47 anos depois, “SD. Machado” lamenta missão fracassada em Catalão
sex, 19 de fevereiro de 2016 08:36por Adriano Souza
Vinte e seis soldados do 2º Batalhão Ferroviário de Araguari guardam na memória um fato ocorrido em suas vidas na década de 60, quando receberam ordens do comando para seguirem fortemente armados em dois Jeeps e um caminhão para a cidade de Catalão (GO) a fim de prender integrantes do comando da Vanguarda Armada Revolucionária denominada Palmares que teria assaltado um cofre com US$ 2,16 milhões do ex-governador Ademar de Barros, uma ação armada comandada em 1969. Uma das integrantes do comando era a atual presidente Dilma Rousseff (PT).

Aos 68 anos, José Reinaldo Machado recorda detalhes da missão que poderia ter consagrado militares araguarinos em plena revolução.
Um dos soldados que participou da operação foi o araguarino José Resende Machado, 68 anos, na época “SD. Machado”, que contou detalhes da missão dada à eles. “Seguimos fortemente armados para prender os integrantes do comando que acabou fugindo assim que chegamos na cidade”, comentou Machado com ar de decepção pessoal por não obter sucesso juntamente com os demais companheiros na missão dada pelo comando. A reportagem identificou outros araguarinos que estavam entre os vinte e seis enviados para Catalão, mas não foi possível concluir os contatos.
Quem estava à frente do Comando dos Palmares, era o capitão do Exército Carlos Lamarca. Ele deixou em 24 de janeiro de 1969 o quartel de Quitaúna, em São Paulo, com 63 fuzis FAL, algumas metralhadoras leves e muita munição. O capitão militava na organização Vanguarda Popular Revolucionária quando decidiu desertar do Exército e iniciar um foco guerrilheiro para lutar contra a ditadura no país — instalada com o golpe de 1964.
Lamarca separou-se da mulher e dos filhos que foram enviados para Cuba na véspera de sua deserção.
O capitão viveu clandestinamente por dez meses em São Paulo, antes de seguir para o Vale da Ribeira, com mais 16 militantes, a fim de realizar um treinamento em guerrilha. Em maio de 1970, a região foi cercada por tropas do Exército e da Polícia Militar. Houve combates, mas Lamarca conseguiu escapar. Quatro guerrilheiros foram presos na operação. De volta a São Paulo, planejou e comandou ações armadas. Ficou dois anos e oito meses na clandestinidade. Em 1971, saiu da VPR e passou a fazer parte do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). Em junho do mesmo ano, foi para o sertão da Bahia, no município de Brotas de Macaúbas, com a missão de estabelecer uma base do MR-8 no interior. Com a prisão em Salvador, no mês de agosto, de um militante que conhecia seu paradeiro e a localização de um aparelho onde se encontrava Iara Yavelberg, companheira de Lamarca desde 1969 (Iara suicidou-se com um tiro de revólver no dia 23), os órgãos de segurança iniciaram o cerco à região.
Depois de um tiroteio entre a polícia e os irmãos de José Campos Barreto, o Zequinha, que acompanhava Lamarca, os dois iniciaram uma fuga pela caatinga, percorrendo cerca de 300 quilômetros, em 20 dias. Em 17 de setembro de 1971, Lamarca e Zequinha descansavam à sombra de uma árvore quando foram mortos por homens do Exército. Em 13 de junho de 2007, a Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, aprovou uma promoção especial para Lamarca. A Maria Pavan Lamarca, viúva do ex-capitão, foi concedida pensão equivalente ao soldo de um general. A comissão autorizou ainda o pagamento de R$ 300 mil em indenização para Maria e para os dois filhos de Lamarca, César e Cláudia, como compensação financeira pelo tempo que passaram no exílio em Cuba, de 1969 a 1979.
A história contata pelo araguarino José Reinaldo Machado, foi dada a partir da visão do ex-marido de Dilma, Carlos Araújo, ao jornal Zero Hora em 2009, onde foi contada ainda a história de José Serra, por sua mulher, Mônica Allende, que o conheceu no exílio, no Chile.
A presidente Dilma Roussef participou, sim, do assalto ao cofre do ex-governador Ademar de Barros, uma ação armada comandada em 1969 pelo seu futuro marido, o ex-deputado Carlos Araújo, em 1969, numa imponente mansão do bairro Santa Tereza, no Rio de Janeiro. Ademar de Barros, ex-governador de São Paulo, foi o fundador da atual Rede Bandeirantes de Rádio e TV. O primeiro dos Saad foi seu genro. Dilma Roussef não gosta de falar sobre o episódio. Sua biografia no site de campanha e nos programas de rádio e TV omite totalmente o passado terrorista da petista.
