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A carta de José de Oliveira Guimarães

qui, 5 de dezembro de 2013 17:18

Abertura Histórias de Uberlândia

Fachada da primeira sede da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Uberlândia. Foto: Divulgação

Fachada da primeira sede da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Uberlândia. Foto: Divulgação

 

A revista ACIUB, em 1978, publicou uma matéria onde colocava como fundador da associação seu primeiro presidente, o uberabense Armante Carneiro. Farmacêutico e engenheiro, Armante veio residir em Uberabinha em 1923, onde montou a Fábrica de Tecidos Uberabinha, no pátio da Mogiana. Após ler a reportagem, José de Oliveira Guimarães escreveu a seguinte carta à revista:

José de Oliveira Guimarães. Foto: Divulgação

José de Oliveira Guimarães. Foto: Divulgação

 “O doutor Armante, que era meu amigo, não foi o fundador da Associação Comercial e sim o seu primeiro presidente, convidado por mim para exercer esse cargo, em uma reunião que convoquei convidando vários comerciantes e, entre eles, o doutor Armante que aceitou meu pedido com relutância, alegando não ter participado dos trabalhos preparatórios para formalizar a Associação Comercial. Trabalhos esses, aliás, que foram só meus.

A idéia e execução do plano de fundação da Associação Comercial são minhas, sendo eu, portanto, seu fundador, para o que contei com o apoio de meu então sócio José Santos.

Para formalizar a Associação Comercial contratei o Homero Monteiro de Carvalho, advogado, já falecido. Conjuntamente, o doutor  Homero e eu elaboramos os estatutos da Associação Comercial e lhe demos o nome de Associação Comercial, Industrial e Agro Pecuária de Uberlândia, tendo eu funcionado como primeiro secretário, pois não ficaria bem que eu me constituísse presidente, quando eu era o criador da Associação, e, eis aí a razão do convite ao doutor Armante.

Quem conhece bem os primórdios da fundação da Associação Comercial é o senhor José Santos Júnior que aí está e pode comprovar o que digo.

Talvez os novos diretores ignorem o que aqui exponho, mas os antigos, das primeiras diretorias, têm conhecimento disso.

Esta será, além do mais, uma contribuição para a história da Associação Comercial quando ela foi feita. Era isso que desejava esclarecer e retificar.

Muito obrigado pela atenção que se designarem dispensar a este esclarecimento e, sem mais, subscrevo-me cordialmente.

José de Oliveira Guimarães”

A história

Armante Carneiro, primeiro presidente. Foto: Divulgação

Armante Carneiro, primeiro presidente. Foto: Divulgação

No ano de Nosso Senhor de 1924, Tito Teixeira, empresário uberabinhense, e a imprensa local empenharam esforços para que se fundasse uma associação comercial na cidade. Algumas reuniões foram realizadas, mas não houve sequência no projeto.

Muito a contragosto da maioria de seus habitantes, em 1929, a cidade passa a se chamar Uberlândia. No limiar de 1932, a imprensa voltou a tocar no assunto da associação comercial. Então, José de Oliveira Guimarães, próspero comerciante, português, sócio de outro português, José Santos, donos da Casa Castro, procurou os empresários com a proposta de uma instituição que congregasse o empresariado local.

O idealizador do empreendimento recusou a presidência e estimulou o doutor Armante Carneiro a assumi-la. Numa manhã de sol do dia 15 de outubro de 1933, na sede do Uberabinha Sport Club, reuniram-se vários empresários. O doutor Homero Monteiro de Carvalho, por solicitação de José de Oliveira Guimarães, levou um projeto de estatuto que foi aprovado na ocasião.

Debates foram estimulados e a questão mais interessante foi levantada por Youssuf Andraus Gassani, que entendia ser a nova instituição apenas para comerciantes e com o nome Associação Comercial de Uberlândia. Sua proposta foi recusada e o nome ficou Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Uberlândia, ACIAPU. Aceitava não apenas empresários, mas também profissionais liberais. Jacy de Assis, advogado, foi um profissional liberal associado.

Registro de uma das primeiras reuniões da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Uberlândia. Foto: Divulgação

Registro de uma das primeiras reuniões da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Uberlândia. Foto: Divulgação

 

A mensalidade foi outro tema polêmico. José Gonzaga de Freitas e Oscar Miranda propuseram o valor de 5$000 (cinco mil réis) para possibilitar a adesão dos empresários de pequeno porte. Já Gassani e Vicente Maradei defendiam o valor de 10$000 (dez mil réis). A conciliação veio da proposta de Oliveira Guimarães que vinculou o valor da mensalidade ao estoque da empresa. Quem tivesse estoque de valor menor que 10:000$000 (dez contos de réis), pagaria cinco mil réis de mensalidade e aqueles com estoque acima desse valor, pagariam dez mil réis. Esses limites seriam estabelecidos pelo tesoureiro.

Após os debates foi eleita a primeira diretoria com Armante Carneiro, presidente, Tubal Vilela, vice, Carlos de Oliveira Marquez, segundo-vice, secretário geral José de Oliveira Guimarães, primeiro secretário José Rezende Filho, primeiro tesoureiro Aristides Bernardes de Assis e segundo tesoureiro Alcides Borges de Oliveira. Nomearam também um bibliotecário, Eulálio de Ulhoa Cintra.

Coimbra Júnior.
(*) Administrador de Empresas, especializado em Finanças. Trabalha atualmente na Via Travel Turismo. Criou a página História de Uberlândia no Facebook.

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