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CUFA Araguari realiza fase regional feminina da Taça das Favelas 2026

qui, 17 de setembro de 2026 08:00

Da Redação

Foto 1: Seleções femininas participam da fase regional da Taça das Favelas 2026 em Araguari.

A CUFA Araguari realiza, neste domingo (20), a fase regional feminina da Taça das Favelas 2026. A competição reunirá seleções femininas de comunidades de oito cidades mineiras: Araguari, representada pela comunidade Jockey Club e anfitriã da etapa; Uberlândia, pela Morada Nova; Patrocínio, pela Serra Negra; Nova Ponte, por São Miguel; Montes Claros, por Vitória 2; Santa Cruz de Minas, por Cascalho; Patos de Minas, pelo Jardim Esperança; e Vazante, pelo Novo Horizonte.

Na edição de 2025, Patos de Minas conquistou o título, enquanto Araguari ficou com o vice-campeonato. Neste ano, com a participação de um número maior de equipes, a expectativa é de uma disputa ainda mais acirrada entre as seleções.

As finais serão realizadas no Espaço CUFA, localizado na Rua dos Portadores, nº 20, no Bairro Goiás, a partir das 15 horas. Os jogos serão transmitidos ao vivo pelo canal da CUFA Araguari nas redes sociais e pela Web TV.

O Projeto Esportivo Taça das Favelas Minas – Fase Regional, executado pela CUFA Araguari, é viabilizado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, por meio da Lei Estadual de Incentivo ao Esporte de Minas Gerais, com patrocínio da marca Guaraná Antarctica e apoio institucional da TV Integração. A iniciativa possibilita que empresas destinem o saldo do “ICMS Corrente” para a realização de atividades esportivas gratuitas para a população.

Segundo a diretora-presidente da CUFA Araguari, Maluh Pereira, a competição feminina tem como objetivo não apenas promover a prática esportiva, mas também ampliar a discussão sobre o papel da mulher na sociedade brasileira.

“A proposta da competição feminina vai muito além de apenas realizar uma competição, a ideia é também discutir o papel da mulher na atual sociedade brasileira. A situação social da mulher no Brasil é marcada por avanços significativos em áreas como educação e direitos legais, mas persistem barreiras profundas ligadas à desigualdade de gênero, à divisão sexual do trabalho e à violência.”

Maluh destaca que, apesar dos avanços, as mulheres ainda enfrentam desigualdades em diferentes áreas. De acordo com ela, elas representam cerca de 51,8% da população e apresentam índices de escolaridade e participação no ensino superior superiores aos dos homens, mas continuam sub-representadas em espaços de poder e expostas a vulnerabilidades sociais.

No esporte, a trajetória feminina também foi marcada por exclusão, preconceito e dificuldades para conquistar espaço. A diretora lembra que o esporte moderno foi estruturado durante muito tempo a partir de uma visão que considerava o corpo feminino inadequado para determinadas atividades físicas. No Brasil, entre as décadas de 1940 e 1970, decretos oficiais chegaram a proibir mulheres de praticarem modalidades consideradas incompatíveis com a chamada “natureza feminina”, entre elas o futebol, o halterofilismo e as lutas.

Com a revogação dessas proibições, as mulheres passaram a ampliar sua participação nas competições esportivas, embora questões como acesso à infraestrutura, apoio escolar e patrocínios tenham permanecido como obstáculos por muitos anos.

Entre os desafios atuais, Maluh cita o abandono precoce da prática esportiva por meninas durante a adolescência, relacionado à falta de incentivo, às pressões estéticas e à dupla jornada de tarefas. Ela também aponta a desvalorização das atletas, as diferenças financeiras e a cobertura midiática que, em alguns casos, dá mais atenção à aparência física do que ao desempenho esportivo.

Outro ponto destacado é a baixa presença feminina em cargos de liderança no esporte, como comissões técnicas, arbitragem e gestão. Ao mesmo tempo, a participação das mulheres em grandes eventos esportivos cresceu ao longo dos anos, com maior presença e protagonismo em competições internacionais.

Para Maluh, atletas como Rebeca Andrade, Marta e Simone Biles representam referências para novas gerações e contribuem para ampliar a visibilidade e a representatividade feminina no esporte. Nesse contexto, a Taça das Favelas busca unir competição, inclusão e incentivo à participação das mulheres por meio do futebol.

 

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