Quem contou os detalhes do assalto foi o próprio ex-deputado Carlos Araújo, que na época liderava com Dilma Roussef a organização terrorista VAR Palmares, na época aliada estratégica da VPR, grupo liderado pelo ex-capitão Carlos Lamarca. O ex-deputado do PDT, 72 anos, vive na mesma casa de sempre, na Assunção, Porto Alegre, mas sua atual mulher, a terceira, Nize Pacheco, mora na sua própria casa. Dilma foi a segunda mulher de Araújo. Cada uma de suas ex-mulheres lhe deu um filho.
Na reportagem, de 2009 ao Jornal Zero Hora, Carlos Araújo contou que eles roubaram o cofre com tudo dentro, usando um sistema de roldanas. Depois ele foi aberto com a ajuda de maçaricos. Dentro dele estavam US$ 2,16 milhões. Onde foi parar o dinheiro? conta Carlos Araújo. “Demos US$ 1 milhão ao embaixador da Argélia, para ajudar exilados brasileiros em Argel. O restante foi usado na luta armada” comentou. O assalto acabou provocando um racha entre Araújo-Dilma com o grupo de Carlos Lamarca.
Por outro lado, segundo uma reportagem da revista Piauí de abril de 2009: “Nem Dilma nem Araujo participaram da ação, mas ambos estiveram envolvidos na sua preparação.” Eles não estavam no local no momento do roubo, e Franklin Paixão de Araújo afirma que foi ele que levou, de Porto Alegre , o metalúrgico Delci Fensterseifer para abrir o cofre com maçarico.
Ainda segundo a revista Piauí, “Carlos Franklin Paixão de Araújo deu um depoimento no Dops de SP onde declarou que ficou em seu poder com 1.2 milhão de dólares, dividido “em três malas de 400 mil dólares cada uma” e que o dinheiro ficou aproximadamente uma semana, “em um apartamento à rua Saldanha Marinho, onde também morava Dilma Vana Rousseff Linhares “. Araújo não quis comentar o depoimento ao Dops. E nem outros, como um de Espinosa, que fala em 720 mil dólares terem ficado com a organização, ou um outro militante, que chega à soma de 972 mil dólares. ” Portanto, participaram no planejamento , finalização da ação e destino do dinheiro. Sobre o que foi feito da fortuna jamais se chegou a nenhuma conclusão e Araújo declara na mesma reportagem da Revista Piauí : ” É impossível chegar a uma conclusão sobre isso que, agora não tem mais importância nenhuma”.
Continuando a reportagem a revista transcreve o seguinte: “Num dos inquéritos é dito que Dilma Roussef “manipula grandes quantias da VAR-Palmares. É antiga militante de esquemas subversivo-terroristas. Outrossim, através do seu interrogatório verifica-se ser uma das molas mestras e um dos cérebros dos esquemas revolucionários postos em prática pelas esquerdas radicais. (..). ” O que é crível, pois, Dilma, segundo depoimentos, era encarregada da parte financeira da nova organização, juntamente com seu marido Franklin Paixão de Araújo – “Max” – , ambos pertencentes ao comando nacional. O destino desse dinheiro é um mistério.
1 Comentário
Deixe seu comentário:
Últimas Notícias
- MG deixou de arrecadar R$ 128 bilhões sáb, 28 de março de 2026
- Parceria entre UFU e Polo UAB fortalece educação superior em Araguari sáb, 28 de março de 2026
- Alex Peixoto apresenta série de requerimentos com foco em melhorias urbanas, saúde e esporte sáb, 28 de março de 2026
- Roda de conversa alerta estudantes sobre os riscos do uso de drogas sáb, 28 de março de 2026
- Sete times, quatro vagas — quem vai para as semifinais? sáb, 28 de março de 2026
- CANTINHO DO MÁRIO – 28 DE MARÇO sáb, 28 de março de 2026
- Cuidar do sorriso: Araguari realiza nova edição da Campanha Sorriso de Estrela sáb, 28 de março de 2026
- Excelência no ensino: prefeitura de Tupaciguara recebe reconhecimento nacional em Brasília sáb, 28 de março de 2026
- Araguari: arma de fogo e munições são localizadas após denúncia anônima levada à Polícia Militar sáb, 28 de março de 2026
- Campeonato Integração do Pica-Pau sáb, 28 de março de 2026
> > Veja mais notícias...
Ainda bem que não tiveram êxito. Naquela época os governantes nem usavam bancos para transações financeiras, guardavam as fortunas nos seus cofres próprios. Assim, escapavam dos “fiscos” e não deixavam rastros de sua corrupção.