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Café do Cerrado Mineiro: qualidade, sustentabilidade e um novo olhar para o futuro

sex, 14 de agosto de 2026 08:00

Da Redação

Foto 1: Produtores da Região do Cerrado Mineiro, referência nacional na produção de cafés de qualidade.

A cafeicultura do Cerrado Mineiro está prestes a iniciar mais uma etapa de valorização da produção regional. No dia 17 de agosto, serão abertas as inscrições para a 14ª edição do Prêmio Região do Cerrado Mineiro, que, além de reconhecer os cafés de maior qualidade da safra, traz uma proposta nova: olhar também para o que acontece dentro das propriedades e para as práticas que podem garantir um futuro mais sustentável para a atividade.

Promovido pela Federação dos Cafeicultores do Cerrado, com apoio do Sebrae Minas e da Fundação de Desenvolvimento do Cerrado Mineiro (Fundaccer), o prêmio reúne produtores, cooperativas, especialistas em avaliação sensorial, exportadores e compradores nacionais e internacionais, fortalecendo a conexão entre quem produz e os diferentes mercados consumidores.

As inscrições seguem até 23 de setembro de 2026 e serão realizadas por meio das cooperativas e associações participantes da Federação dos Cafeicultores do Cerrado.

A novidade que mais chama atenção nesta edição é o Prêmio Futuro Regenerativo, criado para reconhecer propriedades que já adotam práticas voltadas à regeneração ambiental, social, econômica e produtiva. A proposta é valorizar iniciativas que contribuam não apenas para a sustentabilidade da lavoura, mas também para a conservação da paisagem, a qualidade de vida das pessoas e a continuidade da produção no território.

O novo reconhecimento integra o movimento “Um Futuro Regenerativo para o Café” e terá uma metodologia própria. O produtor interessado deverá responder a um formulário digital sobre as práticas desenvolvidas em sua propriedade. A partir das informações fornecidas, será calculado um score de sustentabilidade.

A seleção terá ainda uma etapa presencial. As cinco propriedades que apresentarem os melhores resultados serão visitadas por uma equipe de auditoria, que fará a verificação das práticas diretamente nas fazendas. A medida busca conferir maior consistência ao processo e aproximar a avaliação da realidade vivida pelos produtores.

A premiação financeira também é significativa. Os três primeiros colocados dividirão R$ 40 mil: R$ 30 mil para o vencedor, R$ 7 mil para o segundo colocado e R$ 3 mil para o terceiro.

Para Juliano Tarabal, diretor executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, o novo prêmio acompanha uma transformação que já vem acontecendo nas propriedades. A intenção é reconhecer produtores que estão colocando em prática uma cafeicultura regenerativa e mostrar essas experiências como parte do futuro da produção.

A qualidade continua no centro da premiação

Embora traga novas perspectivas, o prêmio mantém sua tradição de reconhecer a excelência dos cafés produzidos na Região do Cerrado Mineiro. Nesta edição, os produtores poderão participar nas categorias Café Natural, Cereja Descascado, Fermentado e Doce Cerrado Mineiro.

Também permanecem os reconhecimentos especiais que já fazem parte da programação, entre eles o Troféu Escola de Atitude, voltado a iniciativas educacionais com impacto social, e o Troféu Atitude Sustentável, que destaca práticas agrícolas e socioambientais entre os finalistas.

Outro destaque é o Elas no Cerrado, que valoriza a presença e a contribuição das mulheres na cafeicultura regional. As amostras inscritas em nome de produtoras nas categorias Natural, Cereja Descascado ou Fermentado concorrerão automaticamente ao reconhecimento.

Na categoria Doce Cerrado Mineiro, a avaliação será realizada por um júri especializado, seguindo o protocolo Coffee Value Assessment (CVA), da Specialty Coffee Association (SCA). A análise levará em consideração, entre outros aspectos, a doçura e a fidelidade ao perfil sensorial característico dos cafés produzidos na região.

Da propriedade para o mercado

Depois do período de inscrições, as amostras passarão por uma etapa de validação e conferência documental. Em outubro, serão realizadas as avaliações sensoriais e o ranqueamento dos melhores lotes. A cerimônia oficial de premiação está prevista para novembro.

Para os produtores, o reconhecimento não fica restrito ao troféu. Os cafés mais bem classificados também terão oportunidades diferenciadas de comercialização.

Nas categorias Natural, Cereja Descascado e Fermentado, os três primeiros colocados receberão uma premiação comercial vinculada à cotação da Bolsa de Nova York. Os campeões terão como referência Nova York + 300; os segundos colocados, Nova York + 200; e os terceiros, Nova York + 120.

Já na categoria Doce Cerrado Mineiro, seis cafés selecionados pelas cooperativas participantes receberão o equivalente a Nova York + 50.

Os nove melhores lotes das categorias Natural, Cereja Descascado e Fermentado também participarão do Leilão Solidário, com uma saca disponibilizada por lote. A iniciativa tem ainda um caráter social: 40% do valor arrecadado será destinado ao Troféu Escola de Atitude, apoiando projetos educacionais com impacto social na Região do Cerrado Mineiro.

Além do leilão, os cafés poderão ser disponibilizados em plataformas on-line e em modalidades de reserva para o mercado interno. Na categoria Doce Cerrado Mineiro, os seis cafés selecionados pelas cooperativas serão destinados a um processo de reserva exclusivo para parceiros, com 20 sacas por lote.

Uma região que busca produzir pensando no amanhã

A Região do Cerrado Mineiro tem uma história diretamente ligada à construção de uma identidade própria para o café brasileiro. Primeira Denominação de Origem (DO) de café reconhecida no país, a região reúne 55 municípios, cerca de 250 mil hectares cultivados e aproximadamente 4.500 produtores certificados.

A produção regional se apoia em conceitos como origem controlada, rastreabilidade, governança e sustentabilidade. A criação do Prêmio Futuro Regenerativo amplia esse caminho ao colocar em evidência uma questão cada vez mais importante para a cafeicultura: como produzir bem hoje sem comprometer as condições de produção das próximas gerações.

Assim, o 14º Prêmio Região do Cerrado Mineiro chega com uma proposta que vai além da disputa pelos melhores cafés. A xícara continua sendo fundamental, mas passa a dividir espaço com a história por trás dela: o produtor, a propriedade, as escolhas feitas no campo e a capacidade de construir uma cafeicultura que seja, ao mesmo tempo, produtiva, competitiva e responsável.

As inscrições estarão abertas de 17 de agosto a 23 de setembro de 2026, por meio das cooperativas e associações participantes. O regulamento e as informações completas podem ser consultados em cerradomineiro.org/premio.

 

 

 

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