Momentos da história, por Inocêncio Nóbrega
qua, 30 de abril de 2014 00:00* Inocêncio Nóbrega
Assisti às comemorações alusivas ao Sesquicentenário da Independência do Brasil, em 1972. Sobraram incentivos oficiais, faltou entusiasmo do povo. Vivíamos o pleno apogeu da ditadura, com o general Garrastazu Medici no Palácio do Planalto. Difícil a conjuntura política da época, ante o cerceamento das liberdades, patriotas padecendo de torturas nas masmorras, ou sofrendo implacáveis perseguições, e outro tanto no exílio, impedidos, portanto, de volverem ao chão de sua Pátria.
Não obstante implacável censura à imprensa, espontâneos ou por imposição, muitos de nossos periódicos publicaram extensas matérias de primoroso conteúdo histórico. Fui feliz em tê-los, representando cada estado ou região, em meu acervo. São centenas deles, que os guardo para posteridade. Pormenorizam recônditos episódios, localizados ou de forma nacional, relativo à campanha independencista. Heróis, mártires e exércitos inteiros, constituídos de homens e mulheres, aqueles que não aparecem nos livros didáticos e convencionais. Foram tirados do anonimato e descritos sob uma linguagem sutil e compreensível, dada a conjuntura política da época. Não resisti e pus à disposição do público leitor, em todas as minúcias, através de “Independência! No Grito e na Raça”, de minha autoria, consolidando interessantes matérias.
Vivemos um novo momento. A primavera da democracia voltou, com todas as suas flores, a liberdade e o trabalho pelo desenvolvimento do País. Em razão dos 50 Anos do Golpe Militar renovo a intenção de colecionar jornais, que se reportarem a registros de triste lembrança dos fins de março-abril de 1964. Conseguido o intento, teremos em nossas mãos farto material para estudo e análise comparativa entre as duas passagens da nossa história. Mediremos, ainda, a coragem e o espírito cívico de nossos companheiros de imprensa entre esses dois tempos do Brasil republicano.
Ninguém deseja, na verdade, voltar às trevas de um militarismo insano, de que foram cúmplices muitos civis. Não aceita, também, a descabida ingerência de mandantes internacionais, os quais capitanearam a triste data de 1º de abril. Sem a força das Comissões da Verdade de setores reacionários e militares despidos de patriotismos. Prova disso o assassinato, recente, do oficial do Exército e torturador, Paulo Malhães, em circunstâncias tão próximas aos algozes de Che Guevara, os quais tiveram suas vidas abruptamente ceifadas, não por vingança, pelo delitos que cometeram, e sim por justiça da própria natureza.
* Jornalista
inocnf@gmail.com
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