CONTADOR EXPLICA – 14 DE AGOSTO
sex, 14 de agosto de 2026 08:00
CLEITINHO SERÁ O “REI” DE MINAS? E QUEM É RESPONSÁVEL PELA NOSSA SAÚDE MENTAL | NR-1?
Será que Cleitinho Azevedo será o próximo governador — ou, provocativamente, o novo “Rei de Minas | Rei do Leite | Rei do Queijo”?
Quem olha apenas para as pesquisas pode acreditar que sim. Mas a história recente do senador mineiro traz uma reflexão que ultrapassa a política e chega diretamente às empresas brasileiras: até onde vai a responsabilidade do empregador pela saúde mental do trabalhador?
Em dezembro de 2025, pesquisa Real Time Big Data mostrava Cleitinho com 38% das intenções de voto, contra 18% de Alexandre Kalil. Uma vantagem de vinte pontos. Ao mesmo tempo, havia um sinal de alerta: 42% dos entrevistados afirmavam que não votariam nele.
Em julho de 2026, Cleitinho continuava liderando os cenários de primeiro e segundo turno pesquisados pela Quaest. Então aconteceu algo que pesquisa eleitoral nenhuma consegue medir em porcentagens.
No dia 18 de julho, morreu seu irmão, Matheus Augusto Azevedo.
Pouco depois, Cleitinho anunciou que não seria candidato ao Governo de Minas. O presidente nacional do Republicanos afirmou que a decisão havia sido tomada espontaneamente diante do “momento difícil” vivido pelo senador. Dias depois, nova reviravolta: Cleitinho retornou à disputa e sua candidatura foi confirmada.
Podemos afirmar que a perda do irmão determinou suas decisões? Não. Podemos diagnosticar sua saúde mental? Também não. Mas podemos reconhecer algo óbvio: antes de existir o político Cleitinho, existe o ser humano Cleitinho.
E é exatamente aí que essa história encontra a realidade das empresas.
Imagine um(a) colaborador(a) que perde um irmão ou outro ente querido, enfrenta problemas familiares, uma separação conjugal traumática, endividamento, doença dos pais, conflitos dentro de casa, dificuldades com os filhos, dependência em jogos e apostas — como as BETs-, dívidas impagáveis, perseguição ou ameaças de agiotas, problemas judiciais ou uma grave crise financeira.
Ele não deixa tudo isso no estacionamento quando bate o ponto.
Pode dormir mal, perder concentração, mudar de comportamento, reduzir sua produtividade e apresentar sofrimento emocional. Assim falhar nas tarefas!
Agora vem a pergunta incômoda: tudo isso é responsabilidade do patrão?
A discussão ganhou ainda mais importância com a NR-1 e a inclusão dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho no gerenciamento dos riscos ocupacionais.
E aqui precisamos separar responsabilidade de culpa.
A empresa tem responsabilidade sobre o ambiente que oferece. Assédio moral, humilhações, pressão abusiva, sobrecarga, jornadas inadequadas, metas impossíveis, conflitos organizacionais e outras condições relacionadas ao trabalho precisam ser identificadas, prevenidas e corrigidas.
Mas a empresa não administra casamento, família, dívidas, apostas, luto ou a vida particular de seus colaboradores. O sofrimento pode aparecer no trabalho sem necessariamente ter sido causado pelo trabalho. Essa diferença parece pequena, mas poderá se transformar em uma das maiores discussões trabalhistas dos próximos anos.
Também não podemos cair no extremo contrário. Dizer que todo problema é “da vida pessoal do funcionário” seria uma maneira conveniente de esconder ambientes profissionais tóxicos. Se o trabalho está adoecendo pessoas, a empresa precisa agir.
O caminho razoável está no meio: acolher sem presumir, prevenir sem assumir culpa automática e investigar antes de concluir.
Talvez Cleitinho se torne governador. Talvez seja mesmo coroado pelas urnas como o novo “Rei de Minas”; “Rei do Leite” ou “Rei do Queijo”. A eleição ainda será decidida pelo eleitor — e pesquisa é fotografia do momento, não resultado de urna.
Mas sua história recente deixa uma reflexão muito maior que uma eleição.
Senador, governador, empresário ou empregado: somos seres humanos antes da profissão. Amanhã é dia peregrinação, viva dia 15 de agosto de 2026.
A vida pessoal entra conosco pela porta da empresa todos os dias.
A NR-1 deve proteger o trabalhador dos riscos provocados pelo trabalho. O grande cuidado será não transformar o empregador em responsável por todas as dores provocadas pela vida.
Porque saúde mental merece responsabilidade.
Mas responsabilidade não pode virar sinônimo automático de culpa.
Rodrigo Almeida Rodrigues – CEO Fundador In Companny Contabilidade
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