Safra 2014/2015 tem início de plantio
qui, 16 de outubro de 2014 00:12O agronegócio esse ano passou por dificuldades climáticas, e, agora, em outubro, inicia o plantio da safra 2014/2015. A seca do início do ano deve refletir na próxima safra. Outro fator que interfere nas expectativas é o cenário político – com as eleições, o setor aguarda para tomadas de decisão. Para falar sobre o assunto, entrevistamos o controller da Cia da Terra, empresa de consultoria agrícola e distribuidora de sementes e insumos, para expor as expectativas do setor em torno dos próximos meses.
Ares – Como se encontra o setor agropecuário nesse momento pré- safra?
Fábio Sangenetto – Nenhum ano é igual ao outro no ramo agropecuário, pois as condições que regem esse setor são as mais diversas e um ano com mudança política cria expectativas e temores sobre o futuro. O setor está mais conservador para tomada de decisão nesse ano, demorando mais do que os períodos anteriores para realizar suas compras de insumos e ainda fazendo ajustes para as culturas pretendidas. O fato é que os plantios ocorrerão, pois o produtor é dependente da receita gerada no campo e há uma sociedade e cadeia a ser abastecida. Tudo indica que os próximos três meses serão bem agitados.
Ares – Quais as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais em 2014? Haverá reflexo em 2015?
Fábio – As maiores dificuldades foram em decorrência do clima, com maior impacto na safra de verão 13/14, e ainda com reflexos na segunda safra com maior intensidade em algumas áreas. O impacto é direto para 2015, pois o crédito fica mais apertado – uma vez que muitas renegociações com bancos e empresas foram necessárias em função da produção. Tudo depende da região atingida, material utilizado, condução da lavoura, grau de tecnologia aplicada, investimentos na área e a própria postura do produtor com visão empresarial de seu negócio.
Ares – Quais são as expectativas para a próxima safra?
Fábio – As expectativas estão sob atenção. Não é hora de desespero, nem de comemorações, muito menos de especulação. Acompanhar o mercado e ainda ser conhecedor dos seus custos é de fundamental importância nesse momento.
Ares – Quais culturas devem ter destaque?
Fábio – As culturas de maior impacto em nossa região têm como destaque o café, milho e a soja. O que vem ganhando espaço e sendo uma boa opção também é o girassol na segunda safra, que requer menor investimento e tem trazido bons resultados de produtividade e preços. Mas, para o plantio, precisa de planejamento.
Ares – O agronegócio é imprevisível por sofrer impactos diretos de fatores não previsíveis, como o clima. É possível torná-lo mais seguro?
Fábio – O produtor tem que tratar o seu negócio como um projeto empresarial. Ele contém diversas fases, do pré-plantio até a colheita, e por isso o planejamento é de total importância. As visões técnicas e financeiras têm que ser alinhadas e é preciso traçar os cenários. É um setor muito dependente do planejamento, pois a otimização da área na escolha dos materiais que nela serão plantados interfere nos anos seguintes, influenciando no solo, no tempo em que as culturas duram, na rotatividade entre elas e nas possíveis adversidades que cada uma traz, assim como oportunidades. Muitos produtores deixaram o setor por subestimar o planejamento e sua capacidade de operação. Sempre temos que ter em mente e no papel: um cenário ruim, um cenário conservador e um positivo, porém com bases bem sólidas e de acompanhamento de mercado. Uma boa consultoria nestas horas faz diferença e deve ser levada como investimento e não como despesa.
Ares – Como o produtor rural pode se resguardar de possíveis imprevistos?
Fábio – Planejando; analisando quando investir e quanto investir, quando ser conservador em tecnologia e entender quais as reais expectativas de produtividade sobre esta. Ser incansável na busca por informações e atualizações e buscar os profissionais adequados que o ajudarão a suprir suas necessidades e auxiliar nos dados e orientações para que este possa tomar as decisões mais corretas para o momento. Todos reconhecem que o produtor tem domínio de sua operação, mas humildemente vale refletir que “um novo olhar sempre é preciso… pois sempre estamos à procura de respostas e ainda não aprendemos a fazer as perguntas certas.”
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