Ficha Técnica – Amanhã a gente tromba
qua, 25 de janeiro de 2017 05:06
“Toda generalização é perigosa, inclusive esta”. A máxima do romancista Alexandre Dumas certamente ditaria o ritmo de um plantão de cidadania. Simples lições, como – sabia que movimento social não é crime? Que sua ideologia não o exime de defender o desfavorável? Que os direitos humanos também são seus, desde que seja humano. Ou que o torcedor do time rival é só um adversário e a opinião contrária não é inimiga? O avião cai, Trump assume os EUA, as Forças Armadas entram no presídio enquanto Drogba negocia com o Corinthians. E tem gente que ainda ousa se confinar numa casa por até três meses sem informação.
Generalizar é personificar todo o desconhecimento. Uma semente com imenso potencial de safras de ignorância, egoísmo e alienação. Nem todo jogador que aceita um caminhão de dinheiro da China é mercenário. Alguma vez o perguntou de onde ele veio? O que seria dele sem o futebol? “Toda unanimidade é burra”, disse certa feita o saudoso tricolor Nelson Rodrigues. Encontre as palavras que precisar, mas jamais pregue peças na estrada de um moleque sonhador.
Generalização deveria constar no código penal. Dois dedos de sabatina e um gole de reflexão. Há muito, discordo da militarização da polícia, mas reconheço que nem todo policial é corrupto, daqueles construídos de austeridade e que exalam intimidação e poder. Aquele olhar sisudo, quando os sentimentos de medo e conforto se misturam, mais parecidos com exímios zagueiros desperdiçados. Saudades de Aldair e até mesmo Lúcio, Júnior Baiano e Odvan. Por incrível que pareça, vocês também fazem falta entre nossos guardiões.
Generalizaram o público, o preço, o sistema e o modo de jogar. Desaprenderam a cuidar das suas próprias feridas. Bom dia! Boa tarde! Como lidas com quem te ama? Dedos sujos apontam novos culpados. Bandido bom é aquele que não pertence à nossa família. O problema é que família a gente não escolhe. Outro dia um amigo me disse – “Quando o Estado falha, o povo se organiza”. O cerne da questão é que nesse jogo, a derrota é de todos nós.

Da entrada do campo do estádio Sebastião César, um pouco sobre mitos e incertezas
De onde estiver serei Brasil, Araguari, Minas Gerais. Terra de Abdala Mameri, Aldo Godoy, Bárbara, Bruna, Ferreira, Gabriel, Gustavo, Lucas, Luciana, Márcio, Maria Eunice, Muílla, Onofre, Pelezinho, Peters, P.O. e Valdivino Alves de Oliveira. De quem veio de berço a quem foi abraçado. De Trem das Gerais a Falcão MC. Do Galo da Comarca ao Tricolor do Bosque. Falhei ao fazer, piorei ao deixar de tentar. Quantas vezes tratei um como todos e fui tratado como a maioria. Entre autor e vítima, herói e vilão, o caviar e o que vier. Entre cortesias e afrontas, sigo meu caminho. Afinal, amanhã a gente tromba.
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