Meio Desligado – Inelegível
sex, 2 de fevereiro de 2018 05:40
Qual a função de um jornal? Que tipo de responsabilidade um jornal deve ter com a população? Até que ponto o “impopular” e o “popular” influenciam naquilo que será dito pelos jornalistas? Qual o nível intelectual de quem faz os jornais de hoje (e acho que me incluo nessa também)? Até que ponto a ideologia do jornalista pode afetar suas reportagens? Será que conseguimos dimensionar a influência da internet na política, ou o quanto ela pode ser benéfica ou maléfica?

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São dúvidas que vieram a mente ao ler a matéria “Inelegibilidade de ex-presidente Lula aprofunda crise democrática”, publicada pela Folha na edição de 31 de janeiro, assinada por dois diretores do Datafolha. A julgar pelo título, fica subentendido que se Lula pagar pelos seus crimes, algo decididamente comprovado pelo Judiciário (ou os desembargadores do Tribunal Federal da 4º Região passaram horas a fio lendo receita de bolo antes de decidir pela condenação?), é algo que vai provocar uma crise, portanto, ruim. Ao ler a matéria, passa a ser uma certeza.

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Eles defendem que taxa de brancos e nulos é a mais elevada quando se exclui Lula da disputa. Argumentam que as classes mais baixas e pessoas com menos escolaridade tendem a votar branco e nulo por terem dificuldade de usar a urna eletrônica. E também defendem que o desconhecimento dos candidatos não é o desconhecimento dos candidatos, para no fim, dizer que poderemos eleger um presidente rejeitado por até 70% da população. Chega a ser surreal.
É como se a aversão das pessoas ao sistema político como um todo fosse o mesmo que simpatia por Lula. Sou capaz de apostar que este apocalipse não vai acontecer. E surpreende esse tipo de afirmação vinda, olha só, de um instituto de pesquisa de opinião, que melhor do que ninguém foi contestada diversas vezes pelos seus próprios resultados ou viu mudanças bruscas nas corridas eleitorais às vésperas das eleições. Vide Dória, que começou a campanha com 5% derrotando Haddad e Marta Suplicy num primeiro turno histórico.
Afirmar que a prisão de Lula é algo ruim para a democracia, quando na verdade pode justamente ser a possibilidade de tempos melhores na política brasileira, é no mínimo um desserviço para a população, para não dizer que é um claro indício de falência moral e intelectual que representa bem a imprensa brasileira e mundial nos tempos de hoje.
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Dória foi eleito aqui em São Paulo no primeiro turno, mas o que foi histórico, não foi sua vitória e sim o número de votos brancos e nulos, que foram bem maiores que os de João Doria. Em um ano de governo, Doria já amarga uma rejeição maior que a de seu antecessor, Fernando Haddad. De acordo com pesquisas, Doria tem aprovação (pasme) de 17% da população do município.