Gestão democrática da escola pública, por Ana Paula de Castro Sousa
sex, 21 de fevereiro de 2014 00:00* Ana Paula de Castro Sousa
A escola é composta pelos alunos, educadores, funcionários, pais ou responsáveis. A participação da comunidade é um meio para atingir um fim, e não um fim em si mesmo. Participação entendida como acompanhamento constante na execução dos projetos da escola.
A efetivação da participação da comunidade na gestão da escola pública tem se dado apenas por meio do voto. O voto para colocar as pessoas no poder é importante, mas não efetiva a democracia. Pois, o Estado tem interesse de atender grupos minoritários. Por isso, é necessário uma efetiva participação da comunidade nos processos de governo tanto da escola como do Estado. A escola seria realmente pública se houvesse de fato uma participação da comunidade na execução de projetos, na execução de tudo o que o Estado propõe. Por enquanto, a escola que chamamos de pública é uma escola estatal. A escola estatal é financiada, legislada e operacionalizada pelo Estado. Sem a participação da comunidade não se efetiva a democratização da mesma. Desse modo, a escola continua como está, ou seja, sempre estatal e não uma escola pública, democrática de verdade.
Alguns pontos são propostos para a democratização, tais como: a democratização se faz na prática; a democratização se torna complexa quando as pessoas adquirem um discurso democrático, mas não conseguem transferir para a prática; a necessidade de repensar a formação do educador; a prática da escola pública está perpassada pelo autoritarismo (é fundamental entender que a participação escolar não depende da concessão de diretores, mas que ela é um direito que deve ser efetivado na prática).
Pode-se questionar sobre o que condiciona o autoritarismo na escola. É ingênuo pensar na escola como sendo uma família cujas relações sejam harmoniosas, e, que dessa forma resolve-se o problema, dado que interesses diferentes compõem a comunidade escolar. É preciso entender a forma do conflito de forma realista. Não há dúvida que na escola pública que vai atender as camadas populares existem interesses sociais comuns entre os gestores da escola e família dos alunos, pois essa comunidade é formada por trabalhadores que vendem sua força de trabalho. Há, porém uma visão moralista que divide os interesses da comunidade escolar no período de greve. Quando há greve a sociedade acusa os educadores de prejudicarem os alunos em seu período letivo. Consequentemente, as famílias não participam desse movimento, perdendo a oportunidade de contribuir para uma melhoria salarial que refletiria na melhoria da própria escola.
Existem dificuldades comuns a toda a comunidade escolar. Essas dificuldades precisam ser identificadas, entendidas para que a ação no sentido de solução venha de todas as partes que compõem a comunidade escolar. Há um obstáculo além da compreensão dos problemas que são as condições objetivas de vida das pessoas envolvidas as quais impedem muitas vezes de sair da área pessoal para interferir nas questões que dizem respeito à escola. Na escola, confrontam-se os interesses individuais e os interesses da comunidade escolar. Daí é preciso entender esse confronto para não cair em atitudes moralistas.
O autoritarismo aplicado na escola tem uma conotação também política que pode ser falada quando o ensino não fornece uma escola pública com qualidade. As pessoas que irão gestar a escola pública sofrem a exigência por uma formação em administração escolar, isto é, técnica. Como se essa técnica fosse resolver os problemas de toda a ordem que existe na escola. No autoritarismo estão presentes fatores ideológicos. A ideologia diz respeito, a todas as concepções que a pessoa tem postas historicamente (não por acaso) e que movem as práticas das pessoas. As ideologias resultam do nosso contexto de vida temos que questioná-la, procurar entende-las afim de não permitir que elas resultem em atitudes constrangedoras na comunidade escolar. Daí, a necessidade de nós descermos ao nível de todas as pessoas para estabelecer um relacionamento permanente sobre as razões de nossas práticas, comportamentos e atitudes no âmbito escolar.
A escola tem que aproximar da comunidade para que ela tenha interesse em participar para descobrir quais são os interesses da comunidade, o que promoveria o desejo da participação. A não-participação está mais ligada a essa busca de interesses do que ao não querer da comunidade. Ao buscar a superação dos condicionantes do autoritarismo na escola a compreensão da existência desses condicionantes leva a pensar formas de superação.
* Graduanda do curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Uberlândia
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