Imigrantes ganham espaço no mercado formal e informal de Araguari
ter, 20 de outubro de 2015 08:28por Adriano Souza
Durante quinze dias, a reportagem da Gazeta do Triângulo falou com imigrantes do Haiti e Senegal, pois se tornou rotina suas presenças nas ruas da cidade. O grande número deles em Araguari despertou a atenção principalmente, para saber o que os trouxe até nossa cidade em busca principalmente de emprego.

Samba Niang está em Araguari há 10 meses
Esses imigrantes são vistos no comércio ambulante da cidade, no entanto, boa parte deles chegou em Araguari para trabalhar em um frigorífico e aqueles que foram demitidos, acabaram buscando outra forma de ganhar dinheiro, dessa forma, a cada dia, aumenta o número deles comercializando óculos, carteiras, correntes e relógios nas ruas.
De Senegal, Samba Niang de 32 anos que há dez meses está em Araguari, contou que mora com outros 101 companheiros imigrantes de Senegal e Haiti, que vivem na cidade e trabalham em horários diferentes. “Gostei da cidade, é tranquila e segura, espero um dia trazer minha família para morar comigo, mas no momento não está nada fácil, o dinheiro que eu ganho aqui mando para minha família em Senegal (esposa e dois filhos, 8 e 5 anos de idade) e para mandar o dinheiro, tenho que comprar o dólar e em seguida a moeda do meu país; com a alta do dólar ficou ainda mais difícil” conta ele lembrando que todos os dias fala com a família e suspira profundo justificando que a saudade aperta.
Estivemos também com o senegalês Mamaduo Matar Diope (41). Ele contou que saiu do seu país para trabalhar em um frigorifico da cidade e desde então vem conciliando sua escala de serviço com outro trabalho. Mamaduo disse que as oportunidades de emprego são poucas em seu país e por isso, eles saem em busca de novas chances.
“Falo todos os dias com minha família em Senegal, e praticamente todo dinheiro que eu ganho aqui mando para eles” comentou Mamaduo. Ele lembrou ainda que hoje em Araguari existe cerca de cem haitianos e senegaleses que vivem nas chamadas repúblicas que tem custos baixos.
Através do nosso amigo Mamaduou, a reportagem tentou visitar uma dessas repúblicas, no entanto, coincidiu com datas religiosas de seus países que exigem uma espécie de “sacrifício”, equivalente ao nosso jejum.
Adaptação difícil
A reportagem pesquisou outras cidades brasileiras que também estão recebendo esses imigrantes. No geral, além da documentação, a comunicação ainda é uma barreira para que os senegaleses se integrem ao mercado formal de trabalho. No entanto, apesar da dificuldade, os imigrantes estão motivados a fazer hora extra e trabalhar, mas mesmo assim, as empresas estão dando damos preferência aos brasileiros. Não há mão de obra daqui que queira trabalhar em frigorífico. É um serviço rejeitado por ser frio, repetitivo. E não é muito bem pago. Algumas empresas optam até por buscar trabalhadores no Acre afirmou um especialista.
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