Araguari fica à frente de São Paulo em mortes por arma de fogo
qui, 9 de janeiro de 2014 01:41DA REDAÇÃO – Em 30 anos, as mortes por armas de fogo no Brasil aumentaram 346%. Em 1980, foram 8.710 vítimas, enquanto que, em 2010, o número saltou para 38.892. O balanço foi feito pelo Mapa da Violência 2013: Mortes por Armas de Fogo, realizado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos e pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais.
Alguns municípios do Triângulo Mineiro matam mais – proporcionalmente ao número de habitantes – do que São Paulo. A capital paulista ficou classificada em 788º lugar (1,1 mil mortes), superada por Uberlândia (514º), Monte Carmelo (536º), Patrocínio (604º), Conceição das Alagoas (610º), Prata (665º), Patos de Minas (728º), Araguari (756º) e Frutal (767º). Uberaba ficou em 793º lugar.
O estudo considerou ocorrências de três tipos: óbitos acidentais, por agressão intencional de terceiros (homicídios), autoprovocados (suicídios) ou de intencionalidade desconhecida, “cuja característica comum foi a morte causada por uma arma de fogo”.
A colocação de Araguari deve-se ao péssimo retrospecto de 2010, quando 20 pessoas foram assassinadas, sendo 16 com o emprego de arma de fogo, a grande maioria em acertos de contas ligados ao tráfico de entorpecentes.
Vulnerabilidade
O Mapa da Violência também mostra que a população jovem é a mais vulnerável. “Entre os jovens, o crescimento da mortalidade por armas de fogo foi mais intenso ainda. Se no conjunto da população os números cresceram 346,5% ao longo dos 30 anos, entre os jovens esse crescimento foi de 414%”, escrevem os autores na publicação.
Entre os jovens, se considerados apenas os homicídios, o crescimento da mortalidade por armas de fogo também foi acelerado (591%). Na população como um todo, a variação foi de 502,8%.
Para o coordenador do estudo, o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, o aumento da violência envolvendo os jovens se deve, entre outras razões, à exclusão da educação. “São pessoas que encontram pouca inserção: não estudam, não conseguem trabalho e sem perspectiva de futuro”, comentou.
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