Projeto que regulamenta entrada de cães e gatos no Bosque John Kennedy é aprovado
qui, 3 de outubro de 2019 05:06por Samara Arruda
Os vereadores derrubaram na última terça-feira, 1º de outubro, o veto do Executivo à proposta que regulamenta o acesso de cães e gatos domésticos ao Bosque John Kennedy em Araguari. O projeto de lei de autoria do vereador Jander Souza Patrocínio (PSB), foi colocado na pauta da sessão da Câmara Municipal em agosto e, após várias discussões a matéria recebeu o voto positivo de 16 edis.
Com a aprovação, a lei dá permissão de entrada ao tutor que cumprir alguns pré-requisitos, como a utilização de coleiras e guias em seu animal de estimação que deve estar acompanhado, além da utilização de coletores ou sacolas para lixo, para limpeza das fezes dos animais. A medida pretende manter a limpeza da reserva florestal urbana, considerada uma das maiores da região.

Com a aprovação, a lei dá permissão de entrada de animais de estimação no Bosque Johnn Kennedy
“O impedimento não tinha respaldo em lei municipal e nem no Código de Postura do Município, o que tornou possível o diálogo sobre o bem estar e o direito dos animais da nossa cidade. A proposta era aparentemente simples, visando beneficiar as pessoas que amam os animais, mas que recebeu o veto do prefeito Marcos Coelho,” afirmou Jander Patrocínio.
O assunto é antigo e havia sido apresentado à Câmara Municipal em janeiro de 2018. Segundo ressaltou o vereador, após receber vários pedidos da população, realizou contatos com o secretário de Meio Ambiente Hamilton Tadeu de Lima Júnior e buscou orientações junto ao presidente da Câmara Municipal, Wesley Lucas de Mendonça (PPS). Além disso, durante suas pesquisas averiguou que o impedimento não tem respaldo em lei municipal ou no Código de Postura do Município. Além da regularização, também foi solicitada a substituição da placa instalada logo na entrada, informando sobre a proibição dos animais, inclusive de alguns esportes.
“Pedi apoio e conversei com os demais vereadores que entenderam minha solicitação e o anseio da população. É importante ressaltar que compreendemos o posicionamento dos dois lados, mas estamos lutando pelo direito dos animais, levando ainda em consideração que no local há vários cães e gatos que ali residem. Aproveito para agradecer o apoio de todos através do seu voto e a vitória é daqueles que não tem voz,” ressaltou.
Na cidade, o assunto divide opiniões. Enquanto os donos de pets acreditam que o local deveria ser livre para os passeios, pois, se trata de um espaço público. Em entrevista, a professora Cátia Oliveira Resende, que reside nas proximidades do Bosque Johnn kennedy, afirmou que a aprovação da lei é vista como algo positivo para os munícipes. “Moro ao lado do Bosque e tenho o costume de fazer caminhadas no local, onde podem ser vistos vários animais em situação de rua andando livremente. Cabe a nós o questionamento: eles recebem alguma atenção da prefeitura, pois, muitos afirmam que poderiam transmitir doenças para os animais domésticos. Com essa aprovação, creio que a gestão municipal também poderá fazer o controle desses animais, além de chamar a atenção de muitas pessoas que não frequentam o Bosque, que é um local tão bonito e tranquilo.”
Enquanto isso, outros afirmam que animais domésticos tendem a interferir no ecossistema do Bosque. Ambientalistas ressaltam que a liberação da entrada de cães e gatos na reserva traria várias consequências, tanto aos animais domésticos quanto à fauna e flora nativa e até mesmo aos seres humanos. A estrutura do Bosque e a manutenção também foram questionadas por araguarinos, que ressaltam ainda a importância de haver uma ação eficaz para evitar até mesmo a entrada de animais em situação de rua que permanecem no local.
“Precisamos falar sobre a segurança das pessoas e a manutenção do local. Sabemos que os animais estarão nas coleiras, mas será que os tutores estarão atentos aos seus animais durante todo o tempo, pois, não serão apenas animais de pequeno porte passeando pelo Bosque, mas de raças consideradas perigosas. Além disso, temos que pensar nos animais silvestres que estão esquecidos pela população. Eles ainda existem no local,” afirmou um estudante que preferiu não se identificar.
A reportagem entrou em contato com a administração municipal para falar sobre o assunto e a justificativa do veto ao projeto de lei. Segundo a assessoria de comunicação, a prefeitura somente irá se manifestar após a elaboração de um novo parecer por parte da Procuradoria Geral do município, que deve acontecer ainda essa semana.
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