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Saúde Alerta – Você sabe o que é a câimbra do escrivão?

qua, 22 de fevereiro de 2017 05:36

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A câimbra do escrivão é uma distonia focal relacionada ao ato de escrever. Faz parte do grupo das distonias ocupacionais, que se caracterizam por contrações musculares involuntárias desencadeadas por determinados movimentos como escrever, tocar piano, violino, saxofone, jogar golfe ou digitar. Em alguns casos a distonia pode afetar mais de uma função da mão.

Há dois tipos de câimbra do escrivão – a simples, que ocorre somente quando se realiza uma função – como escrever – e a câimbra distônica – presente em mais de uma atividade, como usar talheres, pentear-se, digitar.

Os sintomas da câimbra do escrivão ocorrem assim que a pessoa segura a caneta ou após escrever algumas palavras – apreensão da caneta é extremamente forte, o punho se flexiona ou estende e uma postura de elevação de cotovelo e do ombro acompanha o ato da escrita, que se transforma numa tarefa cansativa, imprecisa, lenta e até mesmo dolorosa.

Os sintomas podem iniciar desde a adolescência até os 50 anos, são unilaterais ou bilaterais e ocorrem tanto em homens quanto em mulheres. É considerada uma doença crônica, com prognóstico difícil de ser definido. Sua causa é uma função anormal dos gânglios da base, neuronais situadas profundamente no cérebro e encarregadas de regular os movimentos.

O diagnóstico é clínico, não se observando lesões visíveis nos exames de neuroimagem, como a ressonância magnética – o que ocorre é um erro da programação motora, pouco se conhecendo estruturas neuronais situadas profundamente no cérebro e encarregadas de regular os movimentos.

O tratamento da câimbra do escrivão visa aliviar os espasmos e a dor, restaurando a postura e a função da escrita. As opções terapêuticas e seus efeitos colaterais devem ser bem analisados em cada paciente. Podem ser usados medicamentos via oral, injeções de álcool, xilocaína e toxina bolutínica A.

Uma estratégia não exclui outra, podendo se associar fisioterapia, terapia ocupacional e psicoterapia de apoio. Cerca de 5% dos pacientes melhoram com drogas anticolinérgicas, mas seus efeitos colaterais são maiores que o benefício. A aplicação de toxina botulínica é a que enfraquece os músculos o suficiente para melhorar a postura da mão sem comprometer a sua função.

A toxina botulínica melhora a escrita e reduz a dor em cerca de 50% dos pacientes. Estudos que avaliam a função cerebral mostram que a toxina botulínica A reorganiza, durante o seu efeito, os circuitos cerebrais motores excitatórios e inibitórios. Está também indicado diminuir a atividade de escrita com a mão comprometida, usando métodos alternativos como digitar ou utilizar um gravador.

Não se indica aprender a escrever com a outra mão, pois, ao transferir essa função 50% dos pacientes apresentam câimbra do outro lado. Alguns apresentam movimentos involuntários na mão distônica quando escrevem com a outra mão. Aprender a usar a caneta de um modo diferente ou envolvê-la com um molde também pode ajudar.

Outro truque é usar o ombro e o braço ao invés do punho e dedos para realizar os movimentos da escrita. Deve-se permanecer confortável durante a escrita e usar uma prancha vertical – 60% dos pacientes melhoram escrevendo nessa posição. A fisioterapia pode melhorar a flexibilidade do braço, comprometida pelas contrações distônicas. As consequências emocionais da distonia podem afetar todos os aspectos da vida – pensamento, ação, competividade.

O estresse, parte inevitável da vida, não causa a distonia, mas pode agravá-la. Pode ser aliviado com técnicas de relaxamento, meditação  ou psicoterapia. Do mesmo modo, a distonia pode acarretar ou agravar uma depressão, que também é um sintoma tratável.

Procurar associações ou grupos de suporte para obter informações é extremamente importante para os pacientes com distonia. Saber que milhares de pessoas apresentam esse sintoma pode mudar o enfoque sobre a doença “você é mais do que uma distonia – não permita que a distonia o defina”.

10 Comentários

  1. Soraya Alves disse:

    Obrigada pelo tema! Sou médica e tenho câimbra do escrivão desde os 24anos. Sigo me adaptando

  2. Marcelo Leite de Souza disse:

    Obrigado Dr. pela Informação, muito importante eu descobrir essa síndrome a 2 anos. através de médico mais seus sintomas ja apareciam em mim a mais de 4 anos. hoje já não escrevo mais com a mão direita e para digitar tenho muita dificuldade com esta mão também.

  3. Adenizia Serafim dos Santos Farias disse:

    Obrigada, ajudou bastante, sou professora e tenho distonía desde 2006 na mão direita e acabei adaptando a esquerda. Fiz vários exames na época e não deu nada.

  4. JAQUELINE MIRANDA disse:

    OLA. SOU ENFERMEIRA, E FUI DIAGNOSTICADA HÁ 1 ANO E 7 MESES. FIZ FISIOTERAPIA, TENTO ADAPTAR MINHAS CANETAS, FIZ APLICAÇÃO DE BOTOX, E NADA ME AJUDOU. HOJE ESTOU EMPREGADA, MAS SE EU PERDER O MEU EMPREGO, COMO POSSO ARRUMAR OUTRO SEM MINHA ESCRITA. NEM TODOS OS PROTOCOLOS SÃO DIGITAVEIS . NÃO ACHEI NADA QUE RESPALDASSE EM MINHA PROFISSÃO. NA ENFERMAGEM, TUDO QUE NOS RESPALDA E NOSSA ANOTAÇÃO. FAÇO AS EVOLUÇÕES NO SISTEMA ELETRONICO.

  5. MARIA LUIZA SILVA disse:

    Minha filha foi diagnosticada e além da limitação ao escrever ela está encarrando o estigma, pois sempre precisa de algum laudo para disponibilizarem mais tempo para conduzir as atividades na faculdade. Isso torna-se um bloqueio na vida dela. Já usou o botox e já fez o tratamento com acupuntura porém sem sucesso.

  6. Gostaria de saber onde posso obter os dados estatísticos sobre essa doença. Faço parte de uma pesquisa para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas e não consegui informações quantitativas relativas a ela. disse:

    Gostaria de saber onde posso obter os dados estatísticos sobre essa doença. Faço parte de uma pesquisa para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas e não consegui informações quantitativas relativas a ela.

  7. Iranildes Gomes disse:

    Bom dia! Fui diagnosticada em outubro de 2020. Graças a Deus, tenho limitação apenas na escrita. Consigo fazer as outras coisas. Estou sendo acompanhada por uma professora para adaptar a mão esquerda para escrever.

  8. Leonardo Mendes disse:

    Eu fui diagnóstico este ano com caimbra do escrivão.
    Faço faculdade de enfermagem e tudo está sendo novo pra mim, a cada dia um obstáculo.

    Entrem em contato comigo para criarmos um grupo de apoio para se ajudarmos: Instagram: @leo.smendes
    Wattzap: 91984800133

  9. Marcia disse:

    Acabei de ser diagnosticada com essa doença, não sinto dores é comum não sentir dor?

  10. Paula Magalhães disse:

    Boa noite, foi me diagnosticado a doença cambria de escrivão e tenho limitações na escrita. Sei que existem uns adaptadores para colocar nas canetas para uma melhor ajuda. Gostaria de saber o nome desses adaptadores e onde os posso adquirir
    Obrigada

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