

    Bela publicação! Nos tempos atuais encontrar pessoas que realmente acreditam na educação e que não desanimaram dessa tarefa árdua de lutarem por uma sociedade melhor, está se tornando cada vez mais raro. Admiro as pessoas que de alguma forma não desistiram dos jovens, das crianças e do futuro. Um belo exemplo está ai para ser seguido : Mauro Sérgio!

  23. Sueli Lima disse:

    Mauro, excelente texto! Admiro sua sensibilidade e lucidez para enunciar temas tão valiosos, especialmente, nesse momento, quando há proliferação de informações confusas e cheias de inverdades. Parabéns, pelo texto e pelo seu trabalho!

  24. Carlos Pessoa Rosa disse:

    Concordo com sua reflexão, por isso, acredito que as práticas para uma pátria educadora deve partir debaixo para cima e não dentro de um modelo centralizador – de cima para baixo. Vamos ver o que ocorre nos próximos três meses, meus sessenta e cinco olham com desconfiança qualquer ‘slogan’ que aponta mais para o marketing que para uma prática real.

  25. Maís Duarte disse:

    Quando penso no lema apresentado pela Presidente, “Brasil, Pátria Educadora”, me questiono: Em que sentido nossa nação está sendo Educadora? Está educando seus cidadãos para o quê? Infelizmente, o que vejo nas escolas é uma educação para a manutenção das desigualdades sociais, para a garantia dos interesses da classe dominante. A Pátria Educadora deveria conscientizar seu povo de sua situação e torná-lo crítico e capaz de se posicionar efetivamente rumo à transformação. A quantidade de escolas e o acesso da maioria das pessoas não significa que o país está sendo educado, é preciso, sobretudo, qualidade.
    E é por isso, professor Mauro, que os apontamentos de seu texto estão muito bem colocados. Felizmente a educação não vem só das escolas e talvez por isso ainda possamos fazer jus ao lema de Pátria Educadora. A educação se constrói em todos os espaços sociais e cabe a cada um de nós cumprir nosso papel para que o maior número de pessoas possam conhecer a realidade e participar das mudanças necessárias para se conquistar um Brasil melhor.
    Parabéns por sua reflexão!

  26. Patricio Quireza disse:

    Novamente um excelente texto , parabéns amigo Mauro, a educação ultrapassa os muros da escola, a sociedade faz parte com certeza dessa construção .

  27. Keila Oliveira disse:

    Parabéns Mauro, sábias palavras.
    Texto digno de ser compartilhado por todos, afinal; “A Pátria Educadora somos nós!”

  28. Maíra Ávila disse:

    Belíssimo texto, Mauro. Além de lúcido, é um convite a reflexão a cada cidadão para tomada de consciência do que pode ser feito individualmente para uma transformação coletiva. Acredito nisso que você escreve, porque também penso e sinto isso. No meu dia a dia, me proponho a colocar em prática esse convite à educação, à formação, à cidadania. E não é fácil. Mais fácil é delegar aos outros. Por isso, sou aliada a esse pensamento e busco todos os dias me conectar a essa missão. Parabéns pela iniciativa e, você sabe, para o que precisar, pode contar comigo!

  29. Iara disse:

    Professor Mauro, parabéns pelo texto com uma abordagem de precisão cirúrgica sobre a responsabilidade de todos os atores sociais (e não só os atores políticos) na construção de um projeto sólido que valorize a educação. Contudo, espero que os cidadãos compreendam que quaisquer projetos se iniciam com ideologias, teorias, propostas, mas só poderão atingir uma finalidade concreta quando o conjunto de proposições além de romper a letra fria da lei tornar-se um exercício diário de todos e não, conforme a Maíra Ávila expõe, delegado aos que supostamente tem o saber.

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