Coluna: Neuropsi (26/06)
sex, 26 de junho de 2020 01:19
1-Quando um amor se torna obsessão?
As fragilidades emocionais de uma pessoa podem se tornar intensas a ponto de desenvolver dependência em relação a outra pessoa. Esta pessoa pode até continuar dando o nome de amor para o que sente pelo outro, pode achar que ama demais, mas na verdade deixou de ser amor no momento que a dependência se inicia. Amor significa troca saudável entre duas pessoas. Quando alguém passa a se comportar de forma a prejudicar o outro, na verdade, há uma confusão de sentimentos, mas com certeza não se trata de amor.
2-A pessoa que se torna obsessiva não consegue perceber?
Muitas vezes até percebe uma intensificação de sentimentos, mas ela acredita que se trata de muito amor, pode até acreditar que o outro deva ser grato a este amor e dedicação, e teria a obrigação de corresponder a tanta emoção. Mas o que ela acha que seria dedicação na verdade é obsessão.
3-Como agir em caso de separação?
Com muita cautela e respeito. Esta pessoa está sofrendo, não pelos motivos que ela acredita, como também a solução dos seus sofrimentos não seria o que ela gostaria (manter o outro ao seu lado), mas sua percepção está contaminada pela obsessão e terá dificuldade em compreender a realidade.
4-Há poucas chances de manter uma relação saudável?
Enquanto esta obsessão se mantiver, esta pessoa exigirá correspondência da outra parte na mesma intensidade que ela. Isto não é possível. Mas caso ela entre em tratamento, em psicoterapia, é possível que supere estas dificuldades e volte a se relacionar de forma saudável.
5- E os pais que possuem uma obsessão amorosa pelos filhos?
Existem pais que cercam os filhos de todos os jeitos, não permitindo que eles tenham o seu próprio espaço. Talvez este seja o momento de os filhos retribuírem e encontrarem formas de deixar claro que as inseguranças dos pais não devem bloquear o seu desenvolvimento. Muitas vezes os filhos se veem obrigados a serem mais maduros que seus pais, e encontram formas de mostrar a eles, a importância de que vivam suas vidas com independência. Caso não consigam sozinhos, sempre podem contar com a ajuda de um psicólogo.
6-Qual o nome clínico da obsessão?
Este comportamento pode se encaixar em dois quadros; é preciso a avaliação de um psicólogo para identificar cada caso:
TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo.
Transtorno de personalidade dependente.
7- E o tratamento?
A psicoterapia ajudará esta pessoa a identificar suas fragilidades emocionais, quando isto começou e também a desenvolver novos comportamentos.
As sessões com psicólogo acontecem uma vez por semana. Nas primeiras sessões, o psicólogo conhecerá o caso, talvez faça perguntas de forma a entender o que realmente se passa com esta pessoa. O terapeuta aplica técnicas de forma a reestruturar os pensamentos desta pessoa obsessiva, o que chamamos de reestruturação cognitiva, e a ajudará a identificar formas mais sensatas de lidar com as pessoas ao seu redor.
8-Qual a origem do comportamento obsessivo?
As fragilidades emocionais podem ser decorrentes a quadros psicológicos mais graves como síndrome do pânico, ansiedade generalizada, depressão, mas também podem ser uma característica desta pessoa que de alguma forma se acentuou em algum momento de sua vida.
9-O trauma amoroso pode gerar obsessão?
Traumas costumam ser o gatilho de uma série de sintomas emocionais e comportamentais. A obsessão é uma das possibilidades. Perder alguém pode deixar marcas, esta pessoa pode imaginar que está perdendo todas as pessoas queridas à sua volta e na tentativa (errônea) de contornar isso ela se agarra de forma a receber o efeito contrário – pois as pessoas, objetos de sua obsessão, costumam se sentir muito incomodadas e podem tentar se afastar.
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