Fichá Técnica – Fica a dica
ter, 23 de maio de 2017 05:33
Sábado. É dia de festança na capital do café. No tradicional bar à margem da praça, não se fala noutro assunto. No trânsito, a buzina é contagiante. A chuva de bandeiras, camisas e fantasias tinge a rua de grená. Tem até águia no estádio. Guiados pela rainha das aves, os personagens anfitriões são recebidos como heróis. Do lado dos visitantes, estremece a turbulência do incerto. Sem salários e objetivos, apenas nove viajaram para a festa alheia. Um jogo de 22 minutos e um tabu de 24 anos quebrado feito cristal na antiga terra do ouro.
Cidade de Patrocínio. Endereço de mais de 80 mil. Caminho dos bandeirantes e exploradores portugueses a procura de ouro e escravos. Capital do café, de planalto elevado, com direito a córregos, cachoeiras, riachos e cratera misteriosa. Dos tempos áureos do futebol na década de 90. Quis o destino que a mancha grená voltasse a sorrir no último fim de semana. O cerrado mineiro voltou a soprar forte com o retorno do Clube Atlético Patrocinense (CAP) à elite do futebol estadual.
Após 24 anos, o CAP está de volta à primeira divisão do Campeonato Mineiro. A classificação foi sentenciada com antecedência, mas o título da segunda divisão veio na partida diante do Nacional de Muriaé. Foram 12 horas de viagem até chegar a Patrocínio, com apenas nove jogadores, depois que 11 atletas, o técnico e o preparador físico foram dispensados. Com a bola rolando, as adversidades dos bastidores ditaram o ritmo dentro das quatro linhas. Os rivais resistiram até os 22 minutos iniciais, quando perderam o terceiro jogador por falta de condições físicas. Com seis em campo, o árbitro Cleisson Veloso Pereira encerrou a partida.

Após 24 anos, Patrocínio terá time na primeira divisão mineira
A segunda divisão está nas garras da águia do CAP, que também responde por Ademir, Pedrinho, Jackson Five, o artilheiro Quilder e tantos outros nomes. Com 21 pontos, encerram a temporada no topo da competição, acima do Boa Esporte, de Varginha, que também conseguiu o acesso. Reativado em 2016, o time de Patrocínio escreve mais um capítulo de seus 63 anos de história, com um exemplo para muitos vizinhos do Triângulo e Alto Paranaíba.
Com a recente classificação do Uberlândia Esporte para a próxima Série D do Campeonato Brasileiro, o ano de 2018 promete ser de grandes novidades para o futebol da região. Pelo esdrúxulo calendário que permeia pelos campos do interior, muitos dos nomes de hoje não devem estar presentes por aqui amanhã. O desemprego bate à porta de quem passa longe do horário nobre. Ao menos, o povo dessas cidades terá um time profissional a seguir. Fica a dica para os demais.
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