São Saruê, por Inocêncio Nóbrega
sáb, 17 de janeiro de 2015 07:51* Inocêncio Nóbrega
Antes de visitarmos o “País de São Saruê” vamos viajar, um pouco, pelos escândalos, que ornavam a administração colonial. No meu livro, “Independência! No Grito e na Raça”, de um jornal pesquei e atualizei parte dessa notícia, procedente do Rio de Janeiro, publicada nos idos de 1823, pela “Gazzeta di Firenzi”: “Foram nomeados os grandes oficiais da Casa Imperial. São 22 ao todo, com cargos de cavalheiros de câmara, mordomos-mor, chefe de cerimonial e escudeiros, sem quaisquer critérios de nomeação”. A viagem nesse trem da alegria prossegue. Anos depois, o “Aurora Fluminense”, de Evaristo da Veiga, denuncia a farta distribuição de empregos públicos, avultado número de concessões de títulos nobiliárquicos. Segundo a nota, ultrapassa a própria monarquia portuguesa, a qual, com 736 anos atingiu 16 marqueses, 26 condes, 8 viscondes e 4 barões, com apenas oito anos de existência, o Brasil detinha 28 marqueses, 8 condes, 16 viscondes e 21 barões. O objetivo era criar uma base de sustentação do governo.
Escândalos continuam marcando a República, nem por isso inibindo o período de ditadura de 1964, e na apelidada Nova República. No primeiro caso, além da Campanha do “Ouro para o Bem do Brasil”, movimentada na gestão de Castelo Branco pelos Diários Associados de Assis Chateaubriand, dela encontrando apoio, ouro que até hoje não se sabe seu destino. Ao tempo da presidência de João Figueiredo, cerca de Cr$ 700 milhões foram transferidos para o paraíso fiscal, na Suíça. Cláudio Campos, diretor de “Hora do Povo”, sob o título “Saiu o listão dos corruptos”, cumpriu seu dever de profissional e de brasileiro, publicando a matéria, que foi reproduzida pela “Gazeta do Vale”, de Itajaí, e “Afinal”, de Florianópolis. Os jornalistas foram enquadrados na LSN. É que constavam da relação os nomes, a começar pelo então Chefe da Nação, Paulo Maluf, Jorge Bornhausen, que governava Santa Catarina, outros militares, empresários e políticos.
Mensalão, Sanguessuga, Lava-jato, é inerente regime que os votos elegem. Mas, há como escapar desse esquema de corrução e propinagem, embarcando para o mitológico “São Saruê”, do cordelista paraibano Manoel Camilo dos Santos. Comprei minha passagem. Na sua imaginária visão, diz:
“Tudo lá é bom, é fácil
Não precisa se comprar
Não há fome, nem doença,
O Povo vive a gozar.
Tem tudo e não falta nada,
Sem precisar trabalhar.
Lá, os tijolos das casas
São de cristal e marfim
As portas barras de prata
Fechaduras de rubim.
As telhas, folhas de ouro,
E o piso de cetim”.
* Jornalista – inocnf@gmail.com
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