Ficha Técnica – Não era amor, era cilada
qua, 25 de maio de 2016 08:12
Era dia de festa na casa de apostas. Sob uma apoteose midiática, promessas confidenciais pairavam sobre gestos cordiais. Eufóricos. Numa ode ao futuro, apresentaram o novo time para o restante da temporada carente de alternativas. Homogêneo, o esquema jogava a cultura para escanteio e não permitia diferenças entre defensores, articuladores e atacantes. “Adeus negros, mulheres e minorias! Ganhamos fora de campo, mas temos maior torcida e mais jogadores – Apenas cuidado com o exame antidoping, pois se a faceta é nossa, o pato também”.

Lembrança de Marin, ex-presidente da CBF preso nos Estados Unidos, ao lado do novo presidente do Brasil (Foto Agência Brasil)
Com menos de duas semanas no topo da competição, o time travou sua primeira batalha. A maior ameaça estava mais perto que se imaginava, feito zagueiros cabeças de bagre, daqueles desafortunados que vez ou outra jogam contra o próprio patrimônio. Mas nesse caso não era Wallace, David Luiz, Leandro Almeida ou Lucão. O perigo morava em Michel, Romero, Sérgio, Renan e Eduardo. Militares e ministros do Supremo Tribunal Federal também poderiam colocar tudo a perder.
Na manhã do 13º dia, o primeiro embate era anunciado nos jornais. Gravações telefônicas registraram toda a tática da equipe para atacar os adversários. As cartas escondidas sob uma fidelidade quase romântica nas mangas estavam expostas em cadeia nacional. Não adiantava correr de volta para os vestiários. As investigações do doping não livraram nenhuma alma e a principal jogada estava manjada.
Era hora de defender o uniforme que tanto lutaram para envergar. Romantizar a crise. Se explicar na TV aberta que os acolheu de braços abertos. Tirar as armas da cartola. Falar de investidores, da inflação, do desemprego, da alta do dólar, do zika vírus e do mercado financeiro. Lembrar do sítio, do triplex ou das pedaladas. Controlar o incêndio e apaziguar a cobrança da torcida que ainda se eximia de culpa e insistia em acreditar num mundo mágico. Não que o outro time fosse digno de salvação.
Exames antidopings são realizados para detectar o uso de qualquer droga ou medicamento que possa aumentar o desempenho dos atletas numa competição. Nesse caso, a mais perigosa das substâncias chama-se corrupção e é consumida desvairadamente em negócios de dar inveja até na cracolândia. Quem acreditou na extinção desse mal com a entrada do outro time, vive um amor não correspondido às vésperas do Dia dos Namorados. Sentimento frustrado por pessoas que, no futebol, mereciam muito mais que um 7 a 1.
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