Ficha Técnica – O goleiro e a típica virada araguarina
qua, 21 de dezembro de 2016 05:30
Goleiro de futebol lembra-me prefeito de Araguari. Se inventar demais, estraga. Até os últimos anos, ninguém pediu para sair jogando com os pés, incorporar um líbero e participar do jogo coletivo. Tampouco, quem exigiria daquele senhor envergar o terno Armani, esgotar a última fragrância francesa, estufar o peito e tecer promessas e prazos sem cumprir? A diferença entre o nobre arqueiro e o político é que este, seja o nome qual for, não mais consegue se defender.
Uma cidade sem livraria é um livro sem história. Talvez esse seja o motivo para subestimarem tanto nossa memória. Deveria constar no artigo criminal: agressão verbal travestida de utopia. Lugar dos meus sonhos? Orgulho de Minas Gerais? Tão somente pelas belezas naturais e a alegria de seu povo, do qual muitos deixaram para trás. Aqui, esporte, cultura, educação, também rimam com silêncio, esquecimento, desilusão.
Salve o futebol amador, as conquistas do basquete, a presença e a voz dos alunos na escola, dos artistas na rua e do futuro de tenistas, corredores, lutadores, nadadores e compositores. Muitos destes, apresentados ao poder público apenas depois de aprender a caminhar com os próprios pés, à margem da vista grossa, dedo sujo, olho gordo. Quem sabe um dia, os políticos possam assistir à palestra de um goleiro de 2016 sobre o tema “Como aproveitar a oportunidade de fazer diferente”, e não transformar a fé alheia em somatória de votos.

Quais os votos para o esporte de Araguari em 2017?
No Botafogo, Sidão se agigantou na frente de gigantes para carimbar o passaporte do time para a Libertadores. No Cruzeiro, Rafael espantou a aflição da torcida com a lesão do capitão Fábio e, no Palmeiras, Jailson estreou na elite e desde então, não sabe o que é perder sob o gol que no início era de Prass. No Rio, Muralha chegou e eliminou qualquer concorrência no Flamengo, e na seleção, Weverton foi de substituto a segurança particular no sonho do ouro olímpico. Chances abraçadas como se não houvesse amanhã.
Em Araguari, os dias passam e as oportunidades se repetem nas mãos dos mesmos. Pudera ver um goleiro da elite em ação na cidade, quem sabe numa noite especial e solidária no Ginásio Poliesportivo (nada de show astronômico com super estrutura). Se bem que, pensando bem, esse endereço está fora da programação. Após sete anos consecutivos, a maior praça esportiva estará de portas fechadas na virada de ano. Em meio a beijos e abraços, foguetórios e votos de prosperidade, no esporte da antiga Cidade Sorriso ainda faltam motivos para sorrir.
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