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qua, 19 de novembro de 2014 00:02

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Uma escalação irregular e muita história a se contar

Uma escalação irregular e muita história a se contar

É bizarro, a cada dia espanto-me mais com essa civilização. Sábios ganham a arte nas ruas, outros as fazem de abrigo, e têm aqueles que as invadem para defender a intervenção militar. Nesse caso, inveja-me o elefante e sua memória. Parece obra de cinema, mas pra quê tanto esquema? Vai ver é o mundo que, assim como o futebol, deságua em seus dilemas.

Lembro quando um grupo de vencedores sujou os uniformes para se manter na elite do futebol brasileiro pelo terceiro ano consecutivo. Era uma singela homenagem ao maior ídolo da instituição. De jovem sapateiro órfão aos 12 anos, a herói da Copa de 1958, Djalma Santos correu demais para testemunhar o que viria em seguida.

As chuteiras e camisas davam lugar a ternos e sapatos, os gramados se tornaram plenários, e o principal torneio do país era decidido no tribunal. Impiedoso como um 7 a 1, o placar foi de 5 votos a 0. Os esforços foram em vão, e as portas da segunda divisão convidavam para uma tragédia anunciada.

A escalação irregular de um jogador fez daquele grupo o protagonista de uma das páginas mais obscuras em 94 anos de história. Se apoiar em muletas não seria o bastante, e a queda à terceira divisão era iminente, principalmente quando o perigo mora ao lado.

Às vésperas do desfecho dessa temporada, o dilema ganha uma revelação. De dentro da quinta maior potência paulista, seis mentes pisaram na paixão de milhões e venderam a valiosa vaga na primeira divisão, admitindo a escalação irregular. Em tempos de redes sociais, não se espante se um telefonema for mais surpreendente que uma declaração de amor. Melhor ainda, se do outro lado da linha vierem as respostas para uma mera pergunta. Quem pagou a Associação Portuguesa de Desportos?

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