Revisão da sentença que condenou trabalhador rural por assassinato será analisada em dezembro pelo TJMG
sáb, 27 de outubro de 2018 05:55Da Redação
Caso envolve a morte de Jéssica Camilo, ocorrida em 2015, no bairro Novo Horizonte
Em agosto de 2017, Marcos Rosa Lopes, o “Caquinho”, pegou 13 anos de prisão no regime fechado, por conta do assassinato de sua mulher, Jéssica Camilo, morta com seis facadas, em outubro de 2015, no bairro Novo Horizonte.
O Ministério Público de Minas Gerais, representado pelo jovem promotor de Justiça Fernando Henrique Zorzi Zordan, não ficou satisfeito com o resultado, apesar de o Júri Popular ter condenado o réu por homicídio qualificado (motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima) e feminicídio (crime praticado contra a mulher no ambiente doméstico).

Marcos foi julgado em agosto do ano passado
** Arquivos
Houve recurso do MP e da própria defesa, pleiteando a revisão da sentença, mas somente em junho último o caso chegou ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais. No mês seguinte, a Procuradoria-Geral de Justiça apresentou o seu parecer. No dia 12 de dezembro, a Sétima Câmara Criminal irá julgar os pedidos, podendo ampliar ou reduzir a pena de Marcos Rosa Lopes, que se encontra recolhido no Presídio de Araguari há exatos 3 anos.
A apelação é o recurso interposto pela parte que se considera prejudicada com a decisão, visando o reexame de matéria examinada em sentença definitiva ou com força de definitiva de primeira instância.
O JÚRI
Pela primeira vez na história de Araguari o Conselho de Sentença do Tribunal do Júri foi formado apenas por mulheres, três professoras, uma servidora pública, uma laboratorista, uma supervisora de crédito e uma auxiliar de coordenação. Elas decidiram pela condenação do trabalhador rural Marcos Rosa Lopes.
Na época, mesmo com o corpo de jurados 100% feminino, o advogado Carlos Alberto Santos considerou como satisfatório o resultado, vez que a pena aplicada ficou próxima da pena mínima. “Ele cometeu o crime por conta da ruptura do relacionamento, motivado pela traição da amada, que saiu de Goiás e, num período de cinco dias, já se relacionava com outro homem”.
O Ministério Público, por sua vez, esperava uma pena maior, entendendo que o réu cometeu um ato covarde, premeditando o crime da mulher que ele tirou da casa dos pais aos 13 anos de idade. “O acusado mentiu, tentando criar uma história bonita. Matou a vítima porque tinha encerrado o relacionamento e ela não queria mais voltar para ele”, disse o promotor Fernando Henrique, que inovou na sessão de julgamento. Ele instalou um aparelho televisor em Plenário e apresentou reportagens de programas da região que abordaram o caso, chegando a comover as integrantes do Conselho de Sentença.
O RÉU
Marcos Rosa Lopes foi interrogado em Plenário durante uma hora pelo juiz Cassio Macedo Silva, presidente do Tribunal do Júri, sendo contraditório em algumas declarações. Disse que no dia do crime procurou a mulher na escola para conversar, pois sabia que estava se relacionando com outro homem. Em outro momento falou que foi ao colégio apenas para se despedir dos filhos e retornar para Goiás.
O réu afirmou que não estava separado de Jéssica e veio à cidade para buscá-la. Segundo ele, a jovem teria falado que sua mãe se encontrava internada e desenganada pelos médicos. No entanto, em Araguari, teria encontrado a vítima com uma pessoa na casa da irmã dela, no bairro Novo Horizonte.
Na fatídica tarde de 7 de outubro esfaqueou Jéssica Camila: “me senti muito humilhado, pois nunca deixei faltar nada em casa e jamais agredi minha mulher”, frisou o acusado, reafirmando estar arrependido de seu ato, até porque estava há quase dois anos sem ver os filhos menores de idade.
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