Ficha Técnica – Apito final na resenha
qua, 19 de agosto de 2015 08:21
Cheguei na padaria da dona Dinda logo pela manhã. Como de costume, pedi um café forte e um pão-de-queijo simples, que de comum não tinha nada. Mais generosa que a defesa do São Paulo, a garçonete esbanjou simpatia, mas não escondeu o desencanto. Seu time de coração, a única herança deixada por seu avô Antônio, acabava de ser prejudicado por um erro de arbitragem no domingo que se passava.
Durante uma breve conversa, ela contou um pouco de sua história. Trocamos números de telefones, mas logo fomos interrompidos por Renato. Conectado no 220 em plena segunda-feira de manhã, ele precisou se desdobrar para falar entre um suspiro e outro. Sua indignação tinha nome e sobrenome e abusou do apito que carregava nas mãos – “Calma Renato, tome esse café forte e um pão-de-queijo fresquinho” – amenizou a garçonete.
O pranto que tomava a todos somente foi abreviado quando Carol apareceu. Confesso que esperava outras mil e uma oportunidades melhores para reencontrá-la após tantos anos. Vascaína fanática, parecia mais perdida que a própria arbitragem que esbravejava. Mesmo assim, não perdeu o encanto de sempre ao ser atendida pela garçonete – “Rico come caviar, pobre o que vier”- brincou.
Quem não estava para brincadeira era Nelson, morador do edifício Brasil. Pai de família tradicional brasileira, bem sucedido, xará de um saudoso escritor, parecia alucinado por ter preferido assistir ao jogo em sua TV de plasma, a vestir a camisa desbotada da CBF para protestar por um país mais justo nas ruas. Pobre Nelson, esqueceu daquilo que um sábio Criolo tanto alertava – “Ninguém muda o mundo do sofá da sala” – mas não me venha com selfie na calçada.

Erros de arbitragem voltam a dominar as resenhas do futebol brasileiro
Aos poucos, percebemos que sequer comentamos dos golaços de Luciano pelo Corinthians, ou da ousadia do Goiás em pleno Morumbi. Herança do descaso de um presidiário de luxo na Suíça, ou do desaparecido atual presidente do Circo Brasileiro de Futebol. De que adianta espetáculos lotados e obras de arte em campo, se no final predomina a margem de erro da arbitragem brasileira? Por fim, decidimos acompanhar Nelson em outro protesto, desta vez, pela volta da resenha tradicional de segunda-feira.
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