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Santa Casa decide suspender número de leitos e de cirurgias eletivas devido à falta de repasse da prefeitura

sáb, 1 de fevereiro de 2020 05:08

Da Redação

Têm sido recorrentes as divulgações de notícias que apontam a precariedade e as dificuldades enfrentadas pelos araguarinos quanto à falta de manutenção da cidade, atraso no pagamento de salários e do vale-alimentação aos servidores municipais, além de problemas na área da saúde pública. No entanto, a informação de que poderá acontecer o fechamento de leitos na Santa Casa de Misericórdia, devido à falta de repasse da prefeitura causou a indignação da população.

Situação enfrentada pela Santa Casa de Misericórdia ocasionou na suspensão quanto ao número de leitos e cirurgias

Situação enfrentada pela Santa Casa de Misericórdia ocasionou na suspensão quanto ao número de leitos e cirurgias

 

Segundo apurou a reportagem, atualmente a dívida do município com a unidade de saúde é de R$ 2.742.267,67, referentes às emendas parlamentares de custeio que não foram repassados para a instituição. Também não houve o repasse de recursos federais da Rede Cegonha e Saúde Mental em janeiro por questões contábeis de responsabilidade do município. Existem ainda informações de que os médicos também estariam com vários meses de atraso no recebimento de seus plantões, mas que mesmo assim, continuam desempenhando seu trabalho a fim de não desamparar a população.

A situação tem refletido diretamente no pagamento de serviços de anestesia, consultas especializadas de pediatria e clínica, encaminhamentos referentes a Upa, neurocirurgias, além dos atrasos nos pagamentos dos convênios de ortopedia de prótese, convênios de cirurgias cardíacas e custeio das UTIs adultos e neonatal, dentre outros serviços. Diante disso, a unidade informou que não conseguirá manter o pleno funcionamento pela falta de recursos para compra de insumos e medicamentos.

De acordo com o oficio encaminhado às pastas responsáveis da prefeitura, a Santa Casa ressalta que devido à situação e até que os débitos sejam regularizados, estão suspensas as cirurgias eletivas (geral, ginecológica, urológica, ortopédica, cardíaca e de convênios de emendas). Também será suspenso o funcionamento de cinco leitos de UTI adulto o que reduzirá em 50% a capacidade e 14 leitos de enfermaria clínica e cirúrgica (40 % de redução da capacidade).

O documento também foi encaminhado para a Comissão de Saúde da Câmara Municipal que está acompanhando a situação, citada no plenário, durante a sessão ordinária desta semana. Em sua fala, o vereador Paulo do Vale (PV) afirmou que o município tem passado por dificuldade financeira e ainda não recebeu recursos do governo federal, mas lembrou dos empréstimos solicitados pelo Executivo que mesmo tendo sido aprovados, ainda não foram aderidos pela gestão municipal.

Ainda segundo ele, foram aprovados aproximadamente R$ 105 milhões que deveriam ser utilizados para obras de infraestrutura e para o Parque Linear, mas até então não há notícias sobre esses empréstimos ou sua utilização. “Sabemos que essa situação é motivada pela crise do Estado e da União que tem refletido diretamente nos serviços básicos. O município deve mais de dois milhões de reais para a Santa Casa que tem enfrentado muitos problemas para manter o atendimento aos araguarinos, entretanto, o Executivo solicitou um novo empréstimo para obras de infraestrutura que foi negado e agora analisa enviar outro projeto pedindo que seja autorizada a operação de crédito de R$ 18 mil. Diante de tantas mudanças e inconsistências, me posicionei contrário à aprovação, pois, temos empréstimos anteriores que ainda estão sendo pagos e outros nem chegaram a ser utilizados,” ponderou.

Ao ter ciência da situação, o deputado estadual Raul Belém (PSC) emitiu uma nota de repúdio quanto ao descaso da prefeitura para com a Santa Casa, tendo em vista os recorrentes atrasos nos repasses financeiros municipais, devidos ao hospital. Ele destacou, ainda, que o descaso da gestão não é apenas em relação à Santa Casa, mas também com as Unidades Básicas de Saúde, no fornecimento de medicamentos para a população e no funcionamento adequado da Unidade de Pronto Atendimento – Upa. Conforme ressaltou, na próxima segunda-feira, dia 3, estará buscando junto ao governo de Minas Gerais, o pagamento daquilo que é devido à Santa Casa, pelo Estado, para que seja realizada uma contrapartida às dívidas da prefeitura.

2 Comentários

  1. Anônimo disse:

    Emitir nota de repúdio não adianta em nada. ninguém quer saber disso. Ao invés disso arruma dinheiro que é a melhor coisa. ninguém quer saber de reação e sim de ação. Tenho visto trazer dinheiro para cá apenas o Zé Vitor e os Andradas que falam pouco e agem muito. Tem gente que enrola o rabo, senta em cima e fala dos outros.

  2. Anônimo disse:

    Se cada político desse dez mil do seu salário para a saúde da cidade ou do Estado de cada um imaginem como seria bom. IMAGINE.

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